Benjamin alire Sáenz Copyright da edição original 2012 by Benjamin Alire Sáenz


parte de um clube do qual eu não era sócio



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Aristoteles e Dante descobrem os segredo

parte de um clube do qual eu não era sócio.
Quando cheguei à idade de entrar para os escoteiros, disse a 
meu pai que não queria. Não aguentava mais.
— Tente por um ano — meu pai falou.
Meu pai sabia que eu era meio briguento. Sempre me passava 
sermões sobre violência física. Ele queria me manter longe das gan-
gues. Queria evitar que eu fosse como meu irmão e acabasse na 
cadeia. Assim, por causa do meu irmão, de cuja existência ninguém 
parecia se lembrar, eu precisava ser um bom escoteiro. Que saco. 
Por que precisava ser um bom menino só por ter um irmão malo-
queiro? Eu odiava essa lógica dos meus pais.
Fiz a vontade do meu pai. Tentei por um ano. Odiei tudo, com 
exceção das aulas de primeiros-socorros. Quer dizer, eu não gostava 
nem um pouco da ideia de assoprar dentro da boca de alguém. 
Me dava desespero. Por algum motivo, porém, aquilo tudo me fas-
cinava. Aprender como fazer o coração de alguém voltar a bater. 
Eu não entendia muito como era possível. Assim que ganhei uma 
insígnia por saber reanimar alguém, desisti. Voltei para casa e entre-
guei a insígnia para o meu pai.
— Acho que você está cometendo um erro — foi tudo o que 
ele disse.
Não vou acabar atrás das grades. Era isso que eu queria dizer. 
No entanto, apenas falei:
— Se você me obrigar a voltar lá, juro que começo a fumar 
maconha.
Meu pai me lançou um olhar estranho.


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— A vida é sua — disse.
Como se fosse verdade. Outra característica do meu pai: ele 
nunca dava sermões. Não sermões de verdade. E isso me deixava 
louco. Ele não era mau. Também não era estourado. Soltava frases 
curtas: “A vida é sua”; “Tente”; “Tem certeza de que é isso que você 
quer?”. Por que não podíamos simplesmente conversar? Como eu 
o conheceria, se ele não deixava? Eu odiava isso.
Sobrevivi bem. Tinha colegas na escola. Mais ou menos. Não era 
popular. Como poderia ser? Para ser conhecido, era preciso fazer 
as pessoas acreditarem que você era divertido e interessante. E eu 
simplesmente não era um bom fingidor.
Havia dois garotos com quem eu costumava andar, os irmãos 
Gomez. Só que eles se mudaram. E duas garotas, Gina Navarro 
e Susie Byrd, tinham como passatempo infernizar minha vida. 
Garotas. Também eram um mistério. Tudo era um mistério.
Mas não sofri tanto. Talvez não fosse amado por todos, mas tam-
pouco era um daqueles garotos que todos odiavam.
Eu era bom de briga. Por isso as pessoas me deixavam em paz.
Eu era praticamente invisível. Acho que gostava de ser assim.
Até que surgiu Dante.

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