Assis, Maria Elisabete Arruda de; Santos, Taís Valente dos (Org.)


  Ver nota publicada  no jornal O Estado de  São Paulo, no dia 9 de  dezembro de 1913. 7



Baixar 16.91 Kb.
Pdf preview
Página31/134
Encontro17.05.2021
Tamanho16.91 Kb.
1   ...   27   28   29   30   31   32   33   34   ...   134

Ver nota publicada 
no jornal O Estado de 
São Paulo, no dia 9 de 
dezembro de 1913.

De acordo com o depoi-
mento de Nair de Teffé 
nos anos de 1913 e 1914 
não se falava em “primei-
ra dama”, mas apenas em 
“mulher do presidente”. 
Ver depoimento publicado 
no livro de Solange Mello 
do Amaral, denominado 
Discurso autobiográfico: 
o caso Nair de Teffé. Rio 
de Janeiro, Museu da 
República, 2007, p.149.


NAIR DE TEFFÉ
 
62
Durante menos de dois anos Nair de Teffé Hermes da Fonseca
9
 foi primeira 
dama e esse foi um tempo suficiente para que ela realizasse uma revolução 
de costumes, desafiando convenções, quebrando tabus, impondo nossos 
hábitos e ritmos. Em primeiro lugar ela passou a tratar o Palácio do Catete 
como a casa ou o lar do presidente da República, como um recinto que de-
veria ser vivenciado no cotidiano e nisso é que residia o extraordinário; em 
segundo lugar ela abriu os salões do Palácio do Catete para o contemporâ-
neo, para o moderno, para o inovador, para o brasileiro
10
.
Nair de Teffé viveu entre a arte e a política com a consciência de que seus gestos 
artísticos modernos e inovadores tinham extraordinário impacto num mundo 
político conservador e patriarcal. O Palácio do Catete foi palco para experimen-
tos estéticos, como aquele em que apareceu em uma reunião ministerial, presi-
dida por seu marido, “trajando um vestido em cuja roda havia feito caricaturas 
de todos os ministros da República. Sua afronta foi um verdadeiro escândalo.”
11
Foi durante o seu tempo como primeira dama que ela realizou saraus e re-
citais que despertaram a ira e o ódio dos inimigos políticos. De acordo com 
o seu próprio depoimento foi Catulo da Paixão Cearense quem recomendou 
que ela fizesse um sarau diferente, um sarau com sotaque brasileiro:
“Catulo Cearense! Um dia chegou perto de mim e disse: “Olha, eu vou lhe 
dar um conselho, porque eu sou mais velho. Você faz essas festinhas, essas 
coisinhas aí no Palácio, mas canta em francês, em alemão, em inglês e sei lá 
o que e não cantam… não falam uma coisa só, na nossa língua!” E eu disse: 
“E o que eu tenho que fazer?”; “Tenha um repertório mais brasileiro, mais 
regional”. Eu fiquei matutando e disse a ele: “Então eu vou fazer um progra-
ma de coisas brasileiras (…). Ele era meu professor de piano no Palácio”
12
.
Foi em sintonia com essa sugestão que em maio de 1914 foi realizado para 
um grupo de amigos do casal um recital de modinhas tocadas ao violão. Os 
opositores do presidente Hermes da Fonseca apressaram as suas críticas, 
afirmando que levar o violão
13
 para o Palácio do Catete, um instrumento re-
lacionado à boemia e aos maus costumes, era quase um “crime hediondo”
14

um “insulto à Nação”
15
.



Compartilhe com seus amigos:
1   ...   27   28   29   30   31   32   33   34   ...   134


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal