Astronomia no ensino fundamental


Movimentos da Terra: rotação, translação e a órbita em torno do Sol



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Movimentos da Terra: rotação, translação e a órbita em torno do Sol 
 
O  módulo  5  do  curso  foi  dedicado  ao estudo da rotação da Terra, do ciclo 
dia/noite e à questão da marcação das horas e dos fusos horários. No módulo 6 foi 
abordada a questão do movimento de translação e da órbita da Terra, tendo sido 
feitas, também, algumas perguntas que referiam-se à rotação, em especial, sobre 
a  diferença  entre  rotação  e  translação  (veja  apêndice  B).  No  módulo  7,  foi 
discutido  o  ciclo  das  estações  do  ano,  que  também  acha-se  relacionado  aos 
movimentos de rotação e translação da Terra. 
 
Com  base  nas  respostas  das  professoras  aos  questionários  destes 
módulos,  em  alguns  dados  colhidos  no  questionário  de  início  do  curso  e  nas 
atividades  desenvolvidas  durante  a  execução  dos  módulos,  pudemos  levantar 
diversos  aspectos  relativos  às  concepções  das  professoras  acerca  dos 
movimentos da Terra. 
 
A  primeira  questão  do  módulo  6  perguntava  quais  eram  os  principais 
movimentos  que  a  Terra  apresentava,  e,  a  segunda,  qual  era  a  diferença  entre 
rotação  e  translação  (questões  6.1  e  6.2,  veja  apêndice  B).  À  primeira,  as 
professoras responderam de maneira bem sucinta e padronizada, dizendo apenas 
que  os  movimentos  eram  “rotação  e  translação”,  sem  nenhum  esclarecimento 
adicional.  Na  segunda,  as  respostas  também  seguiram  um  mesmo  padrão  e 
consistiram  muito  mais  numa  “conceituação”  do  que  seriam  rotação  e  translação 
da Terra 

 embora a pergunta tivesse sido feita de maneira geral, sem referência 
ao  nosso  planeta  (veja  apêndice  B) 

  do  que  num  esclarecimento  acerca  da 
diferença entre os dois tipos de movimento, como nos exemplos a seguir: 
 
“Rotação é o movimento que a Terra faz em torno de si mesma. Translação 
é o movimento que a Terra faz em torno do Sol.” (Dal); 
 
“A  diferença  é  que  no  movimento  de  Rotação  a  Terra  gira  em  torno  de  si 
mesma sobre um eixo imaginário e no movimento de Translação o movimento dela 
é em torno do Sol.” (Mar); 
 
O primeiro aspecto que chamou nossa atenção nas respostas anteriores foi 
a  limitação  das  explicações  ao  caso  particular  dos  movimentos  da  Terra  e  a 
ausência de referência explícita a  uma  diferenciação  entre  rotação  e  translação  


 
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em termos cinemáticos, ou seja, em termos das características cinemáticas gerais 
destes dois tipos de movimentos
28
.  
 
O que percebemos em todas as respostas foi a repetição padronizada dos 
enunciados de que “rotação é o movimento da Terra ao redor (ou em torno) de si 
mesma” e que “translação é o movimento da Terra ao redor (ou em torno) do Sol”
 
Com  relação  à  vinculação  das  explicações  ao  caso  particular  dos 
movimentos da Terra, é interessante notar que as respostas anteriores, somadas 
às  dadas  na  primeira  questão,  evidenciam  uma  certa  “circularidade”  no 
pensamento das professoras ao formular suas respostas: os movimentos da Terra 
seriam a rotação e a translação, conforme respondido no primeiro item, e, por sua 
vez, rotação e translação seriam os movimentos da Terra (em torno de si mesma e 
do  Sol,  respectivamente),  conforme  respondido  no segundo…; ou seja: o mesmo 
enunciado  padronizado  de  que  “a  Terra  apresenta  os  movimentos  de  rotação  e 
translação” é o que parece ter servido de base a ambas as respostas. 
 
Outro  indício  de  que  o  enunciado  anterior  é  bem  conhecido  e  se  constitui 
num dos traços mais marcantes da concepção de Terra das professoras é o fato 
de que, ainda no questionário do início do curso, no item que perguntava “como é 
a  Terra?”  (veja  apêndice  A),  um  dos  aspectos  freqüentemente  utilizados  para 
caracterizá-la  foi  o  de  que  a  Terra  “realiza  2  movimentos  (rotação  e  translação)” 
(Cin), ou que ela “contém os movimentos de translação e rotação” (Ida) etc. Este 
enunciado parece, portanto, marcar fortemente a noção de Terra das professoras. 
 
Poderia se objetar, com razão, que o contexto em que a pergunta acerca da 
diferença  entre  rotação  e  translação  foi  feita  tenha  induzido  as  professoras  a 
darem  respostas  que  se  restringiam  a  explicar  o  que  seriam  a  rotação  e  a 
translação  da  Terra,  mesmo  possuindo  alguma  noção  mais  geral  acerca  destes 
movimentos. Porém não foi isso que o desenvolvimento das atividades do módulo 
demonstrou:  como  já  explicamos,  ao  descrever  a  metodologia  utilizada  no  curso 
“Astronomia no 1
o
 Grau”, as respostas individuais iniciais ao questionário  de  cada  
                                                 
28
 De maneira simples poderíamos dizer, por exemplo, que a rotação é um movimento circular em 
torno de um eixo, enquanto que a translação é um movimento em que o corpo se desloca como um 
todo,  em  que  seu  centro  se  move.  Em  Astronomia  a  compreensão  da  diferença  cinemática  entre 
rotação e translação é importante não só para a compreensão dos movimentos da Terra como para 
o  de  outros  fenômenos  como,  por  exemplo,  do  fato  de  a  Lua  apresentar  sempre  a  mesma  face 
voltada para a Terra e, a outra, oculta. Questão que foi efetivamente abordada no último módulo de 
nosso curso, dedicado à Lua e seus movimentos. 


 
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módulo, de acordo com o conhecimento prévio das professoras, consistia apenas 
na primeira etapa de trabalho, a qual era seguida pela execução de atividades em 
grupo,  de  acordo  com  roteiro  elaborado  pelos  coordenadores.  Ao  realizarmos  as 
atividades do módulo 6, em especial durante a discussão e execução dos itens 6.8 
e  6.9 
29
,  verificamos  de  maneira  inequívoca  que  as  professoras  tinham  grande 
dificuldade em discernir, cinematicamente, a rotação da translação. 
 
Extremamente esclarecedora, quanto a este aspecto, foi o desenvolvimento 
da  atividade  sugerida  no  item  6.9,  em  que  as  professoras  deveriam  representar, 
com o próprio corpo, os movimentos de rotação e translação. Observamos que, no 
início,  em  geral  elas  tinham  a  tendência  de  realizar  movimentos  mistos,  que 
incluíam tanto rotação quanto translação, na tentativa de representação de ambos, 
sobretudo da translação. Após a intervenção dos coordenadores, o movimento de 
pura rotação parece ter sido bem compreendido e passou a ser representado com 
facilidade,  porém,  o  de  pura  translação,  revelou-se  bastante  problemático:  ao 
reproduzí-lo  com  o  próprio  corpo,  diversas  professoras  continuavam  com  a 
tendência  de  realizar  um  movimento  que  incluía  um  pouco  de  rotação.  Nalguns 
casos,  somente  após  várias  tentativas  é  que  o  movimento  de  pura  translação 
conseguiu ser reproduzido
30

 
Com  base  neste  indícios,  concluímos  que  o  conhecimento  inicial  das 
professoras acerca do que seriam os movimentos de rotação e translação da Terra 
se  resumia  basicamente  a  um  conjunto  de  enunciados,  semelhantes  aos  que  já 
destacamos: 



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