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Historia-Volume-3 (1)


Volume 03
HISTÓRIA


2
Coleção Estudo
Sumário - História
Frente
A
11
3
Revolução Americana
Autor: Alexandre Fantagussi
12
13
Revolução Francesa 
Autor: Alexandre Fantagussi
13
23
Período Napoleônico e Congresso de Viena
Autor: Alexandre Fantagussi
14
31
Revoluções liberais
Autor: Alexandre Fantagussi
15
39
Revolução Industrial e movimento operário
Autor: Geraldo Magela
Frente
B
09
49
Brasil Colônia: bandeirantismo, mineração e
Período Pombalino
Autor: Edriano Abreu
10
61
Rebeliões nativistas e separatistas
Autor: Edriano Abreu
11
71
Período Joanino e Independência do Brasil
Autor: Edriano Abreu
12
81
Brasil Império: Primeiro Reinado
Autor: Edriano Abreu


FRENTE
3
Editora Bernoulli
MÓDULO
HISTÓRIA
REVOLUÇÃO OU 
INDEPENDÊNCIA?
O processo de ruptura das Treze Colônias com a metrópole 
inglesa foi o primeiro a ocorrer na América e representou um 
dos primeiros sinais de abalo do poderio europeu durante o 
chamado Antigo Regime.
A Independência, também denominada por muitos de 
Revolução Americana, é um episódio controverso para os 
historiadores. Alguns deles alegam que a ruptura com a 
Inglaterra representou a formação de uma “nova ordem”, 
o que a caracterizaria como uma Revolução. Essa tese pode ser 
reforçada pelo fato de os colonos possuírem práticas políticas 
próprias, como a atuação de conselhos representativos 
das comunidades, o que garantia uma maior participação 
dos indivíduos nas decisões políticas. Como consequência 
disso, instaurou-se o desejo de consagrar a “liberdade” e 
de consolidar o direito de participar das decisões públicas, 
de ser admitido no mundo político, o que foi importante para 
o processo de Independência. Aceitando-se esses aspectos, 
é possível caracterizar a ação dos colonos como revolucionária. 
De acordo com o pensador francês Alexis de Tocqueville, que 
visitou os Estados Unidos nas primeiras décadas do século XIX 
e escreveu a clássica obra A democracia na América:
Ali a sociedade age sozinha e sobre ela própria.
Não existe poder, a não ser no seio dela; quase nem 
mesmo se encontram pessoas que ousem conceber e, 
sobretudo, exprimir a idéia de ir procurá-la noutra parte. 
O povo participa da composição das leis, pela escolha dos 
legisladores, da sua aplicação pela eleição dos agentes do 
Poder Executivo; pode-se dizer que ele mesmo governa
tão frágil e restrita é a parte deixada à administração, 
tanto se ressente esta da sua origem popular e obedece 
ao poder de que emana. O povo reina sobre o mundo 
político americano como Deus sobre o universo. É ele a 
causa e o fi m de todas as coisas; tudo sai do seu seio,
e tudo se absorve nele.
TOCQUEVILLE, Alexis de. A democracia na América. Belo 
Horizonte: Itatiaia, 1987.
Por outro lado, existem historiadores que apontam as 
limitações desse movimento. Uma delas seria o fato de não 
existir, ainda naquele período, uma unidade entre os americanos. 
Por isso, a Independência não teria sido motivada pelo 
sentimento nacionalista em relação aos Estados Unidos, que 
de fato nem existia, mas sim por uma repulsão aos ingleses.
Por ter sido encabeçado por uma elite colonial que se sentia 
prejudicada em seus interesses econômicos, o movimento 
não previa a adoção imediata do sufrágio universal, além 
de defender a manutenção da escravidão. No século XX, 
a segregação racial ainda presente levou o ativista negro 
Martin Luther King a proferir seu célebre discurso “Eu tenho 
um sonho”, em que afi rmava:
De certo modo, viemos à capital de nossa nação para 
descontar um cheque. Quando os arquitetos de nossa 
república escreveram as palavras magnífi cas da Constituição 
e da Declaração de Independência, eles estavam assinando 
uma nota promissória de que todo americano se tornaria 
herdeiro. Essa nota era a promessa de que todos os 
homens, sim, negros assim como brancos, teriam 
garantidos os direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à 
busca da felicidade. É óbvio hoje que a América não pagou 
essa nota promissória no que concerne aos seus cidadãos 
de cor. Em vez de honrar essa obrigação sagrada, a América 
deu ao povo negro um cheque sem fundos; um cheque 
que foi devolvido com a anotação: “fundos insufi cientes”.
Nós nos recusamos a acreditar que há fundos insufi cientes 
na grande caixa forte de oportunidades desta nação.
E assim viemos para descontar esse cheque, um cheque 
que vai nos assegurar as riquezas da liberdade e a 
segurança da justiça.
Martin Luther King
Apesar das diferenças, ambas as interpretações são 
pertinentes e acreditamos que o seu conhecimento facilite 
a análise do processo que culminou na autonomia das 
Treze Colônias.
ANTECEDENTES
A colonização inglesa na América do Norte, em especial 
nas colônias do norte, não se caracterizou por um 
planejamento sistemático. Isso porque a situação interna 
conflituosa pela qual passava a Inglaterra entre os 
séculos XV e XVII, marcada pelo fi m da Guerra dos Cem 
Anos, pela Guerra das duas Rosas, pela Reforma Anglicana 
e pela Revolução Inglesa, impedia a atuação efetiva da 
metrópole na América. Somadas a isso, as características 
de algumas colônias fi zeram com que sofressem pouca 
interferência da metrópole, levando a um distanciamento 
desta. Foi comum, nesse caso, a prática do self-government
ou seja, o autogoverno pelos colonos da América.
Revolução Americana
11
A


4
Coleção Estudo
Não se deve concluir, no entanto, que a Coroa britânica 
abandonou seus territórios coloniais. Várias foram as 
legislações que buscavam aumentar o seu controle sobre 
a região, tanto que a sua intensificação no século XVIII 
foi um dos principais fatores que levaram ao processo de 
Independência das Treze Colônias.
RAZÕES PARA A 
INDEPENDÊNCIA
Vários conflitos ocorridos entre os países europeus durante 
a Idade Moderna geraram repercussões nas Américas.
Em muitos casos, as batalhas estavam vinculadas aos 
domínios coloniais no continente americano e contaram com 
a participação das colônias. No entanto, ao final de cada um 
desses conflitos, os tratados estabelecidos entre as potências 
da Europa nem sempre refletiam o interesse dos colonos. 
Muitas das conquistas territoriais promovidas pelos colonos 
eram desfeitas por tratados firmados entre os europeus. 
Guerra dos Sete Anos (1756-1763), por exemplo,
foi um conflito entre a Grã-Bretanha e a França pelo controle 
comercial e marítimo de colônias localizadas nas Índias 
Orientais e na América do Norte. A luta no continente 
americano foi denominada Guerra Franco-Indígena e dela 

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