Astronomia no ensino fundamental


Tema  Enunciado(s)/crença



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Tema 
Enunciado(s)/crença 
Imagens 
Concepção(ões) 
A gravidade 
Todos  os  objetos  soltos 
caem 
na 
mesma 
direção. 
Planisfério ou represen-
tação  padrão  da  Terra 
interpretados 
como 
indicando  que  os  pólos 
acham-se 
realmente 
alinhados  na  vertical  e 
que  o  norte  acha-se 
“em cima”. 
Em  qualquer  ponto  da 
Terra  os  objetos  caem 
sempre 
na 
mesma 
direção 

sentido, 
paralelamente  à  reta 
que  passa  pelo  centro 
dos  pólos  e  do  norte 
para o sul. 
Movimentos 
da Terra 

 
Representação  padrão 
da  Terra  em  sua  órbita 
em  torno  do  Sol  nas 
quatro  estações  do  ano 
interpretada 
como 
sendo  uma  representa-
ção sem profundidade. 
A órbita da Terra é uma 
elipse 
com 
um 
“achatamento” 
bem 
visível  e  o  Sol  fica  no 
centro. 
Estações  do 
ano 
“O  aquecimento  de  um 
objeto  por  uma  dada 
fonte  de  luz  e  calor  só 
depende  da  distância 
entre eles.” 
Representação  padrão 
da  Terra  em  sua  órbita 
em  torno  do  Sol  nas 
quatro  estações  do  ano 
interpretada  como  sen-
do  uma  representação 
sem profundidade e em 
proporções 
reais 
de 
tamanhos e distâncias. 
As  estações  ocorrem 
devido  ao  movimento 
de  translação  da  Terra, 
que  faz  com  que  ela 
como  um  todo,  ou 
apenas  certas  regiões, 
fiquem  mais  próximas 
ou  mais  distantes  do 
Sol. 
 
 
Buscando  sintetizar  a  visão  das  professoras  relativas  à  Terra, 
apresentaremos a seguir um resumo das concepções hegemônicas e/ou típicas do 
pensamento  inicial  apresentado  pelas  professoras.  Buscamos  expressar  esse 
resumo  numa  forma  que  tenta  reproduzir  o  que  seria  o  pensamento  das 
professoras, o seu senso comum, segundo o que pudemos inferir a partir de nosso 
levantamento: 
 
“A  Terra  tem  a  forma  arredondada  e  é  bem  achatada  nos  pólos,  nós 
vivemos  em  sua  superfície.  A  Terra  é  muito  grande,  é  maior  que  a  Lua,  porém 
menor que o Sol. A idade da Terra é de milhões ou bilhões de anos. 
 
Os pólos são regiões e não pontos. Regiões achatadas e frias situadas nos 
extremos norte e sul da Terra, os quais ficam mais distantes do Sol que o equador, 
o  que  faz  com  que  eles  sejam  regiões  frias.  O  pólo  norte  fica  em  cima  e  o  sul 
embaixo. 


 
201 
 
Os  pólos  da  Terra  acham-se  alinhados  na  vertical  e,  o  equador,  na 
horizontal. 
 
O eixo de rotação passa pelo centro da Terra, mas, como é inclinado, não 
passa  pelo  centro  dos  pólos,  que  estão  alinhados  na  vertical,  mas  apenas  na 
periferia dos mesmos. 
 
O  equador  divide  a  Terra  ao  meio,  perpendicularmente  ao  eixo  que  passa 
pelo  centro  dos  pólos  (que  não  coincide  com  o  eixo  de  rotação,  pois  este  é 
inclinado) e é a parte da Terra que fica mais próxima do Sol, sendo por isso mais 
quente. Os pólos ficam mais distantes e, por isso, são mais frios. O norte e o sul 
apontam  para  as  regiões  dos  pólos  e  o  leste  e  o  oeste  são  indicados  pelas 
posições de nascimento e ocaso do Sol. A Terra gira para a esquerda. 
 
Os objeto caem por causa da gravidade e da pressão do ar, que pressiona 
para  baixo.  Se  o  ar  fosse  retirado,  os  objetos  ficariam  flutuando,  a  gravidade 
sumiria. Em qualquer ponto da Terra, se soltarmos uma pedra, ela cairá sempre na 
mesma direção vertical, isto é, na direção do eixo que passa pelos pólos, do norte 
para o sul, pois o norte fica em cima e o sul embaixo. 
 
Os  meridianos  e  paralelos  são  linhas  imaginárias  traçadas  sobre  a 
superfície da Terra. Os meridianos são linhas verticais e, os paralelos, horizontais. 
 
A  latitude  e  a  longitude  são  medidas  de  espaço  ou  distância  entre  os 
paralelos e meridianos. 
 
A  Terra  possui  os  movimentos  de  rotação  e  translação,  o  primeiro  é  o 
movimento que ela faz girando em torno de si mesma e, o segundo, o movimento 
em que ela gira em torno do Sol. A rotação gera o dia, a translação, o ano. 
 
A  órbita  da  Terra,  que  é  o  movimento  que  ela  faz  em  torno  do  Sol,  tem  a 
forma  de  uma  elipse  com  um  achatamento  bem  visível.  O  Sol  fica  no  centro  da 
elipse  e  não  é  muito  maior  que  a  Terra.  A  Terra  gira  próxima  do  Sol,  a  uma 
distância de uns poucos diâmetros terrestres. Em virtude dessa órbita alongada e 
da  inclinação  do  eixo,  quando  a  Terra  faz  o  movimento  de  translação  há 
momentos em que a Terra como um todo, ou uma parte dela, fica mais próxima e 
depois mais distante do Sol, o que produz as estações do ano.” 


 
202 
 
A LUA 
 
 
O  último  módulo  do  curso  foi  especificamente  dedicado  à  Lua.  Nele  foram 
propostas  questões  acerca  da  sua  forma,  proporção  de  tamanho  com  relação  à 
Terra,  sua  distância  relativamente  a  outros  astros,  seu  brilho,  sua  fases,  seus 
movimentos,  os  eclipses,  a  face  oculta,  sua  atmosfera  e  gravidade  e  sobre  sua 
possível influência sobre a Terra (veja apêndice B). No questionário inicial também 
foi  feita  a pergunta geral: “Como é a Lua?”. Ela também foi um dos objetos mais 
representados nos desenhos livres do céu feitos no início do curso. Com base nas 
respostas a esses itens obtivemos os seguintes resultados: 
 
Quanto  à  forma,  a  Lua  é  quase  unanimemente  referida  pelas  professoras, 
tanto  no  questionário  inicial  como  no  item  do  módulo  8  que  perguntava 
diretamente  sobre  sua  forma,  como  sendo  “redonda”,  termo  que,  como  já 
discutimos  no  item  acerca  da  forma  da  Terra,  encerra  uma  certa  imprecisão 
geométrica,  pois  é  aplicável  tanto  a  objetos  tridimensionais  como  bidimensionais. 
Algumas  poucas  referem-se  a  ela  como  sendo  uma  “bola”  e,  apenas  uma,  como 
sendo uma “esfera”. Uma única professora, por sua vez, a descreve como sendo: 
Um  disco  com  luz  de  menor  intensidade  que  o  sol.”  (Fat),  parecendo  evidenciar 
assim uma concepção realista ingênua de uma Lua plana, bidimensional. 
 
É interessante notar que, nos desenhos livres do céu, a representação mais 
freqüente  da  Lua  é  a  de  uma  Lua  falciforme,  contudo,  ao  que  parece,  essa 
representação é sempre encarada como apenas um aspecto que a Lua apresenta 
pelo  fato  de  a  sua  outra  parte  encontrar-se  na  sombra.  Em  nenhum  momento 
observamos  alguma  evidência  de  que  as  professoras  acreditem  ser  esta  a  sua 
forma real, ao contrário, parece que a concebem sempre como sendo “redonda”
 
A Lua é descrita com grande freqüência pelas professoras como sendo um 
astro “sem luz própria”, ou “iluminado” pelo Sol, que parece ser mais um enunciado 
padronizado,  bastante  usado  pelas  professoras.  Uma  delas,  após  citar  esta 
característica  da  Lua,  faz  uma  observação  que  a  contradiz:  em  resposta  ao  item 
que pergunta: “Como é a Lua?”, ela responde: 
 
É um satélite natural da Terra e que reflete a luz recebida do Sol.  

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