Bakhtin, freire e vigotski


FREIRE: um estudo quantiqualitativo a partir do diálogo freiriano



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Degustacao Dialogos da educacao com Bakh
FREIRE: um estudo quantiqualitativo a partir do diálogo freiriano
Everaldo Araújo de Lucena
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REFLEXÕES INICIAIS
O DIÁLOGO COMO BASE DA EDUCAÇÃO EM BAKHTIN, 
FREIRE E VIGOTSKI
Já afirmava Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha, a obra nas-
ce!”. É com admiração e orgulho que apresento às leitoras e aos leitores o 
segundo volume da obra: Diálogos da Educação com Bakhtin, Freire e Vigotski, 
concebida a partir de uma parceria interinstitucional da Universidade Esta-
dual da Paraíba (UEPB) e a Universidade de São Paulo (USP), organizada 
pelos professores doutores Fábio Marques de Souza (Departamento de Letras 
e Artes - UEPB), Mona Mohamad Hawi (Departamento de Letras Orientais – 
USP) e Tatiana Cristina Vasconcelos (Departamento de Educação - UEPB). 
Esta produção é vinculada ao
Grupo de Pesquisa “O Círculo de Bakh-
tin em diálogo”, do qual tenho o prazer em ser um dos líderes. Constituído 
em 2018 e cadastrado no DGP do CNPq/UEPB, o coletivo busca reunir pes-
quisadores para, de forma heterogênea, estudar, debater e expandir as ideias 
do círculo bakhtiniano em diálogo com outros pensadores: Morin, Freire, Vi-
gotski, dentre outros, pensando questões contemporâneas na Linguística, na 
Educação, nas Artes, na Política e nas Relações Internacionais, dentre outros 
campos do saber.
Alguns dos trabalhos aqui apresentados discutem especificamente no-
ções de um teórico apenas, outros, porém, estabelecem o diálogo entre as 
ideias desses pesquisadores, considerando a ancoragem teórica histórico-so-
cial como forma de refletir os processos pedagógicos estabelecidos nas escolas 
e tendo o diálogo como fio condutor entre esses três pensadores tão atuais e 
relevantes para pensar a educação do nosso tempo presente:
E que é o diálogo? É uma relação horizontal de A com B. Nasce de uma 
matriz crítica e gera criticidade. Nutre-se do amor, da humildade, da esperança, 
da fé, da confiança. Por isso, só o diálogo comunica. E quando os dois polos do 
diálogo se ligam assim, com amor, com esperança, com fé um no outro, se fazem 
críticos na busca de algo. Instala-se, então, uma relação de simpatia entre am-
bos. Só aí há comunicação. (Paulo Freire, “Pedagogia do Oprimido”).
O diálogo, no sentido estrito do termo, não constitui, é claro, senão uma das 
formas, é verdade que das mais importantes, da interação verbal. Mas pode-se 


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compreender a palavra “diálogo” num sentido amplo, isto é, não apenas como 
a comunicação em voz alta, de pessoas colocadas face a face, mas toda comu-
nicação verbal, de qualquer tipo que seja. (Bakhtin/Volóchinov, “Marxismo e 
Filosofia da Linguagem”)
A relação entre o pensamento e a palavra é um processo vivo: o pensamento 
nasce através das palavras. Uma palavra desprovida de pensamento é uma coisa 
morta, e um pensamento não expresso por palavras permanece uma sombra. A 
relação entre eles não é, no entanto, algo já formado e constante; surge ao longo 
do desenvolvimento e também se modifica. (...) As palavras desempenham um 
papel central não só no desenvolvimento do pensamento, mas também na evolu-
ção histórica da consciência como um todo. Uma palavra é um microcosmo da 
consciência humana. (Vigotski, “Pensamento e Linguagem”)
Neste diálogo, sempre inconcluso e em vias de fazer-se, temos as reflexões 
de docentes brasileiros da Educação Básica e do Ensino Superior que trazem 
temáticas relacionadas às noções de sujeito, mediação, interação, diálogo e 
alteridade fundamentadas epistemologicamente na concepção educacional de 
caráter social, cultural e histórico. Na seara das ciências humanas, sobretudo 
nos estudos da linguagem e da educação, essas ideias se cruzam e são poten-
cializadas como direcionamentos às práticas educativas das escolas. 
O meu desejo é que as palavras tecidas nesta obra encontrem, nas pala-
vras e contrapalavras das leitores e dos leitores, as ressonâncias necessárias 
para uma educação do tempo presente.

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