Avaliação e diagnóstico em terapia cognitivo-comportamental


  Considerações  teórico-clínicas  da  terapia



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1.  Considerações  teórico-clínicas  da  terapia

cognitivo-comportamental.

Desde a revolução cognitiva ocorrida na psicologia

na  década  de  60,  diferentes  teóricos  ou

psicoterapeutas passaram a incluir a cognição em seus

trabalhos,  segundo  suas  próprias  perspectivas.  Várias

formas 


de 

psicoterapia 

que 

compartilham



pressupostos  comuns  em  relação  à  mediação  da

cognição,  sua  acessibilidade  e  influência  sobre  o

comportamento  passaram  a  ser  consideradas  como

terapias  cognitivo-comportamen-tais  (Dobson  &

Block,  1988).  Dentre  elas,  a  Terapia  Cognitiva  de

Aaron  Beck,  a  Terapia  Racional  Emotiva

Comportamental  de  Albert  Ellis,  a  Psicoterapia

Estrutural  de  Guidano  e  Liotti,  entre  outras,  têm  se

destacado  significantemente  ao  longo  dos  anos.

Artigos  de  variados  autores  (Hawton,  Salkoviskis,

Kirk  &  Klark,  1989;  Ellis,  2001;  Freeman,  2001;

Rangé,  2001)  usam  o  termo  Terapia  Cognitivo-

Comporta-mental para  se referirem  a  cada  uma  delas

ou  de  forma  geral.  Portanto,  estaremos  usando

diferentes  referências  de  trabalhos  que  sejam,  de

algum modo, considerados cognitivistas.

A característica mais marcante está na ênfase dada

aos  processos  cognitivos  sobre  os  outros  quatro

elementos  geralmente  abordados  pelas  psicoterapias:

o ambiente (incluindo história de vida), a biologia, os

afetos/emoções  e  o  comportamento.  Isto  não  quer

dizer  que  os  pensamentos  sejam  mais  determinantes

dos  distúrbios  psicopatológicos  que  os  outros  quatro

aspectos acima mencionados, mas sim, que, através da

modificação  de  padrões  cognitivos  distorcidos  ou

disfuncionais,  podemos  alterar  os  outros  quatro  e,

conseqüentemente,  obter  uma  melhora  global  do



Avaliação e diagnóstico em terapia cognitivo-comportamental

Interação em Psicologia, jan./jun. 2002, (6)1, p. 37-43

2

funcionamento de um indivíduo (Dattilio & Freeman,



1998).

A terapia cognitiva de Beck caracteriza-se por ser

uma  abordagem  psicoterapêutica  estruturada,  de

participação  ativa  entre  terapeuta  e  cliente,  voltada

para o presente, que se baseia no Modelo Cognitivo e

na 


utilização 

de 


técnicas 

específicas,

predominantemente  cognitivas  e  comportamentais,

que visam à modificação dos padrões de pensamentos

e  crenças  disfuncionais  que  causam  ou  mantêm

sofrimento emocional e/ou distúrbios psicológicos no

indivíduo.  Fundamenta-se  no  pressuposto  de  que  as

emoções, comportamentos e reações fisiológicas estão

diretamente ligados à forma  como o  indivíduo  avalia

suas  experiências  no  mundo  (Beck,  Rush,  Shaw  &

Emery,  1979).  Ou  seja,  o  modo  como  as  pessoas

interpretam as situações será determinante da maneira

como ela irá se sentir, afetiva e fisiologicamente, e de

como  ela  irá  se  comportar  (Shinohara,  Figueiredo  &

Brasileiro, 1999).

Segundo o modelo cognitivo, é possível identificar

três níveis de cognição: os pensamentos automáticos,

nível  mais  superficial  e  espontâneo  que  surge  na

mente  diante  de  diversas  situações  do  cotidiano;  as

crenças  intermediárias,  onde  conteúdos  cognitivos

aparecem sob a forma de regras e suposições ligadas

ao nível mais profundo, que são as crenças centrais a

respeito de si mesmo, dos outros e do mundo, que se

formam  a  partir  de  experiências  remotas  da  infância

(Beck,  1997).  Alguns  princípios  são  norteadores  da

terapia  cognitivo-comportamental  como  um  todo,

ressalvando-se  que  esta  seja  adaptável  a  cada

indivíduo  particularmente.  Dentre  eles  o  de  que  a

terapia deve basear-se em uma formulação contínua do

funcionamento do cliente em  termos  que  valorizem  a

relação  entre  situações  –  pensamentos  –  emoções  –

comportamentos.  Além  disso,  toda  a  terapia  deve

assegurar  uma  boa  relação  terapêutica,  que  inclui,

entre  outros  aspectos,  a  capacidade  empática  do

terapeuta,  uma  postura  de  respeito,  interesse  e

compreensão dos problemas trazidos pelo cliente para

que  esse  possa  sentir-se  acolhido  e  atendido  em  suas

necessidades.  A  partir  do  estabelecimento  desta

relação, busca-se a colaboração e participação ativa do

cliente  e  do  terapeuta  na  resolução  dos  problemas

abordados  através  de  metas  voltadas  para  o  aqui-e-

agora e para a identificação, avaliação e modificação

de  pensamentos  e  crenças  disfuncionais.  Para  atingir

tais  objetivos  são  utilizadas  técnicas  cognitivo-

comportamentais,  principalmente  o  registro  de

pensamentos,  o  questionamento  socrático  e  os

experimentos  comportamentais  (Greenberger  &

Padesky, 1999).

Especificamente  quanto  à  formulação,  em  um  de

seus  mais  recentes  trabalhos,  Beck  e  Alford  (2000)

apontam  para  a  importância  desta  na  terapia  como

sendo  a  base  para,  compreendendo  os  conceitos

pessoais  que  são  ativados  em  determinadas  situações

que  levam  o  indivíduo  a  se  comportar  de  maneira

maladaptativa  ou  disfuncional,  fornecer  estratégias

para  corrigir  esses  conceitos.  Sem  esta  formulação  o

trabalho  terapêutico  torna-se  vago  e  impreciso,  sem

saber exatamente para que e para onde se direcionar.

Freeman  (1998)  chega  mesmo  a  afirmar  que  a

habilidade  mais  importante  do  psicoterapeuta  é  a

capacidade  para  desenvolver  conceituações  de

tratamento, uma vez que, mesmo com a utilização de

técnicas  e  instrumentos  de  terapia  cognitiva,  sem  a

formulação o objetivo se perde. Devido à importância

deste  aspecto  para  a  prática  eficaz  da  terapia

cognitivo-compor-tamental,  a  seguir  é  apresentada

uma discussão sobre formulação de casos clínicos.



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