Assis, Maria Elisabete Arruda de; Santos, Taís Valente dos (Org.)


partido que destrói valores éticos, situação autobiográfica, baseada no que



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partido que destrói valores éticos, situação autobiográfica, baseada no que 
viveu na pele. E no jornal Vanguarda Socialista.
O Partido decidiu pelo afastamento provisório de Pagu, sugerindo uma 
viagem. Ela e Oswald decidiram acatar a decisão e sair do Brasil. O com-
binado foi que Pagu seguiria primeiro e Oswald iria depois, com o filho, 
encontrá-la, assim que obtivesse dinheiro, o que acabou não se concre-
tizando. Pagu viajou sozinha, como correspondente dos jornais Correio 
da Manhã, Diário de Notícias e Associados de São Paulo. De passagem pela 
China, obteve as primeiras sementes de soja que foram introduzidas no 
Brasil, por sugestão do cônsul do Brasil em Kobe, Raul Bopp, velho alia-
do da Antropofagia. Na Rússia, desapontou-se com o regime comunis-
ta e com a infância miserável que testemunhou. Esteve sob custódia da 
Gestapo, durante passagem pela Alemanha, vinda da Polônia. Na França, 
ferida gravemente nos movimentos de rua, foi repatriada para o Brasil.


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PATRICIA REHDER GALVÃO
Vários textos refletem essa riqueza de experiências de uma mulher que deu 
a volta ao mundo sozinha, fato pouco comum na época. Registrou as expe-
riências, embora o partido não permitisse sua atividade. Em Hollywood
ela entrevistou diversas personalidades, como os atores Miriam Hopkins e 
George Raft, e em uma viagem de navio para China, Sigmund Freud foi um 
de seus entrevistados. 
Na volta ao Brasil, foi presa, em consequência do movimento de 1935 e 
deste ano até 1940, foram quatro anos e meio de prisões e hospitais. Ao ser 
libertada, muito magra e deprimida, rompe com o PCB, integrando a dissi-
dência trotskista. O velho amigo Geraldo Ferraz passa a “cuidar dela”, sen-
do seu companheiro até o fim da vida. Nasce o filho Geraldo Galvão Ferraz, 
que, a exemplo dos pais, se tornaria também jornalista. Patrícia tentava 
iniciar nova fase, com seu velho amigo do Modernismo Antropofágico, com 
quem comungava tantas ideias e ideais, e passa a dedicar-se cada vez mais 
ao jornalismo, à literatura, à cultura, ao teatro, divulgando autores desco-
nhecidos no Brasil e estimulando novos talentos. 
Os dois escrevem o romance A Famosa Revista. Ao contrário do primeiro 
livro de Patrícia, este é uma crítica ao PCB e seus métodos totalitários. 
Em São Paulo, trabalham no Diário da Noite e organizaram o Suplemento 
Literário do jornal Diário de São Paulo. O casal trabalharia junto ainda no 
periódico Vanguarda Socialista.
Embora realizando sua atividade jornalística e trabalhos de excelente ní-
vel, períodos de depressão surgiam. Tenta o suicídio, em 1949, com um 
tiro na cabeça.
Não estar presa a nenhuma lei. 
Ser nada. Não ser. 
Por que não destruir o objeto? 
Por que continuar presa à vida afetiva? 
Por que depender de minha necessidade?  
(GALVÃO, 1939, inédito)


PATRICIA REHDER GALVÃO
 
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Procura, porém, retornar à vida e à política partidária. Em 1950, concor-
re, pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), à Assembleia Legislativa de São 
Paulo, mas não se elege. Lança o panfleto eleitoral Verdade e Liberdade.
De degrau em degrau desci a escada das degradações, porque 
o Partido precisava de quem não tivesse um escrúpulo, de 
quem não tivesse personalidade, de quem não discutisse. 
De quem apenas aceitasse. Reduziram-me ao trapo que 


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