Brasil, uma história



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
Contou com a ajuda de Paulo de Frontin, responsável pela mais notável das reformas – a abertura da
avenida Central –, e de Francisco Bicalho, encarregado da modernização do porto (que ganhou 52
novos armazéns). Além de responsável pelo planejamento global das mudanças, Pereira Passos
construiu a avenida Beira-Mar, fez ruas e calçadas, pavimentou estradas, abriu o túnel do Leme,
iniciou a avenida Atlântica, uniu a cidade aos subúrbios do Flamengo e de Botafogo, embelezou as
praças e proibiu a circulação de vacas, porcos e cães vadios pela cidade, a exposição de carne na
porta dos açougues, o ato de cuspir no assoalho dos bondes, o descuido com as fachadas e vários
outros costumes “bárbaros e incultos”, como o “desfile de blocos de Carnaval sem autorização”. Foi
apelidado de “prefeito bota-abaixo”. Seus métodos rígidos e suas “picaretas do progresso” foram
instrumentos utilizados para “civilizar”– e “afrancesar” – o Rio de Janeiro.
A REVOLTA DA VACINA
rrompeu com o nome improvável de “Revolta da Vacina” – ou, mais
apropriadamente, “Revolta contra a Vacina”. O estopim da virulenta
insurreição popular que eclodiu no Rio de Janeiro em novembro de 1904 foi, de
fato, a recusa de boa parte da população da cidade – em especial as classes baixa
e média – em aceitar o cumprimento da lei que tornava obrigatória a vacina
contra a varíola. Aprovada pelo Congresso em 31 de outubro, a lei era uma
vitória pessoal do jovem médico Oswaldo Cruz – sanitarista que, poucos anos


antes, retornara da Europa disposto a erradicar uma série de epidemias que
assolavam duas das maiores cidades portuárias do Brasil: Santos e Rio de
Janeiro. Desconhecida no Brasil, a vacina contra a varíola – já testada com êxito
em vários países da Europa – era encarada com desconfiança pelos brasileiros
em geral e pelos cariocas em particular. Por isso, tão logo as chamadas Brigadas
Sanitárias passaram a entrar em todas as casas da cidade, acompanhadas da
polícia, para vacinar os moradores à força, os adversários da medida começaram
a chamá-las de “violadoras de lares” e “túmulos da liberdade”.
A eclosão da revolta era mera questão de tempo. E não foi preciso esperar
muito: quando, num comício contra a vacina, realizado no centro do Rio de
Janeiro, no dia 10 de novembro, um orador foi preso em pleno palanque, a
multidão partiu para o confronto. Imóveis derrubados pelo prefeito Pereira
Passos forneciam grande quantidade de pedras. Com elas, o povaréu passou a
alvejar os policiais. A revolta espalhou-se como um rastilho de pólvora: ao longo
de quatro dias, os revoltosos dominaram o centro da cidade, tombando e
incendiando bondes, depredando e saqueando estabelecimentos comerciais,
destruindo os novos postes de luz estilo art noveau.
A ÁRDUA MISSÃO DE OSWALDO CRUZ
“Quem é, afinal, esse Oswaldo Cruz?”, quis saber Rodrigues Alves. Pai que chorava a morte de um
filho pela febre amarela, o presidente estava decidido a sanear o Rio de Janeiro. Por isso, mandara
chamar, no Instituto Pasteur, em Paris, o célebre sanitarista Émile Roux. Mas o diretor do instituto
preferiu indicar um “brilhante discípulo seu”: o jovem Oswaldo Cruz. Com menos de 30 anos, Cruz
aceitaria a missão de combater a febre que assolava a cidade no verão (causando cerca de mil mortes
por ano); a varíola, que atacava no inverno (4 mil óbitos anuais), e a peste bubônica. “Se eu não
exterminar a febre amarela em três anos, pode me fuzilar”, disse ao presidente. Cruz ganhou
“liberdade de ação” e, em 3 de março de 1903, começou a trabalhar, “com métodos ditatoriais”.
Primeiro, combateu a peste: criou um esquadrão que caçava ratos pela cidade, pagando 300 réis por

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