Benefícios e consumo da quinoa na América do sul



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RESULTADOS E DISCUSSÃO

A coleta da quinoa se iniciou por volta de 5000 a.C., sendo componente essencial da alimentação dos povos andinos. Este cereal possui valor nutritivo elevado, como fonte de proteínas, e alta durabilidade frente às difíceis condições ambientais na cordilheira dos Andes. Com a revolução agrícola e a consequente domesticação das plantas, favoreceu-se o desenvolvimento de uma civilização na cadeia montanhosa do Peru, o povo Inca, que utilizava a quinoa como umas das bases da alimentação. Acredita-se que a domesticação da quinoa tenha iniciado nos arredores do lago do Titicaca, na fronteira do Peru com a Bolívia. Conhecida como grão de ouro andino, este cereal foi largamente consumido até a chegada dos europeus na América, quando se iniciou intensa importação de trigo e o consequente declínio da plantação de quinoa (1,2,3,4,5,6,7,8).

A quinoa é mais consumida na América do Sul, com destaque para Peru, Bolívia e Equador, principais exportadores deste cereal, que representam 80% da produção mundial. Na Colômbia, em contrapartida, o cultivo é de subsistência e produzido pela população de origem indígena nos Andes. Entretanto, a produção e consumo têm aumentado no resto do mundo, com produções experimentais na Europa, África e Ásia. O consumo da quinoa tem aumentado nos países andinos graças ao êxodo rural, que leva hábitos do campo à cidade, e à demanda de alimentos saudáveis em países como Estados Unidos, Japão e demais países europeus, além do Brasil. Ademais, a quinoa pode ser usada como alimentação animal e como produto nas indústrias química, farmacêutica e cosmética (9,10).

A quinoa é um grão largamente cultivado no território andino. Características tanto da planta quanto do grão variam de acordo com área de cultivo, já que as regiões usadas para esse fim têm uma grande diversidade de clima, solo e altitude, a planta nativa tem cores que vão do branco ao preto, possuindo muitas tonalidades, suas folhas se diferenciam de acordo com as condições de plantio, bem como o crescimento e rendimento em frutos. Seus grãos variam principalmente em sabor e cor, onde são encontradas quinoas doces, semidoces e amargas. Na região andina é encontrado uma abundância de grãos com cores diferentes, translucida, amarela, branca, vermelha, marrom, roxa e preta são só alguns dos tipos de sementes que podem ser encontradas (1).

Por tolerar diversos tipos de climas, a quinoa tem sido implantada no cerrado brasileiro afim de realizar uma variação no ciclo produtivo, gerando alimentos, renda e reduzindo os custos e impactos provocados ao solo pela prática da monocultura. Geralmente o plantio é feito após a colheita de soja ou de milho, período conhecido como safrinha ou entressafra, com intuito de usar os nutrientes deixados no solo. Por seu alto valor nutricional as sementes de quinoa aqui produzidos, são direcionadas as indústrias alimentícias e de rações. Diferente dos andes, a produção brasileira não possui tanta diversidade de grãos, a variedade considerada de “melhor qualidade” foi escolhida para ser cultivada pela ausência de saponinas, devido ao sabor amargo, sendo assim a cultura da quinoa no brasil fica presa a um tipo padrão (11).

Tratando da planta geradora das sementes, temos como características básicas, uma raiz bem fibrosa chegando a medir 1,50 metros sendo suficiente para dar uma boa sustentação a planta. O caule tem formato cilíndrico, podendo crescer em um só talo ou várias ramificações. As folhas são classificadas como polimorfas, ou seja, podem possuir diversos formatos em uma só planta, apresentam coloração de verde claro na variedade Nariño até verde escuro no tipo Kcancolla. De acordo com o amadurecimento as folhas podem atingir as cores amarela, vermelha ou roxa. Devido a grande quantidade de oxalato de cálcio as folhas da quinoa tem a capacidade de reter a umidade, facilitando o plantio em climas secos. As flores da quinoa são agrupadas em arranjos, podendo ser divididos em dois tipos, glomerulados onde os arranjos usam as ramificações da planta como apoio, e os amarantiformes que as inflorescências se desenvolvem no próprio eixo do vegetal. As sementes são geradas a partir das flores, 70cm de floreio pode resultar em 220g de grãos de quinoa (1,12,13).

Sendo considerada um grão ou pseudo-cereal, nos andes a quinoa é agrupada em cinco grandes grupos demonstrando o grande potencial de adaptação ecológica da planta. Regiões de vale, planalto, salinas, zonas agroecológicas e nível do mar servem como contraste expondo a capacidade da planta de produzir sementes em territórios bem diferentes. Toda essa adaptação reflete no produto final, gerando grãos de sabor e cor variáveis, um exemplo disso é observado em Nariño onde são encontradas sementes de cor extremamente branca e sabor doce, contrapondo a quinoa das areas salinas com perfil de cor mais escuro chegando a ser preto e de gosto amargo (2,12,13).

Esse cereal possui elevado valor nutritivo, principalmente por possuir todos os aminoácidos essenciais. Consequentemente, é usada como alternativa para diversos grupos como os vegetarianos, veganos e por pessoas que buscam alimentação mais saudável. Além disso, pelo fato de não possuir glúten, a quinoa também é usada para compor pratos destinados aos celíacos, que possuem dieta restrita a essa proteína. (14,15).

Nos andes o conhecimento popular atribui valores medicinais a quinoa. As folhas, talos e grãos são consideradas anti-inflamatórias, cicatrizantes e analgésicas. Após diversas investigações sobre o potencial nutritivo desse pseudocereal, constata-se a diversidade de benefícios que essa semente carrega, a começar pelo perfil proteico. Contendo uma proteína de valor biológico comparável a caseína, a quinoa é considerada o único vegetal a ofertar todos os aminoácidos essenciais. Tem um percentual de proteína que vai de 13 a 21% de acordo com a variedade do grão. A lisina é um aminoácido presente em grande quantidade na quinoa, e merece destaque por ter função de fortalecer o sistema imunológico melhorando a produção de anticorpos (12,16,17).

O valor proteico da semente tem um grande destaque, entretanto a riqueza nutricional não se prende a um só fator. Seus ácidos demonstram isso, onde a grande quantidade de ômega 3,6,9 é destacada. Cerca de 82% dos ácidos graxos achados na quinoa são considerados insaturados, que nas últimas décadas provaram seus benefícios a saúde. Em comparação a outros grãos popularmente consumidos a quinoa se destaca pelo alto teor de minerais tais como cálcio, magnésio e zinco. Também se destacam o alto teor de vitaminas E, com uma forte ação antioxidante (12,16)

Em comparação a cereais como milho e arroz a quinoa recebe destaque no alto teor de fibras, chegando a corresponder 6% do peso do grão. As fibras ajudam a aumentar a sensação de saciedade, além de melhorar a digestão atuando como purificador, eliminando toxinas prejudiciais ao corpo. Vale salientar que a quinoa é um alimento livre de gluten, fator que faz dela um excelente alimento a ser adicionado a rotina de celíacos bem como qualquer outra pessoa que precise de algum reforço nutricional (14,16).



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