Astronomia no ensino fundamental



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As estações do ano 
 
O módulo 7 do curso foi especialmente dedicado ao tema das estações do 
ano.  Nele  foram  trabalhadas  desde  noções  bem  simples,  como  quais  são  as 
estações  e  o  período  do  ano  que  corresponde  a  cada  uma  delas,  até  a  questão 
mais  complexa  de  sua  explicação,  tanto  a  partir  dos  movimentos  descritos  pela 
Terra,  num  referencial  heliocêntrico, como pelo Sol, num referencial topocêntrico, 
procurando  mostrar  a  coerência  e  articulação  do  que  se  observa  de  ambos,  ou 
seja, da superfície da Terra e de um ponto do espaço em repouso em relação ao 
Sol  (referencial  heliocêntrico).  Nesse  trabalho,  foi  fundamental  a  utilização  do 
modelo  tridimensional  do  sistema  Sol-Terra  constituído  por  lâmpada  e  bola  de 
isopor. 
 
Com base nas respostas verbais e não-verbais (durante as atividades com o 
modelo  tridimensional)  das  professoras  durante  o  desenvolvimento  do  módulo, 
pudemos inferir as seguintes concepções: 
 
As  primeiras  questões  do  módulo  mostraram  que  parecem  ser  bem 
familiares  para  as  professoras,  fazendo  parte  de  seu  senso  comum,  o  nome,  a 
seqüência  das  estações  do  ano  e  quando,  aproximadamente,  elas  começam  e 
terminam. 
 
Na  questão  7.4  foi  perguntado  como  se  poderia  explicar  a  ocorrência  das 
estações  do  ano.  As respostas dadas pelas professoras em resposta a este item 
foram  basicamente  em  termos  do  movimento  de  translação  da  Terra,  que  faria 
com  que  ela  toda,  ou  apenas  certas  regiões,  ficassem  mais  próximas  ou  mais 
distantes  do  Sol,  produzindo-se  assim  um  maior  ou  menor  aquecimento,  e,  em 
conseqüência, as diferentes estações, como nos exemplos a seguir: 
 
“Devido à localização da cada país no globo terrestre e sua aproximação ao 
Sol na decorrência do movimento de translação.” (Cin); 
 
“Devido à inclinação do eixo da Terra, e o movimento de translação da Terra 
uma  parte  (hemisférios)  da  Terra  fica  mais  próxima  ou  mais  afastada  do  Sol, 
aquecendo-se mais ou menos.” (Ied); 
 
“Devido  ao  movimento  de  translação  da  Terra  que  faz  com  que  a  Terra 
esteja a cada época com um lado mais próximo ou mais distante do sol.” (Pau) 


 
186 
 
Apenas  uma  professora  (Ied)  cita  a  inclinação  do  eixo  da  Terra,  mas, 
mesmo  assim,  conclui  que  é  a  proximidade  menor  ou  maior  do  Sol  que  faz  com 
que os hemisférios se aqueçam mais ou menos. 
 
Ao que parece, portanto, a única maneira concebida pelas professoras para 
que se produza uma variação no aquecimento da Terra, ou de certas regiões suas, 
gerando  assim  as  diferentes  estações,  se  resume  a  um  distanciamento  maior  ou 
menor com relação ao Sol. 
 
É  interessante  relembrar  que  já  encontramos  antes  a  manifestação  desta 
crença,  quando  discutimos  a  noção  das  professoras  acerca  dos  pólos  da  Terra: 
algumas  professoras  mencionaram  que  imaginavam  os  pólos  como  ficando 
“distantes”,  ou  “afastados”  do  Sol,  dando  a  entender  que,  por  esse  motivo,  eles 
seriam regiões frias, enquanto que o equador ficaria mais próximo e seria quente. 
Ou  seja,  também  neste  caso,  da  diferença  de  temperatura  entre  os  pólos  e  o 
equador, encontramos a crença de que é a maior ou menor distância ao Sol que 
determina um maior ou menor aquecimento de certas regiões da Terra
39

 
A  noção  apresentada  pelas  professoras  de  nossa  amostra,  acerca  das 
estações  do  ano,  parece  corresponder  à  noção  3  identificada  por  Baxter  (1989) 
entre  estudantes  (veja  p.107),  de  que,  no  inverno,  o  Sol  está  mais  distante  e,  no 
verão,  mais  próximo,  porém  com  algumas  nuances  a  mais: o Sol pode não estar 
mais  longe  ou  perto  da  Terra  como  um  todo,  mas  apenas  de  certas  regiões,  ou 
hemisférios (veja, por exemplo, as respostas dadas por Cin, Ied e Pau, transcritas 
na  página  anterior),  o  que  faz  muito  sentido  se  lembrarmos  a  conclusão  a  que 
chegamos  no  item  anterior,  sobre  os  movimentos  da  Terra,  de  que  o  modelo  da 
órbita  da  Terra  em  torno  do  Sol  adotado  pelas  professoras  não  obedece  às 
proporções reais, mas supõe a órbita da Terra como ficando bastante próxima do 
Sol, a uns poucos diâmetros terrestres. 
 
A  análise  dos  itens  do  módulo  7  que  referem-se  à  inclinação  do  eixo  de 
rotação da  Terra  

  ponto  crucial  para  a  explicação  das  estações  

,  como  já  
                                                 
39
  Na  verdade,  a  diferença  de  temperaturas  entre  os  pólos  e  o  equador,  bem  como  entre  as 
estações  do  ano,  é  explicada  não  pela  maior  ou  menor  distância  do  Sol,  mas  sim  pela  diferente 
inclinação com que os raios solares incidem sobre a superfície da Terra nos pólos e no equador, no 
verão  e  no  inverno,  que  faz  com  que a energia incidente, por unidade de área, varie, sendo maior 
quando a incidência é mais perpendicular e menor quanto mais agudo for o ângulo entre os raios e 
a horizontal. 


 
187 
discutimos no item dedicado especificamente à análise das concepções acerca do 
eixo  de  rotação,  revelou  que  as  professoras  sabem  que  “o  eixo  da  Terra  é 
inclinado”,  porém  em  nenhum  momento  isso  é  apontado  como  um  fator 
determinante  no  fenômeno  das  estações,  mas,  no  máximo  como  um  fator 
acessório, que auxilia na maior ou menor proximidade ao Sol de certas regiões da 
Terra, como na resposta dada por Ied. 
 
A  questão 7.9 pedia um desenho da Terra em sua órbita em torno do Sol, 
onde aparecessem indicados o seu eixo de rotação e a posição em que ela ficava, 
com relação ao Sol, em cada uma das estações do ano. Os desenhos realizados 
pela professoras que responderam a este item são apresentados nas figuras 36 e 
37, nas páginas seguintes. 
 
Observamos,  neste  desenhos,  em  primeiro  lugar,  a  repetição  do  mesmo 
padrão  a  que  já  nos  referimos  no  item  anterior  de  nossa  análise,  quando 
discutimos  as  noções  das  professoras  sobre  a  órbita  da  Terra.  Apenas  um  dos 
desenhos,  feito  por  The  (fig.  37(c)),  foge  um  pouco  do  padrão,  pois  apresenta  o 
Sol bem fora do centro da elipse desenhada. 
 
Como  já  nos  referimos  ao  discutir  a  noção  de  órbita,  na  concepção  das 
professoras associada a estes desenhos, a maioria delas, não os concebiam como 
sendo  uma  representação  em  que  se  adotou  uma  perspectiva  oblíqua,  e  que, 
portanto,  a  elipticidade  bem  aparente  no  desenho  da  órbita,  em  todos  os 
desenhos,  seria  apenas  um  efeito  de  perspectiva.  Ao  contrário,  elas  imaginavam 
que  o  “achatamento”  da  órbita  representado  nestes  desenhos  correspondia  à 
realidade, ou seja, concebiam este tipo de representação como sendo uma visão 
“de cima” da órbita, como ela seria vista ao longo de uma direção perpendicular ao 
seu plano, na qual o desenho não teria, portanto, qualquer profundidade. 

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