Assis, Maria Elisabete Arruda de; Santos, Taís Valente dos (Org.)


participantes do catálogo, de todos os países envolvidos, cabendo a cada



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participantes do catálogo, de todos os países envolvidos, cabendo a cada 
país a participação de 15 bens. 
O Brasil iniciou um debate com os organizadores e demais participantes 
do projeto sobre a realidade brasileira, na qual a contribuição das mulheres 
1
 
O Programa 
IBERMUSEUS é uma 
iniciativa de cooperação 
e integração dos países 
ibero-americanos para o 
fomento e a articulação 
de políticas públicas 
para a área de museus 
e da museologia. É um 
espaço para o diálogo 
e o intercâmbio nos 
distintos âmbitos de 
atuação dos museus, a 
fim de reforçar a relação 
entre as instituições 
públicas e privadas e 
entre os profissionais 
do setor museológico 
ibero-americano, de 
promover a proteção e 
a gestão do patrimônio, 
do intercâmbio de 
experiências e de 
conhecimento produzido. 
Sua atuação se destina 
a consolidar a Rede 
Ibero-Americana de 
Museus, formada pelos 
22 países da comunidade 
ibero-americana, 
alcançando os distintos 
âmbitos de ação dos 
museus.


11
para a história de nossa sociedade e cultura não se faz bem representada 
em nossos museus. A nossa indicação foi inserir bens não só materiais, mas 
também imateriais, os quais não estavam apenas nos museus brasileiros, 
mas também nas comunidades locais. Neste sentido, foram incluídas nes-
te Catálogo a ciranda de Lia de Itamaracá; a preservação do conhecimento 
da Nação Xambá no terreiro fundado por Mãe Biu, depois da perseguição 
aos cultos de matriz africana durante o Estado Novo; a contribuição de D. 
Santa, rainha do Maracatu Elefante, na preservação do patrimônio do povo 
negro; a luta de Margarida Alves, líder sindicalista, assassinada por defen-
der os direitos dos trabalhadores sem terra, e que se tornou um símbolo 
das trabalhadoras rurais, cuja luta tem inspirado a realização da Marcha 
das Margaridas que, anualmente, desde o ano 2000, se dirige a Brasília para 
negociar direitos e conquistas para as trabalhadoras rurais; as escritas ins-
piradoras, inovadoras, mas também denunciadoras, de Carolina Maria de 
Jesus, de Pagu e de Clarice Lispector; a expressão da liberdade sexual de 
Leila Diniz; a inestimável contribuição para a mudança do papel da mulher 
na sociedade quanto aos seus direitos, e igualdade entre os sexos, expressos 
nas lutas de Bertha Lutz e Francisca Senhorinha.
Este debate, que foi bem recebido pela comunidade participante do proje-
to do IBERMUSEUS, expressou a preocupação quanto ao reconhecimento 
das contribuições destas mulheres para a história e cultura nacional. Esta 
preocupação foi norteada pela compreensão de que estas contribuições po-
dem ser concebidas como objetos de musealização e, neste sentido, reforça 
a perspectiva das políticas públicas voltadas à memória, a exemplo do pro-
grama Pontos de Memória, realizado pelo IBRAM, que atende diferentes 
grupos sociais do Brasil que não tiveram a oportunidade de narrar e expor 
suas próprias histórias, memórias e patrimônios nos museus. Infelizmente, 
por dificuldades da plataforma virtual criada para abrigar o Catálogo do 
IBERMUSEUS, um conjunto de mulheres, que não estavam musealizadas, 
ficaram de fora. A partir da coleta de dados realizada pela equipe do IBRAM, 
responsável pela seleção, organização e desenvolvimento da contribuição 
do Brasil para o Catálogo do IBERMUSEUS, outra realidade se apresentou, 


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além do corte das mulheres não musealizadas. O rico material textual sobre 
cada uma das mulheres e suas contribuições/criações/ações para a história 
brasileira, não foi absorvido, em sua completude, na plataforma criada para 
abrigar aquele Catálogo.
Neste sentido, é que se torna oportuna a ideia de produzir uma nova publi-
cação contendo obras, museus, espaços de memória, e mulheres brasileiras, 
musealizadas ou não, que vem agora ao grande público. Esta publicação pos-
sibilita a ampliação do número de mulheres representadas naquele Catálogo 
on line, e inclui algumas importantes figuras de nossa história que não estão 
representadas em museus, mas estão em pontos de memória, em museus 
comunitários, e nas próprias comunidades e memória do povo brasileiro.
A parceria entre IBRAM e FUNDAJ, entre o Ministério da Cultura e o 
Ministério da Educação, viabiliza, neste momento, a publicação do conjun-
to de textos, elaborados sob o signo da generosidade de cada um dos seus 
autores, e das imagens cedidas por cada uma das instituições e profissionais 
envolvidos, a quem agradecemos e parabenizamos por tais contribuições. 
Destacamos a importância deste projeto para o incremento do debate das 
questões de gênero no Brasil, sob a perspectiva da memória, com esse re-
corte significativo de representações femininas.
É com grande prazer que desejamos boa leitura e proveito dos conteúdos. 



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