Assim, o cultivo do café, que teve como área geográfica todo o Vale do rio Paraíba do Sul, ao longo dos


Beneficiamento. Fazenda Monte Café



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Beneficiamento. Fazenda Monte Café. 

Sapucaia, RJ. Marc Ferrez. 1885. Coleção Gilberto Ferrez. IMS.

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 Para saber mais sobre as técnicas de tratamento e beneficiamento do café, bem como sobre o seu plantio, pode-se recorrer a  obras mais antigas, 



que discutiam o problema à luz da realidade inicial do ciclo como, por exemplo, a do Barão de Paty do Alferes, Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, 

Memória sobre a fundação de uma fazenda na Província do Rio de Janeiro; ou a trabalhos de cunho mais genérico sobre o café como o de Orlando 

Valverde, A fazenda de café escravocrata no Brasil; ou a trabalhos mais específicos como o de André M. de Argollo Ferraz, A arquitetura do café, onde 

são apresentadas as máquinas e os processos de beneficiamento, a arquitetura dos engenhos de café e detalhado um deles, o da fazenda Sertão, em 

Campinas, SP, que contava com máquinas Lidgerwood implantadas entre 1870 e 1880. Além desses, Augusto Ramos, com o seu clássico O café no 



Brasil e no estrangeiro, onde é apresentada uma detalhada abordagem dos processos/tecnologias. Conquanto este último trabalho, como o anterior, se 

refiram às situações do café já no “Oeste” de São Paulo, do final do século XIX às primeiras décadas do seguinte, são muito úteis para o entendimento 

do que aconteceu no Vale do Paraíba, no século XIX e até as primeiras décadas do XX.



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A decadência do ciclo cafeeiro Vale-paraibano e o café no “Oeste” paulista

As  principais  causas  da  decadência  do  café  no  Vale  foram:  a  utilização  de  técnicas  inadequadas  de 

plantio e cultivo e o mau uso da terra. Dentre as técnicas inadequadas, destacou-se o plantio do café em 

linha reta, de cima para baixo, e não em curvas de nível. Com isso, o cafeeiro tinha suas raízes capilares 

lavadas e expostas ao ar e ao sol pelas águas das chuvas, o que diminuía consideravelmente a sua 

produtividade e o seu tempo de vida útil. Além disso, a enxurrada removia a camada fértil do solo que era 

depositada nas várzeas ou levada pelas águas dos rios da região.

A inevitável erosão tornava as encostas imprestáveis e o desmatamento intensivo e as queimadas traziam 

alterações climáticas, influenciando na regularidade do regime de chuvas, que toda a serra anteriormente 

ostentava e de que o café tanto necessitava.

Nenhuma técnica de adubação era empregada, até porque a existência de terras virgens não estimulava 

esse esforço. A simples manutenção da cobertura vegetal no alto dos morros, por exemplo, teria ajudado 

a  diminuir  esses  impactos.  A  despeito  de  já  se  conhecerem  técnicas  mais  evoluídas  de  cultivo  e  de 

algumas poucas vozes alertarem, com vigor, sobre esse conjunto de problemas e as conseqüências que 

dele adviriam, a terra era e continuava sendo explorada sem arte ou ciência.

Alguns fazendeiros chegavam a dizer, como cita Stanley Stein

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: “... fiz as coisas dessa maneira, 



deixe que a próxima geração faça como lhe agradar”. O conservadorismo, que presidia posições 

como essa, era um valor cultural muito mais presente no dia-a-dia dos cafeicultores do Vale do que 

se possa imaginar.



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