Brasil, uma história



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
O maior problema que Floriano enfrentou em seus três anos como “vice-presidente em exercício”
(assim ele assinava seus atos) foi a Revolução Federalista, que estourou no Rio Grande do Sul em
fevereiro de 1893 (leia capítulo 23). Nela, Floriano tomou o partido de Júlio de Castilhos (antigo
aliado de Deodoro) contra os maragatos (ou federalistas) de Silveira Martins. Quando os rebeldes da
Revolta da Armada (leia na página seguinte) se uniram aos maragatos e tomaram a cidade de Nossa
Senhora do Desterro, em Santa Catarina, Floriano mandou persegui-los. Em outubro de 1894, depois
de fuzilamentos sumários, o marechal desferiu um castigo final à cidade revoltosa: trocou o antigo
nome pelo seu próprio. E assim surgiu… Florianópolis (à esquerda).
A REVOLTA DA ARMADA
o momento em que o marechal Deodoro deu o golpe que resultou na
proclamação da República, todas as vezes que ele citava o Exército, a seu
lado, Benjamin Constant completava: “E também a Armada.” Mas não era
verdade: ao contrário do Exército, a Marinha Brasileira – ou Armada, como
então se dizia – era monarquista. Considerada uma instituição nobre, comandada
desde a independência por oficiais ingleses como Lorde Cochrane e John
Greenfeld, a Armada era privilegiada em relação ao Exército, recebendo soldos


melhores e mais atenções do Império.
Embora não tenha tentado impedir o golpe que derrubou D. Pedro II (mesmo
que não tomasse parte nele), a corporação iria protagonizar duas significativas
rebeliões, que ajudaram a incendiar ainda mais os primeiros e tumultuados anos
da República. Três almirantes eram os chefes mais importantes da Marinha:
Eduardo Wandenkolk, um dos raros republicanos da Armada e membro do
primeiro ministério de Deodoro; Custódio de Melo, um monarquista moderado;
e Saldanha da Gama, também monarquista, mas, acima de tudo, um “legalista”.
Na Primeira Revolta da Armada, ocorrida em novembro de 1891, o contra-
almirante Custódio de Melo conseguiu derrubar o marechal Deodoro – o que
resultou na posse do vice, Floriano Peixoto (que demitiu Eduardo Wandenkolk
do ministério). Na segunda Revolta da Armada, ocorrida dois anos depois, o
mesmo Custódio de Melo uniu-se a Saldanha da Gama na tentativa de depor
Floriano.
A Segunda Revolta da Armada eclodiu às onze horas da noite do dia 6 de
setembro de 1893, quando o contra-almirante Custódio de Melo fez içar, no
encouraçado Aquidabã, o pavilhão rubro da rebelião, invocando, não sem fina
ironia, que era preciso “restaurar o império da Constituição”. Foi acompanhado
por outros dezesseis vapores de guerra e oito mercantes – a maioria deles navios
velhos e quase imprestáveis. Os confrontos se concentraram na Baía de
Guanabara, mas os rebeldes nunca bombardearam a cidade do Rio de Janeiro,
limitando-se a trocar tiros com a Fortaleza de Santa Cruz. Ante a resistência das
forças de terra, Custódio de Melo deixou a maior parte da esquadra sob o
comando de Saldanha da Gama e invadiu a cidade catarinense de Desterro – hoje
Florianópolis.
A PRIMEIRA REVOLTA
Foram duas as revoltas da Armada que rebentaram entre 1891 e 1893. A primeira delas, que eclodiu em
novembro de 1891, resultaria na queda do marechal Deodoro. Nada mais natural, afinal, embora o líder da
revolta fosse o almirante Custódio de Melo um dos principais articuladores do movimento fora Eduardo
Wandenkolk, que havia sido candidato a vice na chapa de Deodoro, perdera a eleição para Floriano mas
tinha se tornado ministro da Marinha do novo governo. Só que Wandenkolk se demitiu junto com todo o
ministério – e deu seu aval ao movimento liderado por Custódio de Melo. Deodoro então preferiu

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