Astronomia no ensino fundamental



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Figura  44:  Desenhos  feitos  pelas  professoras  onde  se  percebe  uma  mistura  de 
perspectivas.  (a)  e  (b):  navio  desenhado  de  lado  sobre  uma  Terra  que  é  vista  “de  cima” 
(desenhos feitos em resposta ao item 3.4 do módulo 3; veja apêndice B); (c): representação 
do  ponto  de  observação  do  céu  utilizado  pela  professora,  em  sua  casa,  visto  de  cima 
enquanto que os objetos no horizonte são desenhados de frente. 


 
238 
 
Esse  comportamento  pode  ser  interpretado  em  termos  dos  estágios  de 
desenvolvimento do desenho em crianças. Piaget e Inhelder citam
74
 que, uma vez 
ultrapassado  o  nível  da  simples  garatuja,  há  três  grandes  estágios  de 
desenvolvimento  do  desenho  infantil,  nomeados  como  estágios  da  “incapacidade 
sintética”,  do  “realismo  intelectual”  e  do  “realismo  visual”.  O  primeiro  só  é 
observado  nas  crianças  muito  jovens;  para  a  interpretação  dos  desenhos  das 
professoras interessa-nos especialmente a caracterização dos dois últimos: 
 
Segundo  Luquet,  citado  por  Piaget  e  Inhelder
75
,  no  estágio  do  realismo 
intelectual o sujeito desenha não o que vê do objeto, mas sim “tudo o que ‘está ali’ 
[no objeto]”. 
 
Na  interpretação  de  Piaget  e  Inhelder  isto  ocorre  porque,  neste  nível,  o 
espaço gráfico é organizado obedecendo a relações espaciais mais elementares, 
que,  segundo  revelam  seus  estudos
76
,  precedem,  geneticamente,  as  relações 
geométricas  euclidianas  e  projetivas.  Estas  relações  mais  elementares,  como  já 
discutimos  anteriormente,  seriam  de  natureza  topológica,  ou  seja,  relações  de 
vizinhança,  separação,  ordem,  envolvimento  e  continuidade.  Neste  estágio,  as 
relações euclidianas e projetivas estariam apenas começando a ser construídas e 
aplicadas,  sendo,  em  caso  de  conflito,  submetidas  às  topológicas,  fazendo  com 
que ainda não haja uma coordenação de perspectivas: 
 
“… o ‘realismo intelectual’ constitui um modo de representação espacial no 
qual as relações euclidianas e projetivas apenas começam e de uma forma ainda 
incoerente  em  suas  conexões,  ao  passo  que  as  relações  topológicas  esboçadas 
no estágio precedente [da ‘incapacidade sintética’] encontram sua aplicação geral 
em todas as figuras e triunfam, em caso de conflito, sobre as novas relações. 
 
… 
 
Quanto  às  relações  projetivas  e  euclidianas,  se  elas  começam  a  ser 
construídas  durante  esse  estádio  [do  realismo  intelectual],  seu  caráter  incoerente 
no  seio  do  ‘realismo  intelectual’  vai  precisamente  de  par  com  um  espaço 
representativo não estruturado em relação às perspectivas ou às distâncias, isto é, 
sem coordenação dos pontos de vista nem coordenadas  gerais;  ele  exprime,  por  
                                                 
74
 Em “A Representação do Espaço na Criança” (PIAGET e INHELDER, 1993, p.62). 
75
 op. cit., p.66. 
76
 op. cit. 


 
239 
isso,  novamente  a  presença  de  uma  representação  essencialmente  topológica, 
que  admite  o  caráter  elástico  e  deformável  dos  objetos,  sob  condições  de  as 
relações  precedentes  [topológicas]  serem  respeitadas.  É  assim  que  um  mesmo 



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