Assis, Maria Elisabete Arruda de; Santos, Taís Valente dos (Org.)


OBRA  [PÁGINA 156] L’Impossible



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OBRA 
[PÁGINA 156]
L’Impossible, déc. 1940
bronze fundido patinado, 6/6
178,6 x 167,5 x 90 cm
Acervo Banco Itaú
Fotografia: João Musa
MAIS INFORMAÇÕES


MISS SAMBAQUI
 
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MISS SAMBAQUI
Miss Sambaqui: 
gênero, 
representação 
nos museus e 
patrimônio cultural
mauricio candido da silva
APRESENTAÇÃO 
O presente artigo é resultado da atualização da monografia defendida ao 
final do curso de Especialização em Museologia do Museu de Arqueologia e 
Etnologia da Universidade de São Paulo, concluída em 2001. Com o título 
“A exposição museológica e o objeto consagrado”, seu principal objetivo foi 
o de compreender as transformações de sentidos que o objeto museoló-
gico pressupõe (Pearce, 1994). Buscou-se, naquele momento, verificar os 
diferentes significados resultantes de processos museológicos, de uma vida 
institucional perceptível na trajetória do objeto dentro de um museu. 
Passados quinze anos, torna-se extremamente oportuna a retomada dessa 
análise, sobretudo a partir das perspectivas das questões de gênero e da-
quilo que Samuel Alberti denomina „biografia dos objetos‟ pertencentes 
às coleções de museus (Alberti, 2005). Nesse sentido, a Miss Sambaqui é 
um objeto de estudo de extrema relevância, dada a potencialidade de análi-
ses multidisciplinares, abarcando a arqueologia, museologia, antropologia, 
história da ciência e da cultura, dentre outras possibilidades. 


MISS SAMBAQUI
 
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A trajetória desse artigo é motivada pelo contexto criado pelas questões 
de gênero na contemporaneidade, com base em nossos antepassados. 
Inicialmente apresenta um breve ensaio sobre a vida cotidiana da mulher 
pré-histórica. Na sequencia, mapeia o surgimento e as transformações sim-
bólicas da Miss Sambaqui como artefato. Finaliza reforçando a importância 
do patrimônio cultural como matriz da análise histórica. Trata-se de um 
texto motivado pela análise da cultura material (biografia do objeto mu-
seológico) com vistas ao estudo das relações sociais, a partir da perspecti-
va foucaltiana de disciplina e poder no espaço institucionalizado (Forgan, 
2005; Foucault, 2007). Trata-se, assim, de um texto vinculado ao campo 
das ciências sociais aplicadas. 
É possível traçar o percurso biográfico de um objeto de museu, da sua 
aquisição até a sua exibição pública, por meio dos diferentes contextos 
e das muitas mudanças de valores envolvidos por essas transformações. 
No entanto, essa análise torna-se mais rica quando levamos em conta a 
pré-história museológica do objeto, seu contexto original, que muda ra-
dicalmente quando ele é coletado e inserido no espaço museal (Guarnieri, 
1990). O seu significado permanece durante toda a sua vida no museu
coexistindo com os novos valores agregados, mas devem-se acrescentar 
as motivações do coletor sobre o objeto. Nesse sentido, a Miss Sambaqui 
torna-se um prisma pelo qual avistamos as transformações simbólicas de 
despojos humanos em artefatos, num processo de mudança de sujeito 
para objeto inerente a sua própria historicidade. Tal objeto museológi-
co encorpora um potencial revelador da história da ocupação humana do 
continente sul americano, da formação do pensamento preservacionista 
do patrimônio cultural e, por fim, das questões de gênero. 



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