Brasil, uma história



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
C
OMO A GUERRA ECLODIU
: José Maria pregava a proximidade do fim dos
tempos, afirmava que o comércio era “coisa do demônio” e que o rei português
D. Sebastião (morto no Marrocos, em 1578) voltaria para reinar sobre os
homens. Dizendo-se eleito por Deus para erguer na Terra uma “Monarquia
Celeste”, o monge fundou seu primeiro “quadro santo” no município de
Curitibanos – SC. A área era delimitada por cruzes nos quatro cantos e uma
tosca capela ao centro. Ali se instalaram seus dois mil seguidores. Alertado pelos
coronéis da região, o exército foi chamado para expulsar os “fanáticos”, depois
que José Maria se recusara a depor na delegacia de Palmas – PR. Em outubro de
1912, uma tropa de 400 homens, chefiada pelo capitão João Gualberto, atacou o
“quadro santo” erguido no município de Irani, onde os seguidores do monge
tinham se refugiado. Quando a metralhadora da tropa de Gaulberto engasgou, os
“fanáticos”, soprando berrantes, investiram contra os invasores. Embora José
Maria tenha sido um dos primeiros a tombar, o capitão Gualberto e mais treze
soldados também foram mortos, e o restante da tropa bateu em retirada,
deixando armas e munições para os rebeldes.
C
OMO A GUERRA ACABOU
: apesar de José Maria não ter ressuscitado como
anunciara, seus seguidores continuaram combatendo os “peludos”. Após alguns
caboclos terem seus cabelos raspados pela polícia, os “fanáticos” do Contestado
decidiram também cortar os seus e passaram a se autodenominar “pelados”. Os
inimigos da Monarquia Celestial começaram então a ser chamados de “peludos”.
Com outros líderes e adotando táticas de guerrilha, os “pelados” resistiam a


todas as investidas dos “peludos”. A virgem de quinze anos Maria da Rosa virou
chefe militar, enquanto o “menino deus” Joaquim, de onze, era tido como porta-
voz de José Maria – que, por meio de mensagens enviadas do além,
“comandava” o exército de cinco mil sertanejos.
Os rebeldes chegaram a dominar 25 mil km
2
, vencendo sete expedições
militares enviadas contra eles. Em setembro de 1914, o general Setembrino de
Carvalho chegou a Curitiba com ordens do ministro da Guerra para sufocar a
rebelião. Com sete mil homens bem-armados (80% do exército brasileiro de
então) e os primeiros aviões usados para fins militares na história do Brasil,
Carvalho atacou os “fanáticos” implacavelmente, matando homens, mulheres e
crianças. Ainda assim, a “guerra santa” perdurou até janeiro de 1916. Em cinco
anos de luta, nove mil casas haviam sido queimadas e o espantoso número de
vinte mil pessoas tinham sido mortas.


D
Capítulo
25
A I GUERRA E OS ANOS 20
epois de adiar a decisão por quase dois anos, o Brasil, enfim, resolveu
entrar na I Guerra Mundial em 26 de outubro de 1917 – três anos após o
início e um ano antes do fim do conflito. No mesmo dia em que o
presidente Venceslau Brás assinou o Decreto-Lei nº 3.361, Lenin era eleito
presidente dos soviéticos, 48 horas após a vitória da Revolução Russa. O decreto
de Brás reconhecia e proclamava “o estado de guerra iniciado pelo império
alemão contra o Brasil”.
O país só decidiu entrar na guerra – tão tardiamente quanto os Estados
Unidos, que o tinham feito em fevereiro de 1917 – depois de três navios
mercantes brasileiros terem sido afundados pelos alemães. O primeiro foi o
Paraná, torpedeado no canal da Mancha, em 3 de abril de 1917. Oito dias
depois, o Brasil rompia relações diplomáticas com a Alemanha. O segundo foi o
Tijuca, afundado na costa da França, em 22 de maio. Dois dias mais tarde, o
Brasil abria mão de sua neutralidade e confiscava todos os navios mercantes
alemães ainda ancorados nos portos do país. No dia 25 de outubro, o Macau foi
posto a pique em águas espanholas.
Quando afundaram o Tijuca, no mês de maio, o ministro do Exterior, Lauro
Müller, descendente de alemães e tido como germanófilo, demitiu-se do cargo.
Com ele fora do governo, Venceslau Brás sentiu-se à vontade para se reunir no
Catete com o ex-presidente Rodrigues Alves, Rui Barbosa e o novo ministro do
Exterior, Nilo Peçanha, e declarar guerra formalmente à Alemanha.
Ainda assim, o país relutou em enviar reforços para os aliados. A justificativa
do ministro da Guerra, José Caetano de Faria, era a de que o Exército brasileiro
contava com poucos efetivos e que eles eram necessários para assegurar “nossa
própria integridade contra os alemães e germanófilos que temos no Sul”. No fim
de 1917, porém, cedendo às pressões internacionais, o Brasil enviou uma divisão
naval, uma missão médica e um contingente de aviadores para a Europa. Sua


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