Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade


B) Taquicardia ventricular polimórfica



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B) Taquicardia ventricular polimórfica 
Neste caso, a TV deve ser sempre tratada como FV e, 
portanto ser submetida à desfibrilação imediata com 200J 
(bifásico) ou 360J (monofásico). 
C) Torção das pontas 
A “torção das pontas” (“torsades de pointes”) é um subtipo 
de TV polimórfica marcada pela mudança cíclica, sinusoidal 
e progressiva do eixo e da morfologia do QRS. Geralmente, 
é autolimitada e recorrente. Tais características a diferenciam 
da FV. Ocorre em pacientes com intervalo de QT longo 
desenvolvido ou congênito e está associada a alguns fatores 
predisponentes e potencialmente tratáveis.
391-393
Esses fatores predisponentes incluem drogas que 
prolongam intervalo QT, hipocalemia, hipomagnesemia 
e hipocalcemia. Eventos isquêmicos raramente causam 
TdP e ainda é controversa sua causa, tendo em vista que 
há casos de aumento de QT em vigência de isquemia. A 
bradicardia pelo aumento do QT também está envolvida 
no desenvolvimento de TdP.
393-396
Assim, em pacientes que se apresentam com TdP 
hemodinamicamente instáveis, o tratamento de escolha é a 
desfibrilação elétrica, tendo em vista que a morfologia dos 
QRS na TdP dificulta a sincronização. 
Em pacientes estáveis, a terapia envolve tratamento dos 
fatores predisponentes, MPTV provisório e algumas DAA. 
O tratamento de primeira linha é o sulfato de magnésio por 
via intravenosa, mesmo em pacientes com magnésio sérico 
normal.
326,392
 A dose recomendada é de 1 a 2 g de sulfato 
magnésio 50% em 5 a 20 minutos, seguida, se necessário, 
de mais 2 g após 15 minutos.
340
 Em alguns casos, pode-se 
administrar infusão contínua de 3 a 20 mg/minuto. 
O MPTV deve ser utilizado para pacientes que não 
respondem ao magnésio, especialmente em pacientes 
bradicárdicos. Deve-se manter estimulação atrial ou 
ventricular de 100 a 120 bpm, que diminui
391,392
 o QT e a 
predisposição para fenômenos R sobre T.
397
O isoproterenol, droga que aumenta a FC, também, pode 
ser utilizado como medida ponte até o posicionamento 
adequado do MPTV. 
DAA, como lidocaína e fenitoína, evidenciaram-se efetivas 
em algumas séries de casos.
398
 
A reposição de potássio também deve ser realizada, mesmo 
em pacientes com seus níveis normais, objetivando valores 
no limite superior da normalidade, porém poucos estudos 
demonstraram sua eficácia
398
 (Quadro 5.11).
Pacientes com síndrome do QT longo congênito devem 
ser avaliados por especialista.
6. Cuidados Pós-Ressuscitação
6.1. Introdução
A lesão cerebral e a instabilidade cardiovascular são as 
principais determinantes de sobrevida após PCR. A Modulação 
Terapêutica da Temperatura (MTT) tem como finalidade 
conter a síndrome pós-PCR, diminuindo o consumo de 
oxigênio cerebral, e limitando a lesão ao miocárdio e os danos 
sistêmicos. Pelo fato de a MTT ser a única intervenção que 
demonstrou melhora da recuperação neurológica, ela deve 
ser considerada para qualquer paciente que seja incapaz de 
obedecer comandos verbais após o RCE.
399-404
 No entanto, 
lesões cerebrais podem se manifestar como convulsões, 
mioclonias, diferentes graus de défice cognitivo, estados de 
coma e morte cerebral.
6.2. Síndrome Pós-Ressuscitação
A síndrome pós-ressuscitação abrange o dano cerebral, 
a disfunção miocárdica, a isquemia sistêmica facilitada 
pelo mecanismo de isquemia-reperfusão e também as 
causas precipitantes do evento. A instalação e a gravidade 
da lesão causada pela síndrome pós-ressuscitação são 
consequências diretas das causas desencadeantes da PCR
do local do evento, do tempo de RCP e das condições de 
saúde pregressas do paciente.
401
 
6.3. Cuidados Pós-Ressuscitação



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