Assis, Maria Elisabete Arruda de; Santos, Taís Valente dos (Org.)


DONA SANTA: MEMÓRIAS DE UMA RAINHA DE MARACATU



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1. DONA SANTA: MEMÓRIAS DE UMA RAINHA DE MARACATU
No mundo da cultura popular, em especial no mundo dos maracatus nação
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, os 
personagens são anônimos, esquecidos nas grandes narrativas que quase sem-
pre trazem apenas os nomes dos grupos e suas localidades (Maracatu-Nação 
Porto Rico do Oriente do bairro de Afagados, Maracatu-Nação Estrela Brilhante 
do Alto Zé do Pinho, Maracatu-Nação Elefante, do bairro de Ponto de Parada). 
Estamos falando de homens e mulheres que possuem trajetórias de vidas mer-
gulhadas em estratégias e táticas para se inserirem em uma sociedade muitas 
vezes hostil as suas práticas.
Em meio a esse cenário, a memória de Dona Santa e do Elefante na história 
dos maracatus se sobressai, tendo sido referida por Guerra-Peixe, Katarina 
Real, Roberto Benjamin, Isabel Guillen, Ivaldo França Lima
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, dentre outros 
estudiosos. Dona Santa cada vez mais foi considerada símbolo máximo da 

Entende-se que a 
“cadeia museológica” 
“tem início no campo
onde os objetos são 
coletados, abarcando 
todos os processos que se 
seguem de identificação, 
classificação, higieniza-
ção, acondicionamento, 
seleção, exposição, e até 
a sua extensão sobre os 
públicos, os colecio-
nadores privados, o 
mercado de objetos, e os 
diversos outros agentes 
indiretamente ligados 
a ela”. SOARES, Bruno 
César Brulon. Máscaras 
guardadas: musealização 
e descolonização. Tese 
(Doutorado em Antro-
pologia) – Universidade 
Federal Fluminense. 
Niterói, 2012, p. 7.

A instituição alterou 
de nome ao longo dos 
anos. Quando foi criada 
em 1949, denominava-se 
Instituto Joaquim Nabuco. 
Em 1963 passou para 
Instituto Joaquim Nabuco 
de Pesquisas Sociais. A 
nomenclatura atual Fun-
dação Joaquim Nabuco é 
de 1980.

O Maracatu-Nação ou 
Maracatu de Baque Virado 
é uma manifestação da 
cultura popular afrodes-
cendente brasileira. Surgiu 
durante o período escravo-
crata, provavelmente entre 
os séculos XVII e XVIII, no 
Estado de Pernambuco.

GUERRA-PEIXE, César. 
Maracatus de Recife. 
São Paulo: Ricordi, 1956; 
REAL, Katarina. O folclore 
no carnaval do Recife. 2. 
ed. Recife: Massanga-
na, 1990; BENJAMIN, 


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DONA SANTA
cultura afrodescentende de Pernambuco. Tida como um verdadeiro mito 
legitimador entre os maracatuzeiros, sua importância não pode ser negada, 
mas sim refletida: a história se recria a cada novo contexto.
Se debruçar sobre a biografia de Dona Santa nos oferece possibilidades de 
ensaiar sobre a vida de uma mulher negra, pobre, de identidade afrodescen-
dente, em um Recife da primeira metade do século XX. Para Isabel Guillen
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dois pontos são fundamentais para a compreensão da biografia de Santa. A 


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