Bakhtin, freire e vigotski


O SIGNO COMO MEDIADOR DA CONSCIÊNCIA HUMANA



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Degustacao Dialogos da educacao com Bakh
O SIGNO COMO MEDIADOR DA CONSCIÊNCIA HUMANA
UMA REFLEXÃO À LUZ DE BAKHTIN E O CÍRCULO
Fábio Marques de Souza
1
Ivo Di Camargo Jr.
2
Shslayder Lira dos Santos
3
Volóchinov (2017), membro do Círculo de Bakhtin, destaca em Mar-
xismo e Filosofia da Linguagem que o domínio dos signos na esfera ideológica 
se trata ao mesmo tempo do domínio das representações, dos símbolos reli-
giosos, da ciência etc. Desta forma, apresenta diferenças significativas, já que 
cada signo é tido como um fragmento da realidade e um fenômeno do mundo 
exterior.
A palavra é o medium mais apurado e sensível da comunicação social. A 
significação, a representatividade da palavra como fenômeno ideológi-
co e a clareza excepcional da sua estrutura cilíndrica já seriam suficientes 
para colocá-la no primeiro plano da ciência das ideologias. É justamen-
te no material da palavra que se pode explicar, do melhor modo possível, 
as principais formas ideológicas da comunicação sígnica. Entretanto, não 
se esgota nisso. A palavra não é apenas o mais representativo e puro dos 
signos, mas também um signo neutro. Todos os demais materiais sígnicos 
são especializados em campos particulares da criação ideológica. Cada 
campo possui seu próprio material ideológico e forma seus próprios signos 
e símbolos específicos inaplicáveis a outros campos. Nesse caso, o signo 
é criado por uma função ideológica específica e é inseparável dela. Já a 
palavra é neutra em relação a qualquer função ideológica específica. Ela 
pode assumir qualquer função ideológica: científica, estética, moral, reli-
giosa. (VOLÓCHINOV, 2017, p. 99).
O Círculo bakhtiniano, diferente da filosofia idealista e da psicologia que 
consideraram a ideologia situada na consciência, considera a compreensão 
enquanto uma resposta a um signo sobre outro signo, que se manifesta atra-
1 Doutor em Educação (USP). Professor na Universidade Estadual da Paraíba – UEPB. 
E-mail: 
fabiohispanista@gmail.com
2 Doutor em Linguística e Doutorando em Educação (UFSCar). Professor na Faculdade Unida de São Paulo - 
FAUSP. E-mail: 
side_amaral@hotmail.com
3 Doutor em Educação. Coordenador Pedagógico na APAE-JP. Professor na Faculdade Internacional da Paraíba. 
E-mail: 
shslayder@gmail.com


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dade do sujeito, mas deve ser participativa. O sujeito possui um um eu moral 
(único) responsável por sua unicidade e por suas ações em relação ao outro. 
É nessa relação do eu com o outro que encontramos o princípio característico 
maior do mundo real, onde está situado o universo dos valores.
Desta forma, Bakhtin (2010) acredita que o ser eu se encontra na consci-
ência do outro, que testemunha, julga e onde me vejo refletido. Nesta perspec-
tiva, ocorre a transformção do indivíduo que se julga diante do outro, deixan-
do de ser eu para ser o outro. Assim, o ser se sente liberto mudando o sentido 
de sua existência, porém, existe uma relatividade nessa liberdade em virtude 
de sua materialidade. No entanto, não ocorre uma mudança de sentido, não 
ocorrendo uma criação de algo novo, já que só existe uma criação quando se 
altera o sentido de algo. Nesta perspectiva, a consciência do eu se dá através 
do outro, adequando-se posteriormente, pois “começa a adequar a si mesmo 
as palavras e categorias neutras, isto é, a definir a si mesmo como homem in-
dependente” (BAKHTIN, 2010, p. 374). No entanto, é mantida a relação entre 
o eu e o outro, onde a consciência individual adquire forma em conjunto com 
outras consciências individuais, que culminam na interação social. 

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