Brasil, uma história



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história



Eduardo Bueno
Brasil, uma história
Cinco séculos de um país em construção
LeYa
exemplar sem imagens


Copyright © 2012 Eduardo Bueno
Todos os direitos reservados pela Lei 9.610, de 19/2/1998.
É proibida a reprodução total ou parcial sem a expressa anuência da editora.
B9285 Bueno, Eduardo
Brasil: uma história: cinco séculos de um país em construção / Eduardo Bueno.
– Rio de Janeiro: Leya, 2012.
480 p.; 16x23cm.
ISBN 978-85-8044-649-4
1. História do Brasil. II. Título.
CDD 981
Todos os direitos reservados à
EDITORA CASA DA PALAVRA
Av. Calógeras, 6 | sala 701
20030-070 – Rio de Janeiro – RJ
www.leya.com.br


Concepção, edição, textos e pesquisa iconográfica
Eduardo Bueno
Captação de imagens
Odete Ernestina Pereira e Etoile Shaw
Revisão de textos
Tiago Campos
Design
Ana Adams
Diagramação
Raquel Alberti
Colaboração
Belém Adams
Capa
Ideias com Peso
Reproduções fotográficas
Fernando Bueno e Dudu Contursi
Conversão para preto e branco e tratamento das imagens
Thiago Corrêa
Impressão
Gráfica EGB


C
UMA HISTÓRIA PARA LER
onsagrado jornalista e exímio contador de histórias, Eduardo Bueno
demonstra, em mais esta obra, seu profundo interesse pela História do
Brasil. Amplo painel abrangendo mais de 500 anos de fatos políticos e
econômicos entremeados de personagens que lhe deram vida, seu livro
condensa, numa trama simples e objetiva, inúmeras informações, ao mesmo
tempo, saborosas e preciosas sobre nosso passado.
Independentemente das abordagens teóricas consagradas pelas academias,
destacadamente da pesquisa histórica que se faz nas universidades, o autor
identifica-se ao espírito de abertura e descoberta que domina nossa época.
Exemplo de coerência intelectual, ele lê o Brasil numa chave jornalística em que
fatos e personagens sublinham o peso do passado sobre condutas e decisões
coletivas, assim como a permanência das decisões individuais sobre o curso da
história. Menos preocupado em interpretar a significação das estruturas, ele
extrai habilmente lições de fatos históricos. Em sua pena, a virtuosidade do
vulgarizador, o charme do contador e a elegância do estilista combinam-se para
oferecer ao leitor uma narrativa pouco convencional e repleta de biografias
pitorescas, além de observações nada canônicas. Seu estilo original é
responsável pelo aparecimento de uma literatura histórica que congrega e
absorve um número cada vez maior de leitores.
À luz de inúmeros conhecimentos e informações, Eduardo Bueno sabe, como
poucos, colocar-se ao alcance do público, abandonando as praias do texto
esotérico tantas vezes concebido por especialistas. Seu trabalho – o de oferecer
uma narrativa de fácil compreensão ao maior número de interessados – ajuda a
renovar o gosto pela História do Brasil.
Mary Del Priore
Historiadora, professora de História do Brasil
na USP e na PUC/RJ, autora de vários best-sellers,
todos ligados à história brasileira.


SUMÁRIO
1. A
NTES DO
B
RASIL
2. O B
RASIL
I
NDÍGENA
3. O B
RASIL DOS
P
ORTUGUESES
4. O
S
P
RIMÓRDIOS DA
C
OLÔNIA
5. O B
RASIL DOS
J
ESUÍTAS
6. B
ANDEIRAS E
E
NTRADAS
7. O B
RASIL

FRANCÊS
8. O B
RASIL
E
SPANHOL
9. O B
RASIL
H
OLANDÊS
10. A C
ORRIDA DO
O
URO
11. O B
RASIL DOS
E
SCRAVOS
12. A C
ONJURAÇÃO
M
INEIRA
13. O B
RASIL DA
F
AMÍLIA
R
EAL
14. O B
RASIL DOS
V
IAJANTES
15. B
RASIL
A
MAZÔNICO
16. O B
RASIL
I
NDEPENDENTE
17. A R
EGÊNCIA E AS
R
EVOLUÇÕES
18. O B
RASIL
I
MPERIAL
19. A G
UERRA DO
P
ARAGUAI
20. A A
BOLIÇÃO
21. R
EPÚBLICA
A
INDA QUE
T
ARDIA


22. A R
EPÚBLICA DE DEZ
A
NOS
23. S
ANGUE NO
P
AMPA E NO
S
ERTÃO
24. O R
EINADO DO
C
AFÉ COM
L
EITE
25. A P
RIMEIRA
G
UERRA E OS
A
NOS
20
26. O B
RASIL DOS
T
ENENTES
27. D
E
M
ACHADO AO
P
AU
-B
RASIL
28. A R
EVOLUÇÃO DE
30
29. O V
ELHO
E
STADO
N
OVO
30. O F
IM DA
E
RA

VARGAS
31. A E
RA
JK, J
ANGO E
J
ÂNIO
32. O G
OLPE DE
1964
33. O
S
A
NOS DE
C
HUMBO
34. O B
RASIL
T
ROPICALISTA
35. D
AS
D
IRETAS A
S
ARNEY
36. D
E
C
OLLOR A
FHC
37. O B
RASIL DE
L
ULA, DE
D
ILMA E DO
PT
B
IBLIOGRAFIA
C
OMENTADA
C
RÉDITOS DAS
I
MAGENS


N
Capítulo
1
ANTES DO BRASIL
o Brasil, como no restante do Novo Mundo, o que separa a história da
pré-história é mais do que um mero prefixo. Existe, entre os dois
períodos, um abismo de desconhecimento e incompreensão. Embora o
trabalho dos arqueólogos literalmente se aprofunde cada vez mais, restam ainda
imensas lacunas a respeito dos habitantes que, em tempos remotos, ocuparam o
território que viria a ser o Brasil. O que já se sabe, porém, permite afirmar que a
herança “pré-histórica” – ou seja, o legado dos povos que por no mínimo dez
milênios aqui viveram – é bem mais sólida e está muito mais presente do que o
senso comum em geral supõe.
É preciso não esquecer, afinal, que, por pelo menos cem séculos, esses povos
ancestrais – cuja própria origem ainda não pôde ser inteiramente esclarecida –
testaram um repertório de alternativas e um leque de possibilidades alimentares,
ecológicas e logísticas que os conquistadores europeus, sob risco de colocarem
em perigo a própria sobrevivência, não puderam descartar desde o instante em
que desembarcaram no então “novo” e desconhecido território, oficialmente em
abril de 1500.
Pode-se afirmar que as trilhas e os caminhos pelos quais o país se expandiu,
os sítios onde se erguem suas grandes cidades, inúmeros produtos agrícolas que
hoje saciam a fome da nação, bem como vários hábitos e costumes nacionais,
são fruto direto de um conhecimento milenar – que, embora esteja dessa forma
preservado, na essência se perdeu. É preciso ter em mente, portanto, que uma
compreensão mais plena do Brasil impõe um mergulho no passado – e que esse
passado é muito mais profundo do que apenas os últimos cinco séculos.
O conhecimento da pré-história, bem como de certos condicionalismos
geológicos e de determinadas imposições geográficas, apresenta-se, assim, como
uma ferramentachave para uma interpretação mais coerente do “processo
civilizatório” do país, na medida em que ajuda a dissipar as sombras que


O
obscurecem um dos pilares a partir dos quais portugueses em particular e
europeus em geral ergueram a “civilização brasileira”. E embora, por um lado, o
legado indígena tenha tornado menos árduo o processo de adaptação desses
“povos transplantados” ao Novo Mundo, por outro, ele próprio reforça que, de
certo modo, ainda somos, como apontou o historiador Sérgio Buarque de
Holanda, uns “desterrados em nossa própria terra”.
O PALCO GEOLÓGICO
palco geológico no qual viria a se desenrolar a história do Brasil é
constituído por um extenso mosaico no qual se alternam terrenos de origem
antiquíssima – remanescentes da Pangea, o supercontinente ancestral – com
amplas bacias sedimentares cuja origem é muito mais recente. Quando a Pangea
começou a se partir, há cerca de 180 milhões de anos, a massa terrestre se
dividiu em duas grandes porções continentais: a Laurásia (englobando os atuais
territórios da América do Norte, da Europa e da Ásia) e a Gondwana (que reunia
a América do Sul, a África, a Índia, a Austrália e a Antártida). É curioso
perceber que, em tempos históricos, os navegadores portugueses iriam
restabelecer, por mar, a conexão que, em eras remotas, unira o Brasil à África e à
Índia. Cerca de 36% do território brasileiro (algo em torno de três milhões de
quilômetros quadrados) é constituído por maciços antigos que fizeram parte da
Gondwana. Eles formam a ossatura rochosa do país. São antiquíssimos escudos
(ou planaltos) cristalinos, de base granítica, remanescentes da Era Pré-
cambriana. Sua idade varia entre um e três bilhões de anos. O escudo das
Guianas, localizado em Roraima, no extremo norte do país, por exemplo,
formou-se há cerca de 2,5 bilhões de anos.
Os outros 64% do território brasileiro (cerca de seis milhões de quilômetros
quadrados) estão recobertos pelos sedimentos e detritos resultantes da ação
erosiva das águas e dos ventos sobre as antigas e suntuosas montanhas graníticas
da Gondwana: vento rápido e água mole se chocando sem cessar contra pedra
dura, ao longo de dois bilhões de anos. Nessas áreas sedimentares surgiram as
chapadas e chapadões tipicamente brasileiros. Boa parte dessas formações está
recoberta pela lava resultante dos estupendos derrames basálticos ocorridos no
Período Triássico, há cerca de 220 milhões de anos, quando o Brasil foi palco de


C
estrondosas atividades vulcânicas.
Já os terrenos formados durante a Era Cenozoica, iniciada há 66 milhões de
anos, são de pequena espessura, mas possuem ampla distribuição horizontal. São
áreas que estiveram anteriormente recobertas pelo mar e se concentraram
basicamente na região amazônica e no Pantanal.
Por fim, o mais recente capítulo da história geológica brasileira desenrolou-se
há cerca de um milhão de anos, no Período Quaternário, durante o qual se
formaram as planícies costeiras, constituídas pelo lento depósito da areia jogada
pelo oceano Atlântico sobre a grande massa granítica que forma a plataforma
continental brasileira, ao longo de todo o litoral.
O MAR ANCESTRAL

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