Assis, Maria Elisabete Arruda de; Santos, Taís Valente dos (Org.)


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NAIR DE TEFFÉ
Já no fim do mandato presidencial, na noite de 26 de outubro de 1914, Nair 
organizou uma espécie de despedida e realizou outro recital com um reper-
tório brasileiro. Convidou mais uma vez amigos do casal, autoridades, o 
corpo diplomático e, na ocasião, quebrando protocolos e convenções, acom-
panhada por Catulo da Paixão Cearense, executou ela mesma, ao violão, o 
“Corta-Jaca” de Chiquinha Gonzaga
16
. Esse recital ficou famoso e entrou 
para a história como a noite do “Corta-Jaca”.
Como sugerem Ivanete Paschoalotto da Silva e Ivana Guilherme Simili: 
“Dá para se imaginar o escândalo causado por tal recepção. Como a mu-
lher do presidente tinha a audácia de abrir as portas do Catete, ambiente 
de formalidades onde imperava a música erudita, e lançar o “Corta-Jaca”, 
ritmo considerado cafona, barrado nos salões da elite por ser considerado 
vulgar e imoral pelos conservadores? Segundo consta na literatura histó-
rica, a Igreja Católica chegou até a condenar o maxixe por ser indecente”
17
.
Dezesseis dias mais tarde a noite do “Corta-Jaca” ainda reverberava e viria 
a entrar para os anais do Senado Federal, em virtude da virulenta manifes-
tação de Rui Barbosa que dizia:
“Uma das folhas de ontem estampou em fac-símile o programa da recepção 
presidencial em que diante do corpo diplomático, da mais fina sociedade 
do Rio de Janeiro, aqueles que deviam dar ao país o exemplo das manei-
ras mais distintas e dos costumes mais reservados elevaram o Corta-Jaca 
à altura de uma instituição social. Mas o Corta-Jaca de que eu ouvira falar 
há muito tempo, que vem a ser ele, Sr. Presidente? A mais baixa, a mais 
chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batu-
que, do cateretê e do samba. Mas nas recepções presidenciais o Corta-Jaca 
é executado com todas as honras da música de Wagner, e não se quer que a 
consciência deste país se revolte, que as nossas faces se enrubesçam e que 
a mocidade se ria?”
18
Com esse discurso vingativo e preconceituoso Rui Barbosa fez mais mal a si 
mesmo do que aos Hermes da Fonseca.
de Solange Mello do 
Amaral, denominado 
Discurso autobiográfico: 
o caso Nair de Teffé. Rio 
de Janeiro, Museu da 
República, 2007, p.150.



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