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EXPOSIÇÃO

BIBLIOTECA MUNICIPAL

PENAMACOR 

2008


IN

VISIBILIDADE



DA 

MULHER

NA HISTÓRIA

DA ARTE



A mulher imaginada, 

imaginária, ou mero 

fantasma...”

1- Duby


reuniões de artistas e eruditos pro-

movidas geralmente por mulheres 

cultas, em posição económica e 

social que lhes permitia alguma liberdade de acção 

e movimentos, num mundo dominado por homens, 

que lhes restringiam o acesso à educação, sobretudo 

no domínio científico, e ainda as excluíam da Escola de 

Belas Artes e as proibiam de desenhar modelos nus.

O rompimento da malha enleante de preceitos e pre-

conceitos que manteve a mulher mais ou menos à 

margem da produção artística, consequentemente si-

lenciosa e ausente na História da Arte, não se dá num 

momento e num tempo particulares. Tão pouco se tra-

As Musas 

(Museu do Louvre, Paris)

Baixo-relevo de um sarcófago romano com a representação das nove Musas. Da esquerda para a 

direita; Calíope representa a poesia épica: segura na mão um rolo; Talia, a comédia: apoiada num 

pedum, contempla uma grande máscara cómica que segura na mão esquerda; Terpsícore, a poesia 

ligeira e a dança:; Euterpe, musa da flauta dupla; Polímia (em falta na imagem), a pantomima; Clio, a 

história; Erato, a lírica coral: segura uma grande cítara; Urânia, a astronomia; por último, Melpómene, 

representa a tragédia. 

ta de um fenómeno transversal às sociedades e às ci-

vilizações: a mudança de mentalidade não se processa 

ao ritmo das transformações políticas e tecnológicas. E 

nem sequer, em boa verdade, se pode falar em ausên-

cia, porque mulheres artistas sempre as houve. O que 

elas não tiveram, em todo o tempo, foi campo propício 

para desenvolver livremente o seu talento.Excepto as 

que por condição de nascimento ou de temperamento 

puderam ou ousaram dar curso ao génio criativo.

A presença da mulher na história da arte – encarada 

esta no estrito campo das artes ditas plásticas ou, no 

sentido mais geral, incluindo a música, a dança, o tea-

tro etc. - , enquanto estudo de obras, linguagens, cor-

rentes, estilos e compilação de nomes, acompanha, de 

certo modo, o lento e difícil processo de emancipação 

da mulher ao longo de milénios.

A pouco menos que invisibilidade da mulher artista 

desde a antiguidade até próximo dos nossos dias con-

trasta com a superabundância de imagens e discursos 

de/e sobre mulheres, que são representadas, descritas 

ou narradas, muito antes de terem elas a palavra

1

. Pin-


tores, escultores e poetas não se cansam de as tomar 

como modelos, e legiões de filósofos, teólogos, juris-

tas, médicos, moralistas, pedagogos... dizem incansa-

velmente o que são as mulheres e, sobretudo, o que 

devem fazer. A lenta marcha das ideias leva ainda o 

revolucionário e radical Rousseau, já em pleno século 

XVIII (por mais irónico que isso hoje nos possa pare-

cer), a enumerar as obrigações da mulher: agradar aos 

homens, ser-lhes útil, fazer-se amar e honrar por eles, 

criá-los  quando  jovens,  cuidar  deles  quando  adultos, 

aconselhá-los, consolá-los..., conquanto declare com 

arrojo que “o homem nasce livre; porém, em todos os 

lados está acorrentado”, e escreva sobre a Origem e os 

Fundamentos da Desigualdade entre os Homens. 

Apesar de tudo, é no século XVIII que por toda a Europa 

ocorre  a  proliferação  dos  Salões  alternativos  à  corte, 

02

03




A Mulher 

Símbolo


“As deusas povoam 

o Olimpo das 

cidades sem cidadãs; 

a Virgem reina nos 

altares onde oficiam 

os padres; Mariana 

encarna a República 

Francesa, assunto de 

homens...”

A Liberdade guiando o Povo

Psique (Alma) e Eros 

(Deus do amor)

A ascenção de Psique 

(William Bouguereau)

A Grécia nas ruínas

de Missolonghi

A Virgem no trono

Ceres


Deusa 

Romana 


da 

Fecundidade

Ártemis

Deusa da caça 

e da serena luz

Deméter


Deusa grega 

da fecundidade

A Lei

A Justiça



A Primavera 

(pormenor)

Virgem Maria

A República

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A Mulher Artista

Não  há  registos  de  quem  foram  os  artistas  da  era 

pré-histórica,  mas  estudos  de  muitos  etnógrafos  e 

antropólogos indicam que as mulheres eram frequen-

temente os artesãos nas culturas neolíticas, criando a 

sua cerâmica, têxteis, cestaria e jóias.

A extrapolação para o trabalho artístico e competên-

cias do Paleolítico segue o mesmo entendimento nas 

culturas conhecidas e estudadas através da arqueolo-

da pré-História 

à Idade Média

gia. Existem pinturas de cavernas com impressões de 

mãos de mulheres e crianças, assim como de homens.

De entre as primeiras menções a artistas individuais 

na Europa, Plínio o Antigo alude a algumas mulheres 

pintoras na Grécia, entre as quais Aristarete, Eirene e 

Calypso, enquanto na Roma do século I a.C., Iaia de 

Cisicus (“Marcia”), filha do filósofo Marco Terêncio Var-

rão, ganhava notoriedade e dinheiro como pintora. Mas 

já muito antes, por volta de 600 a.C., Safo se afirmara 

e fizera admirar como poetisa, ao ponto de Estrabão, 

historiador, geógrafo e fisósofo grego (63 ou 64 a.C. - a 

24 d.C.), escrever que “Safo era maravilhosa, pois em 

todos os tempos que temos conhecimento não sei de 

outra mulher que a ela se tenha comparado, ainda que 

de leve, em matéria de talento poético”.

Na idade média as mulheres artistas são geralmente 

ricas aristocratas alfabetizadas e freiras que alimentam 

uma produção de trabalhos artísticos associados aos 

bordados, aos têxteis e ao desenho e pinturas de ilu-

minuras. Ende (Espanha), Guda e Clariçia (Alemanha) 

são nomes de conhecidas freiras que exerceram a arte 

de iluminar manuscritos nos scriptoria dos conventos; 

mas a mais representativa das mulheres intelectuais 

e artistas desta época é sem dúvida 

Hildegard von  

Bingen

, que, para além das muitas descrições visioná-



rias, foi autora de várias obras musicais.

Antigas referências de Homero

Cícero e Virgílio mencionam o 

papel proeminente das mulheres 

nos têxteis, poesia, música e outra 

actividades culturais, sem contudo 

individualizar.

Pintura Mural - Çatal Huyuk - Turquia

Hildegard von Bingen

Codex 001

Pintura Mural – Çatal Huyuk – Turquia

Filhas de Akhenaton – Egipto

Hildegard von Bingen

Codex 001

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É o caso de 

Caterina van Hemessen 

(1528 - 1587), 

pintora  flamenga  que  teve  como  patrono  Maria  de 

Áustria,  regente  dos  Países  Baixos,  e  a  quem  geral-

mente se atribui a distinção de ter criado o primeiro 

auto-retrato  de  um  artista,  de  qualquer  sexo,  senta-

do ao cavalete. Ocasionalmente são membros da no-

breza, como a iltaliana 

Sofonisba Anguissola

 (1531 - 

A Mulher Artista

do Renascimento

aos nosso dias

Num contexto de grande 

adversidade, algumas mulheres 

conseguiram desenvolver 

actividade artística como 

profissionais a partir de meados do 

século XVI. Normalmente são filhas 

de pintores bem sucedidos. 

1625) considerada a primeira artista do Renascimento 

a  adquirir  fama  internacional.  Admirada  por  Miguel 

Ângelo  e,  mais  tarde,  Anthony  van  Dyck,  foi  pintora 

oficial da corte de Filipe II de Espanha, posto que viria 

a ser ocupado por Velásquez , no reinado de Filipe IV. 

Pela mesma época, em Itália, 

Lavínia Fontana

 (1522 

- 1614) fazia carreira a pintar retratos da alta socie-

dade bolonhesa. Filha do pintor mais proeminente 

da Escola de Bolonha, Prospero Fontana, Lavinia viria 

a  fazer  sucesso  em  Roma,  para  onde  se  mudou  em 

1603, a convite do Papa Clemente VIII. A sua obra é a 

maior de uma mulher artista antes de 1700. O Papa 

PauloV posou para ela. 

Artemisia Gentileschi 

(1593 


- 1653) é geralmente considerado o primeiro grande 

nome da pintura no feminino. Seguindo a regra, é filha 

de um pintor, Orazio Gentileschi, talentoso represen-

tante do Caravaggismo. Um escândalo marcou a sua 

vida. Violada aos 17 anos por um amigo e colaborador 

de seu pai, Artemisia intentou um processo contra o 

agressor e conseguiu a sua condenação, embora este 

nunca viesse a cumprir a pena. Mas a sua luta e de-

terminação fizeram dela uma referência no seio dos  

movimentos feministas do século XX.

Lavinia Fontana

Minerva


Caterina Van 

Hemessen


Auto-retrato 

ao cavalete

Lavinia Fontana

Auto-retrato

Artemisia Gentileschi

Susanna e os Velhos

Artemisia Gentileschi

Judith


Artemisia Gentileschi

Auto-retrato

Artemisia Gentileschi

Judith


Sofonisba Anguissola

Isabel de Valois

Sofonisba Anguissola

Auto-retrato

Sofonisba Anguissola

O Jogo de Xadrez

Sofonisba Anguissola

Bernardino Campi pintando 

Sofonisba

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à História da Arte e também à História da Ciência. Mais 

uma vez o ambiente familiar terá sido determinante 

para o rumo que tomou a vida quer de Maria, quer do 

seu irmão Matthäus Merian Jr., também pintor, ambos 

filhos de Matthäus Merian o Velho, gravador e impres-

sor nascido em Basileia, Suíça. Órfã de pai aos 4 anos, 

foi encorajada desde cedo a desenhar e a pintar pelo 

padrasto, o pintor Jacob Marrel. A sua vida pessoal e 

o  seu  trabalho  foram  indissociáveis  do  seu  interesse 

pela disciplina científica aplicada à arte. Investigou e 

desenhou insectos e plantas. Após o regresso do Suri-

name, onde se dedicou ao estudo da fauna e flora lo-

cais, publicou colecções de gravuras e um livro sobre 

as metamorfoses dos insectos do Suriname.

Na Holanda, 

Clara Peeters

  (1594  -  1657)  introduz  o 

tipo de pintura “Breakfast Piece”, que consistia em na-

turezas mortas sobre uma mesa de refeições, como o 

pão, queijo, copos com vinho ou cerveja etc. Foi uma 

pintora muito precoce, pois aos 14 anos assina e data 

uma pintura, que hoje se conserva em colecção parti-

cular, e outra em 1611, existente no Museu do Prado, 

portanto quando teria 17 anos. Também na Holanda, 

Judith Leyster

  (1609  -  1660),  filha  de  um  fabricante 

de panos de Haarlem, ganha nome como pintora de 

cenas domésticas e familiares de grande expressivida-

de, que patenteiam alegria e bem-estar. Foi uma das 

duas  únicas  mulheres  que  integraram  a  Guild  of  St. 

Luke de Haarlem, associação que visava defender os 

artistas da cidade. Ainda na Holanda, 

Rachel Ruysch

 

(1664 - 1750), filha de um professor de anatomia e 



botânica, distingue-se por incluir na sua pintura no-

vos elementos realistas, tanto da flora quanto da fauna 

holandesas. Por sua vez, na Alemanha, 

Maria Sibylla 

Merian

 (1647 - 1717), deu um importante contributo 



Judith Leyster

Rapaz tocando flauta

Clara Peeters

Vanitas


Clara Peeters

“Still-Life”

Judith Leyster

Serenata


Judith Leyster

Auto-retrato

Rachel Ruysch

Bouquet de Flores e Plumas

Rachel Ruysch

Flores


Judith Leyster

Happy Couple

Maria Sibylla Merian

Metamorphose de uma Borboleta

Maria Sibylla Merian

Insectos do Surinam

Maria Sibylla Merian

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Elisabeth-Louise Vigée Lebrun

 (1775 - 1842), pinto-

ra da corte de Maria Antonieta – chegou a retratá-la 

mais de 20 vezes – pintou a aristocracia daquela época;  

Rosalba Carriera

 (1675 - 1757) foi uma pintora rococo 

veneziana.  Na  sua  juventude  especializou-se  em  re-

tratos miniaturas e mais tarde veio a adoptar o pastel 

no seu trabalho de pintora retratista, onde alcançou 

notorieadade; 

Maria Verelst 

(1680 - 1744) Nasceu em 

Viena, mas aos três anos vai para Londres onde se tor-

No século XVIII assiste-se à passagem do Barroco ao Rococo 

e ao Neocássico. O labor artístico das mulheres acompanha o 

gosto e a tendência de uma época marcada pelo requinte e bem 

viver das classes abastadas, onde os artistas, letrados e filósofos 

marcam presença nos Salões de conceituadas damas, elas 

próprias brilhantes representantes da intelectualidade da época, 

como foram Madame de La Fayette e Madame de Stäel.

na pintora no seio de uma família de artistas. Diz-se 

que pelo facto de dominar varias línguas, não lhe foi 

difícil conquistar uma clientela culta que se fez retratar; 

Angelica Kauffman

 (1741 - 1807), que nasceu na Suí-

ça, viria a viver em Londres, onde esteve entre os sig-

natários da petição ao rei para a criação da Academia 

Real de Pintura e Escultura. Morreu e foi enterrada em 

Roma sob a admiração de muitos amigos e artistas, 

entre eles Canova.

Angelica Kauffmann

A Morte de Alcesti

Angelica Kauffmann

A Ninfa adormecida

Angelica Kauffmann

Miranda e Ferdinand

Elisabeth-Louise Vigée-Lebrun

Auto-retrato

Elisabeth-Louise Vigée-Lebrun

Carlos Alexandre de Calonne Lebrun

Elisabeth-Louise Vigée-Lebrun

Auto-retrato

Maria Verelst

Retrato de de uma Dama

Maria Verelst

Retrato de Senhora com Vestido Branco

Rosalba Carriera

Auto-retrato

Rosalba Carriera

Angelica Kauffmann

Venus convence Helena a seguir Páris

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Foi o caso de 

Rosa Bonheur

 (1822 - 1899), artista fa-

mosa que não hesitou em trocar as roupas de mulher 

pelas de homem para transpor obstáculos e ganhou 

muito dinheiro com a sua pintura. Recebeu uma me-

dalha de ouro na exposição de 1848 e veio tornar-se 

Oficial  da  Legião  de  Honra  em  1894.  Igual  distinção 

viria a ter 

Louise Abbema

 (1858 - 1927), pintora gra-

vadora e escultora que se tornou famosa aos 18 anos 

pelo retrato que fez da actriz Sara Bernard.

Camille Claudel 

(1864  -1943),  escultora  de  grande 

talento,  foi  musa  inspiradora,  modelo,  confidente  e 

amante  de  Auguste  Rodin,  de  quem,  ferida  por  ra-

zões de ordem amorosa, se distancia, procurando, ao 

mesmo tempo autonomizar a sua obra em relação ao 

grande  Mestre.  Essa  ruptura  é  contada  pela  famosa 

obra A Idade Madura, que se encontra no Museu d’Or-

say. 


Mary Cassat 

(1845 - 1926), uma americana que 

foi esposa de Degas, e 

Berthe Morisot

 (1841 - 1895), 

discípula de Manet, são duas pintoras impressionistas 

muito elogiadas e apreciadas que mereceriam outra 

visibilidade na história da pintura daquele período.

Nos Estados Unidos, 

Harriet Hosmer

  (1830  -  1908) 

foi provavelmente a mais conhecida e bem sucedida 

mulher escultora do século XIX. Uma estátua da Rai-

nha Isabel de Espanha foi encomendada e financiada 

por  um  grupo  de  mulheres  activistas  para  a  Exposi-

ção  Mundial  de  Chicago  de  1893; 

Adelaide Johnson 

(1859-1941)  ficou  conhecida  como  a  “escultora  do 

Movimento  das  Mulheres”.  Ela  fez  os  bustos  das  su-

fragistas  Susan  B.  Anthony,  Lucretia  Mott  e  Elizabeth 

Cady Stanton, cujas cópias integram a escultura “Por-

trait Monument” existente no edifício do Capitólio, em 

Washington, único monumento nacional dedicado ao 

Movimento das Mulheres; Evelin 

B. Longman 

(1874 


-  1954)  tornou-se  a  primeira  mulher  escultora  eleita 

membro efectivo da Academia Nacional de Desenho, 

enquanto 

Beatrix Potter

 (1866 - 1943) ganhou muito 

dinheiro com as suas aguarelas de ilustração e o seu 

trabalho,  muito  reconhecido,  ainda  hoje  é  publicado; 

Harriet Powers

 (1837 - 1910), uma escrava africana 

e artista popular da Georgia, notabilizou-se pelas suas 

colchas tradicionais com registos de lendas locais, his-

tórias bíblicas e acontecimentos astronómicos. O seu 

trabalho está hoje em exposição no Museu Nacional 

de História Americana, em Washington, e no Museu de 

Belas Artes de Boston, Massachusetts.

Mau grado a permanência de estatutos discriminatórios 

e de todos os condicionalismos que se mantinham rela-

tivamente à participação na vida pública e intervenção 

cívica das mulheres, do século XIX para cá o número de 

artistas, o volume e a qualidade da produção não parou 

de crescer, graças não só ao grande contributo dos Esta-

dos Unidos, mas também do Canadá, Inglaterra, Noruega, Suécia, Áustria, Alemanha 

e, naturalmente, da França, que continuou a ter um papel importante no que respeita 

ao estudo e difusão das artes e correntes artísticas, especialmente através da reali-

zação dos Salons, onde a participação de mulheres artistas nas exposições oficiais foi 

crescendo exponencialmente, com algumas delas a serem reconhecidas e premiadas. 

Rosa Bonheur

Cavalos


Harriet Powers (1901)

Harriet Powers

Colcha Bíblica

Mary Cassatt

Verão

Mary Cassatt



Auto-retrato

Mary Cassatt

Verão

Adelaide Johnson



Monumento às Sufragistas

Berthe Morisot

No Jardim

Berthe Morisot

Caçando Borboletas

Avelin B. Longman

Louise Abemma

Retrato de Sarah Berhnardt

Louise Abbema

Ao piano


Camille Claudel

Camille Claudel 

A Valsa

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refira-se 

Mary E. Dignam 

(Canadá, 1857 - 1938), que 

foi Directora do Departamento de Arte da Universidade 

MacMaster, fundadora da Associação das Mulheres Ar-

tistas do Canadá e da primeira Sociedade Internacional 

das Mulheres Pintoras e Escultoras, e uma incansável 

lutadora pela igualdade de oportunidades no mundo 

da arte; 

Helen Allingham

 (Ingalaterra, 1848 - 1926), a 

primeira mulher admitida à Real Sociedade de Pintores 

a Aguarela; 

Elizabeth (Thompson) Butler

 (Inglaterra, 

1848 - 1933), famosa pelas sua pinturas realistas de 

temas militares, com as quais sempre se recusou a 

glorificar  a  guerra,  surpreendeu  os  críticos  ao  pintar 

com tanta “força” temas considerados nada femininos; 

Harriett Backer 

(1845 - 1932), uma das maiores artis-

tas  Norueguesas  (juntamente  com  sua  irmã,  Agathe 

Backer – pianista e compositora), foi conhecida pelas 

suas pinturas de interiores. A escola de arte que ela es-

tabeleceu em 1889, a Pultostem, em Olso, tornar-se-ia 

precursora da Academia Nacional de Arte; 

Tina Blau

 

(Áustria, 1847 - 1916) foi co-fundadora da Escola de 



Artes Vienense para Mulheres e Raparigas e é conside-

rada uma das mais importantes pintoras Austríacas da 

segunda metade do século XIX; 

Hermine von Preus-

chen

 (Alemanha, 1854 - 1919) foi pintora, música e 



poetisa. Viajou por muitos países europeus e asiáticos. 

É mais conhecida pelas suas pinturas florais;

 Louise de 

Hem


 (Bélgica, 1866 -  1922), obrigada a estudar em 

Paris, na Academia Julian, por as mulheres não serem 

admitidas nas academias de arte da Bélgica, tornou-se 

uma  bem  sucedida  pintora  de  retratos,  “de  género” 

e  “still-life”;

 Olga Lagoda-Shishkin 

(Rússia,  1850  - 

1881), casada com o pintor Ivan Shishkin, foi uma das 

primeiras pintoras profissionais na Rússia.

Algumas mulheres impuseram-se 

no mundo da arte do século XX por 

força do seu talento e, por vezes, 

fortes personalidades e naturezas 

transgressoras.

 Graças à proximidade temporal, 

conhecem-se as sua biografias em detalhe, facto que, 

associado a percursos de vida mais ou menos atribula-

dos, despertou o interesse do cinema, como aconteceu 

com

 Frida Kahlo



  (1907  -  1954),  a  artista  mexicana 

que, apesar de casada com Diego Rivera, com tudo 

o  que  isso  acarreta  em  termos  de  dificuldades  para 

a  sua  afirmação,  consegue  individualizar  uma  obra 

de grande originalidade. Sobre a classificação do seu 

trabalho como pertencendo ao surrealismo, atribuída 

por André Breton, diria Frida: “Nunca pintei os meus 

sonhos. Pintei a minha própria realidade.”

Tomando outros exemplos de mulheres 

que um pouco por todo o Ocidente 

abriram caminho no mundo das artes,

 

Harriet Backer



Harriet Backer

Cena interior

Frida Kahlo

2 fridas


Frida Kahlo

Auto-retrato

Elizabeth Butler

Remnants of an army

Elizabeth Butler

The Fefence of Rorke´s Drift

Tina Blau

Tina Blau

Abend in Volandam

Helen Allingham

Cottage roundhurst

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Tal como Frida Kahlo,

 

Georgia O´keefe 



(1887 - 1986) 

“sofreu  a  concorrência”  de  seu  marido,  o  fotógrafo  

Alfred Stieglitz, que ultrapassou por mérito do seu re-

conhecido talento. Algumas das sua telas são de gran-

de sensibilidade e beleza. Georgia é considerada uma 

das pintoras norte-americanas de maior sucesso do 

século XX.

Tamara de Lempicka

  (1889  -  1980),  nome  artístico 

de Maria Gorska, nascida na Polónia, conheceu uma 

ascensão rápida enquanto pintora modernista de van-

guarda da Arte Déco, onde realça um estilo único e 

ousado. As sua obras retratam emoções e sentimen-

tos de forma crua e fria, extravagância e sensualida-

de, que por sua vez reflectem uma vida subversiva e 

transgressora, vivida à margem da sociedade e das 

regras habituais. Conquistou fama e fez fortuna.

Barbara Kruger 

(1945  -  )  é  uma  artista  americana 

contemporânea que combina a fotografia, o design, o 

vídeo  e  o  áudio  nas  suas  obras,  cuja  aparente  sim-

plicidade e mensagem directa induz uma resposta  

imediata. Normalmente, o seu estilo parte de uma 

folha de revista ou de um jornal ampliado a propor-

ções monumentais, com imagens em preto e branco, 

sobre as quais se sobrepõem mensagens em letrei-

ros destacados. Em 2005 Kruger foi homenageada na  

51ª Bienal de Veneza com o Leão de Ouro. Actual-

mente é professora da Universidade da Califórnia, em  

Los Angeles.

Cabe  aqui  ainda  uma  referência  a

 Julia Margaret 

 

Cameron 


(1815  -  1879),  pioneira  da  arte  fotográfica 

num tempo de grande polémica acerca da validade 

artística da fotografia. Julia fotografava os seus amigos 

famosos que a visitavam (apenas por satisfação, pois 

não  tinha  problemas  financeiros),  no  intuito  de  “re-

produzir a grandeza interior do homem e aos mesmo 

tempo mostrar os seus traços físicos”.

Barbara Kruger

Barbara Kruger

Exposição na galeria Mary Boone

Julia Margeret Cameron

Summer Days

Julia Margaret Cameron

I wait


Julia Margaret Cameron

Crianças


Tamara Lempicka

Green Dress

Georgia O’keefe

Tamara Lempicka

Dormeuse

18

19




Em Portugal,

 Josefa de Óbidos

 (1630 - 1684), é a pri-

meira grande referência feminina da história da pintu-

ra portuguesa. Foi especialista em naturezas mortas. 

As influências exercidas pelo barroco tornaram-na uma 

artista com interesses diversificados, tendo-se dedica-

do, além da pintura, à estampa, à gravura, à modela-

gem do barro, ao desenho de figurinos, de tecidos, de 

A Mulher Artista

em

Portugal


acessórios vários e a arranjos florais. Aos 19 anos de 

idade, fez a gravura da edição dos Estatutos de Coim-

bra. Em seguida trabalhou como pintora para diversos 

conventos  e  igrejas.  Como  retratista  da  família  real 

portuguesa, destacam-se os seus retratos da rainha D. 

Maria Francisca Isabel de Sabóia, esposa de D. Pedro 

II,  e  de  sua  filha,  a  princesa  D.  Isabel,  que  foi  noiva 

de Vítor Amadeu, duque de Sabóia, a quem esse 

retrato foi enviado. A reputação que granjeou era 

de tal ordem que muitos dos que iam a banhos às 

Caldas da Rainha se desviavam de seu caminho, 

para irem a Óbidos, onde vivia, cumprimentá-la.

Maria Helena Vieira da Silva

  (1908  -1992)  é, 

a par com Paula Rego, um nome maior na arte 

portuguesa  do  século  XX.  Aos  5  anos  faz  dese-

nhos, aos 13 pinta a óleo. Em 1928 muda-se para 

Paris porque, segundo ela própria, ”já não podia 

progredir em Lisboa, a pintura que aí fazia não a 

satisfazia, não sabia o que fazer, nem como fa-

zer”. Aí, contacta com os seus contemporâneos 

Picasso, Duchamp, Braque. Está atenta aos novos 

movimentos, mas não se insere em nenhum. São 

formas  de  prisão  que  não  aceita.  Quer  que  os 

seus quadros transmitam tudo o que a faz admi-

rar: espaços, ritmos, os movimentos das coisas.

Após a Guerra, Jeanne Bucher organiza em Nova York 

a  sua  primeira  exposição  individual.  Outras  se  suce-

dem em Londres, Nova York, Basileia, Lille, Genebra, 

enquanto vai recebendo prémios e vendendo as suas 

obras. É reconhecida internacionalmente. Na década 

de 60 o Estado francês atribui-lhe o grau de Cavaleiro 

da Ordem das Artes e das Letras e o grau de Comen-

dador, numa altura em que Vieira da Silva se dedica 

não já apenas à pintura, mas também à tapeçaria e ao 

vitral. Com o fim do regime fascista, em 25 de Abril de 

74,  a  artista  não  fica  indiferente  aos  acontecimentos 

que ocorrem no país onde nasceu e faz dois cartazes 

sobre a revolução,que a Função Gulbenkian se encar-

regará de editar. O trabalho da pintora é cada vez mais 

reconhecido e passa a naturalmente a ser uma refe-

rência nas publicações de arte internacional. Em 1991 

o Estado francês atribui-lhe o grau de Oficial da Legião 

de Honra. No ano seguinte morre em Paris.

Paula Rego

 (Lisboa, 1935 - ) é presentemente a pinto-

ra portuguesa de maior projecção internacional. Apesar 

de reconhecida em Portugal desde os anos 60, só em 

1981 concretizou a sua primeira exposição individual 

em  Londres.Em  1990  foi  o  primeiro  artista  associado 

da National Gallery, “em coincidência com a adopção 

de uma nova linguagem figurativa, em que está pre-

sente  um  explícito  sentido  narrativo,  empenhado  no 

comentário crítico sobre a vida e o mundo”.

A artista é representada pela Galeria Marlborough. O 

seu quadro “The Lesson” atingiu recentemente o valor 

de 596.881 euros em Londres, num leilão da Christie’s.

Josefa de Óbidos

Paula Rego

Vieira da Silva

20

21



Por uma questão de organização e método, não se 

abordam aqui os nomes de muitas artistas no universo 

da arte moderna e contemporânea portuguesa, algu-

mas já reconhecidas internacionalmente, cometendo-

se, talvez, grande injustiça. De igual modo ficam por 

nomear as inúmeras mulheres que, por tudo o mundo, 

que o forte impulso da 

produção artística no feminino 

é um bom sintoma da luta 

emancipadora das mulheres 

e da aproximação à igualdade 

de direitos e oportunidades 

entre os sexos.

O Universo Artístico

se distinguiram em ramos artísticos tão diversos como 

a literatura, a música, o teatro, o cinema. Cada um des-

tes items daria, por certo, um bom tema para outras 

tantas exposições. Temos ainda a consciência de que a 

arte não se confina ao mundo ocidental, embora seja 

uma evidência que é aqui que as mulheres procuram 

primeiramente evidenciar os seus dotes criativos e 

individualizarem-se  através  das  diferentes  formas  da 

expressão artística. Ficamos, no entanto, com esta cer-

teza consoladora: 

Pesquisa e organização: Joaquim Nabais

Design: Vítor Gil

Produção: Câmara Municipal de Penamacor 

Fontes e Bibliografia:

Duby – A História da Mulher

Neide Jallageas – (In)Visibilidade da 

Mulher na História da Arte - Ensaio

Wikipedia – A Enciclopédia livre online

Madame de Stäel

Virginia Woolf

Sappho

Jane Austen



Sarah Bernhardt

Ingrid 


Bergman

Marlene 


Dietrich

Florbela Espanca

Carmen Miranda

Maria Callas

Camargo

FICHA TÉCNICA



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Cena doméstica na Roma antiga


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