Assis, Maria Elisabete Arruda de; Santos, Taís Valente dos (Org.)



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Djanira: cronista 
de ritos, pintora 
de costumes
daniela matera lins gomes 


DJANIRA DA MOTTA E SILVA
 
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que acabaram contribuindo para sua formação estética e intelectual, entre 
os quais seu primeiro professor, o pintor romeno Emeric Marcier. 
“Eu é que sou ingênua, não minha pintura”, afirmou diversas vezes a artis-
ta, ao ser tratada pejorativamente como naïf, primitiva. Com efeito, tanto o 
contato com o grupo de artistas modernos e as incursões nas aulas de arte do 
Liceu de Artes e Ofícios quanto esboços e estudos preliminares de algumas 
de suas obras comprovam que Djanira está para além dessa adjetivação. De 
naïf ou primitiva pouco tinha, mas se os sentimentos puros e o modo de ver 
o cotidiano de forma lírica forem uma atitude primitiva, visceral, intuitiva
então se poderá afirmar que ela é primitiva, pois retrata os costumes nacio-
nais liricamente, sem filtro, e olha o mundo como se fosse a primeira a vê-lo. 
Djanira é uma pintora moderna, “não improvisa, não se deixa arrebatar” 
(Pedrosa, 1985: 116), apesar da espontaneidade descrita em suas pintu-
ras. A ingenuidade está no seu modo de ver, de “experimentar” a vida, que 
tenta, através do traço, da marca, das cores e da fatura plástica no espaço 
bidimensional da tela, concretizar um sonho. Um sonho, porém, não se li-
mita assim, pois é um conto, uma estória, um poema, ou seja, aquilo que 
contamos a nós mesmos, inconscientes ou não. 
Desvelando o homem comum através da poética de seu cotidiano, Djanira va-
loriza o simples ato de trabalhar, de orar, de se divertir em imagens oníricas, 
bem como evidencia a poesia do dia a dia do tipo brasileiro. Do labor ao lúdico, 
suas obras retratam um amplo panorama do mundo secular e mítico – pesca-
dores, mineiros, trabalhadores do campo, mulheres rendeiras, a costureira, os 
santos de devoção sincrética, em suma, as raízes de um Brasil – e fomentam 
uma profunda identificação com o povo: seus sofrimentos e suas lutas. 



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