Assis, Maria Elisabete Arruda de; Santos, Taís Valente dos (Org.)



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A PERSEGUIÇÃO AOS TERREIROS
O Babalorixá Artur Rosendo Ferreira fugiu de Alagoas para Pernambuco, 
em virtude da perseguição aos terreiros dos xangôs daquele estado, a partir 
do que ficou conhecido como a “Quebra de 1912”
1
, na noite do dia 1º de 
fevereiro de 1912, nas ruas de Maceió, por meio da invasão e destruição 
dos principais terreiros de Xangô daquela cidade, por elementos populares 
capitaneados pelos sócios da Liga dos Republicanos Combatentes, que fazia 

“Na noite do dia 1º 
de fevereiro de 1912, 
nas ruas de Maceió, 
pequena capital voltada 
ainda ao provincianismo 
das intrigas e fofocas 
domésticas, verificou-se 
um dos episódios mais 
violentos de que foram 
vítimas as casas de 
culto afro-brasileiro de 
Alagoas. O acontecimento 
extraordinário, que ficaria 
conhecido como Quebra-
quebra, culminou com 
a invasão e destruição 
dos principais terreiros 
de Xangô da capital do 
estado, por elementos 
populares capitaneados 
pelos sócios da Liga dos 
Republicanos Combaten-
tes”. A Liga representava, 
naquele momento, a 
oposição à oligarquia lo-
cal de Euclides Malta que 
este à frente da máquina 
administrativa de alagoas
entre os anos de 1900 e 
1912. In, Ulisses Neves 
Rafael. 2004, p. 11


235 
MÃE BIU
oposição à oligarquia local de Euclides Malta. Deste episódio, em particular, 
sobreviveram à destruição dos terreiros os objetos que foram deles confis-
cados e salvos das fogueiras que queimaram inúmeros objetos arrastados 
dos seus locais sagrados. Este conjunto de objetos salvos das ações violen-
tas da formou a Coleção Perseverança
2
. Inicialmente doados ao museu da 
Sociedade Perseverança e Auxílio dos Empregados no Comércio de Maceió 
e, posteriormente, recuperados por membros do Instituto Histórico e 
Geográfico de Alagoas, onde se encontra até hoje. Naquele momento, os 
terreiros de Alagoas vivenciaram uma forma reprimida desta expressão re-
ligiosa, que ficou conhecida como “xangô rezado baixo”, ou seja, sem os 
toques dos tambores que a caracterizam.
A fuga de Alagoas para Pernambuco, todavia, não livrou o povo de terreiro 
de situações semelhantes ao que ocorreu em Alagoas. A perseguição, discri-
minação e tentativas de aniquilamento das expressões culturais e religiosas 
dos povos africanos e afrodescendentes, no Brasil, existe desde os tempos 
coloniais Em virtude do desconhecimento do simbolismo e significados des-
tas expressões, particularmente dos cultos religiosos, as reações de medo e 
repulsa são lugar comum. A falta de conhecimento aliada ao medo gerou e 
continua gerando o preconceito e a discriminação. Estas reações criaram a 
necessidade de controle e, por este motivo, mecanismos de regulação pelo 
próprio Estado brasileiro. Desde a República, sob a prerrogativa de combate 
à feitiçaria e à bruxaria, ao instituir o Código Penal
3
, o estado criminalizou a 
prática ilegal da Medicina, a qual esteve associada às práticas dos cultos de 
matriz afroindígenas; a prática do Espiritismo, da Magia, da Cartomancia, 
do uso de talismãs, e a subjugação da credulidade pública; e a proibição da 
prática do curandeirismo. A regulamentação dos cultos, portanto, sempre 
esteve afeta à questão da manutenção da ordem e dos bons costumes, e por 
isto, sob a égide da polícia.
Posteriormente, já no século XX, o Estado brasileiro, preocupado com a 
modernização da sociedade, adotará estratégias para − sob este discurso 
−, reprimir a “prática ilegal da Medicina”, ao mesmo tempo em que o saber 
médico dará o suporte para “higienizar” a sociedade. Curioso notar que os 



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