Brasil, uma história



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
N
OME
: Caesalpinia echinata (família leguminosae).
N
OMES INDÍGENAS
: ibirapitanga (ou “pau vermelho” em tupi) ou arabutã.
D
ISTRIBUIÇÃO
: do Rio Grande do Norte até o Rio de Janeiro.
A
LTURA MÉDIA DE CADA ÁRVORE
: entre 10 e 15m.
T
AMANHO E PESO DAS TORAS
: 1,5 metro de comprimento e 30 quilos. Cada navio
levava em média 5 mil toras para a Europa.
P
ARA DERRUBAR E PARTIR CADA ÁRVORE
: em torno de duas horas com machado
de pedra e cerca de quinze minutos com machado de ferro.
D
ISTÂNCIA DE ONDE ERAM TRAZIDAS
: em 1558, de 18 quilômetros da costa. Em
1890, a mais de 150 quilômetros.


O
Á
RVORES DERRUBADAS
: sete milhões de pés. Foram mais de 3 mil toneladas por
ano durante três séculos.
Q
UANTO VALIA O PAU-BRASIL
: um navio carregado com a madeira valia sete
vezes menos do que um navio cheio de especiarias. Ainda assim, resultava em
lucro de 300%.
O DONO DA COLÔNIA
Durante dez anos o Brasil teve um dono. Ao fechar um contrato de exclusividade para exploração do
pau-brasil, em 1502, o cristão-novo Fernão de Noronha arrendou a Colônia por três anos, à frente de
um consórcio de judeus conversos. O acordo teria sido renovado em três ocasiões. As obrigações do
cartel eram: explorar o pau-brasil, defender a terra contra a cobiça, já viva, de espanhóis e franceses,
estabelecer uma feitoria, explorar 900 léguas (5,9 mil quilômetros) de litoral e pagar um quinto dos
lucros à Coroa. Em 1503, Noronha armou sua primeira expedição, descobriu a ilha que hoje tem seu
nome e iniciou a exploração do “pau de tinta”. Noronha, ou Loronha, agente dos judeus alemães
Függer, era um armador nascido em Astúrias, na Espanha, que enviava frotas à Índia e possuía uma
rede de negócios, com sede em Londres.
A TERRA DA BEM-AVENTURANÇA
Brasil se chama assim por causa do pau-brasil, certo? Em parte. Apesar de
os livros didáticos e o senso comum estabelecerem uma relação direta entre
o nome do país e o da árvore, abundante no território descoberto por Cabral, a
origem etimológica da palavra brasil é misteriosa e repleta de ressonâncias. Há
mais de vinte interpretações sobre a origem do étimo, e as discussões parecem
longe do fim. O certo é que a palavra é muito mais antiga do que o costume de
se utilizar o “pau de tinta” para colorir os tecidos. Mais certo ainda é que a lenda
e a cartografia antigas assinalavam, em meio às névoas do mar Tenebroso (o
Atlântico), a existência de uma ilha mítica chamada Hy Brazil.
Por um lado, “brasil” vem do francês brésil que, por sua vez, é originário do
toscano verzino, como era denominada, na Itália, a madeira usada na tinturaria.
Por outro, também é correto afirmar que brasil advém do celta bress, origem do
inglês to bless (abençoar), expressão que batizou a Ilha da Bem-Aventurança, Hy
Brazil.


Foi a incrível coincidência entre o vocábulo bresail (terra abençoada) e a
palavra “brasil” que fez com que surgisse a confusão da qual resultou a certeza
de que do nome da madeira nascera o nome do país. Segundo O Brasil na lenda
e na cartografia antigas, estudo de Gustavo Barroso, lançado em 1941, os
homens letrados do século XVI não duvidavam de que o nome Brasil provinha
da ilha lendária. “Prevaleceu, porém, a opinião do vulgo, já que eram simples
marinheiros aqueles que traficavam a madeira rubra.”
O pau-brasil pode não ter dado seu nome ao país. Mas foi com certeza ele
que batizou seu povo: eram chamados de “brasileiros” aqueles que traficavam o
“pau de tinta”. Se prevalecessem as regras gramaticais, os nativos do Brasil
deveriam se chamar brasilienses.
A ILHA PROMETIDA

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