Brasil, uma história


partidária do Brasil. Está certo que o Partido



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
Campos Sales implodiu por quase cinco anos a política partidária do Brasil. Está certo que o Partido
Republicano Federal (PRF), fundado em 1893, em São Paulo – com a fusão do PRP com clubes
republicanos de outros estados –, já se tinha dissolvido em razão de crises internas. Mas o golpe de morte
no papel desempenhado pelos partidos republicanos no Congresso foi desferido por Campos Sales. De
acordo com o historiador Bóris Fausto, os objetivos da “política dos governadores” podem ser resumidos
assim: “reduzir ao máximo as disputas políticas no âmbito de cada estado, prestigiando os grupos mais
fortes; chegar a um acordo básico entre a União e os estados; pôr fim à hostilidade entre o Executivo e o
Legislativo, domesticando a escolha dos deputados. Para ajustar a Câmara dos Deputados a esses fins
(…), o presidente da Câmara, temporário e de confiança, garantia o mandato de deputado a quem
representasse os grupos dominantes nos estados e fosse fiel ao governo federal. Os não merecedores desse
tipo de confiança eram excluídos, ou ‘degolados’, como se dizia na época”. Era a República Oligárquica –
ou, de acordo com a origem grega da palavra, o governo de poucas pessoas, pertencentes à mesma classe
ou grupo. No Brasil, essa “República de uns poucos” também seria chamada de “República dos Caronas”
ou “República Café com Leite”.


D
DÍVIDA, INFLAÇÃO E CRISE ECONÔMICA
e todos os deslizes da política econômica brasileira, poucos foram tão
desastrosos quanto o “Encilhamento” – como ficou conhecida a série de
decretos baixada por Rui Barbosa, ministro da Fazenda do governo provisório de
Deodoro. Rui era intelectual de primeira grandeza, dono de biblioteca
formidável (a maior do país) e principal responsável pela Constituição aprovada
em 1891. Como economista, porém, revelou-se um rotundo fracasso.
Tudo começou com o Decreto nº 165, de 17 de janeiro de 1890. Com ele, o
governo permitiu que os bancos emitissem dinheiro, lastreado apenas por bônus
governamentais, e não por fundos de reservas. Foram lançados no mercado 450
mil contos – o dobro da quantia então em circulação no país. O decreto foi
baixado justamente para suprir a ausência crônica do “meio circulante”
(quantidade de moeda em circulação no país).
Desde o Império era evidente que não havia papel-moeda suficiente para
suprir as necessidades impostas pelo trabalho assalariado, realizado por mais de
um milhão de escravos libertos e imigrantes recém-chegados. Em tese, portanto,
a nova medida estava correta. Mas a questão é que o Decreto nº 165 incentivava
também a criação de sociedades anônimas e liberava o crédito. Surgiu, assim, a
ideia de que a República seria o “reino dos negócios”.
Milhares de empresas – muitas delas fictícias – foram criadas da noite para o
dia. A especulação atingiu níveis estratosféricos. A enlouquecida disputa pela
preferência dos investidores nos pregões foi logo identificada com o
encilhamento dos cavalos antes da largada no hipódromo – instante no qual a
atividade dos apostadores se torna frenética. E assim foi que o povo acabou
batizando o “pacote”. Em menos de um ano, o balão estourou. Muitas ações não
tinham lastro ou correspondência monetária – eram títulos falsos de empresas
fantasmas. No início de 1891, a crise começou: o preço das ações despencou; a
inflação e o custo de vida dispararam; a falência atingiu milhares de empresas e
bancos; o desemprego veio em massa. Com o país mergulhado no caos, o
ministro Rui Barbosa se demitiu.
O PESO DA DÍVIDA
A princípio – e por princípio –, o decreto de Rui Barbosa indignou os fazendeiros paulistas. Afinal, a

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