Assim, o cultivo do café, que teve como área geográfica todo o Vale do rio Paraíba do Sul, ao longo dos


Barão de São José del Rei, esposa, filha, genro e netos



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Barão de São José del Rei, esposa, filha, genro e netos. 

Foto autor desconhecido.

Produção de café nas províncias

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O  Vale  foi  o  principal  produtor  de  café  do  Brasil  Império  e  a  província  fluminense  foi  o  seu  maior 

destaque ao longo de todo o “Ciclo”. Em 1852, ocasião em que produziu 7 milhões e 193 mil arrobas (15 

kg cada), respondia por 77% das exportações brasileiras, São Paulo, 13,8% e Minas Gerais, 7,6%.

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 Para o panorama da produção de café do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, no XIX e início do XX, foi utilizado o livro 



do professor Alberto Ribeiro Lamego (nota 6), completado com registros pontuais pinçados da literatura do café. Em relação às 

produções, exportações e receitas do café fluminense no último quartel do XIX e no primeiro do XX, foi útil a matéria O café no 



Estado do Rio de Janeiro, de Sylvio Ferreira Rangel e para o entendimento do deslocamento da produção cafeeira para o norte 

do Estado, tendo Itaperuna como pólo central, foi feito um estudo da matéria Evolução da cultura cafeeira no Estado do Rio, de 

Joaquim de Mello, as duas matérias publicadas em “O Jornal” (nota 1).



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Em 1860, o Rio exportou 81,6% do total brasileiro que, em 1881, representou 61,5% do total mundial. O Rio 

começou a perder a hegemonia para São Paulo ao final do ciclo, já próximo da Abolição e, definitivamente, 

nos primeiros anos da República. São Paulo já contava, então, com o grande volume de café produzido 

no “Oeste” 

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 da província (para onde o café emigrou), posto que também no Vale paulista do Paraíba, 



inclusive na sua região mais representativa, a de Bananal, a decadência já havia também se instalado.

Não se deve esquecer que uma região do Estado do Rio de Janeiro ainda teve expressivo volume de 

produção cafeeira após a derrocada do Vale e os primeiros tempos do século XX.

Trata-se do norte fluminense, capitaneado pela cidade de Itaperuna — na realidade, também Vale do 

Paraíba, pois fica às margens do importante rio Muriaé que, vindo das Gerais, é afluente do Paraíba pela 

sua margem esquerda, próximo à cidade de Campos dos Goytacazes. 

Em  1927,  a  despeito  da  vanguarda  indiscutível  de  São  Paulo  em  termos  de  produção,  ainda  era, 

isoladamente, o maior município produtor de café no Brasil, por conta de um início tardio em relação às 

demais regiões produtoras do “antigo” Vale.

Na época, o Estado do Rio contribuía com cerca de 10% da produção brasileira e Itaperuna produzia, 

sozinha, 1 milhão e 220 mil arrobas, chegando, alguns anos depois, a 1 milhão e 800 mil arrobas (São 

Paulo  produzia  60  milhões  e  o  Rio  6,5  milhões).  Vassouras,  no  auge  do  ciclo  no  Vale,  em  1856/7, 

produziu cerca de 1 milhão e 500 mil arrobas e a província fluminense, com algo em torno de 8 milhões 

de arrobas, respondia por, aproximadamente, 80% da produção brasileira.

Esses números mostram a “gangorra” produtiva entre cidades da mesma região e, principalmente, o 

extraordinário crescimento do café nas terras roxas do “Oeste” paulista. Até hoje o Brasil ainda produz 

muito café e mantém presença forte no mercado mundial do produto.

Cidades expoentes do Vale-paraibano

Ao longo do século XIX, foram criadas na região inúmeras capelas, curatos e freguesias, nomenclaturas 

religiosas que substituíam/conviviam — tal a íntima ligação entre a Igreja e o Estado na época — com 

as de origem civil como povoado, vilas, cidades e comarcas.

Durante o período cafeeiro, algumas prosperaram e outras perderam importância ou desapareceram, 

sobretudo  aquelas  existentes  nos  caminhos  de  passagem  das  tropas  de  mulas,  substituídas  pela 

instalação das primeiras ferrovias, e aquelas que abrigavam os portos que recebiam as mencionadas 

tropas. Alguns destes, marítimos ou fluviais, eram de grande movimento, tanto no litoral paulista como 

no fluminense, como, por exemplo: São Sebastião, Ubatuba, Mambucaba, Itanema, Ariró, Jurumirim, 

Angra dos Reis, Mangaratiba, Iguaçu Velho, Pilar, Estrela, Porto das Caixas e Barra de São João, entre 

outros.


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A denominação “Oeste” paulista é empregada neste trabalho em sentido amplo, geograficamente falando, ou seja, corresponderia hoje ao 

Noroeste do Estado de São Paulo, mas englobaria, também, o Nordeste e a área central do mesmo, o que demonstra a abrangência e a 

importância que a lavoura do café teve naquele Estado.




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Para citar as maiores e mais expressivas vilas e cidades do café, não se pode esquecer de mencionar, 

no Rio de Janeiro, a pioneira Resende, a Valença “dos marqueses” e, principalmente, Vassouras, a mais 

importante cidade de todo o Vale-paraibano, além de Cantagalo, no norte da província. Em São Paulo, 

indiscutivelmente, sobressaiu-se Bananal, no fundo do Vale (rival de Vassouras em importância), além de 

Taubaté, Pindamonhangaba e Lorena. Em Minas Gerais, Juiz de Fora, que, após a metade do século XIX 

foi o principal pólo, coadjuvada por Leopoldina, Mar de Espanha, Rio Novo e Ubá.



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