Assim, o cultivo do café, que teve como área geográfica todo o Vale do rio Paraíba do Sul, ao longo dos



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Fazenda Paraíso. Rio das Flores

RJ. Arquivo Geral do IPHAN. 

Foto: Edgar Jacinto.



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A sua disposição mais comum no terreno era em fila ou em quadra, acompanhando a forma de implantação 

das demais edificações. O desenho tradicional, onde as portas da senzala eram voltadas para o interior do 

pátio, atendia aos quesitos de segurança e controle da mão-de-obra escrava e facilitava a administração 

visual das principais atividades, em especial as desenvolvidas no terreiro de café.

Fazenda Santo Antônio do Paiol. (detalhe) Valença, RJ. Marc Ferrez. Coleção Gilberto Ferrez. IMS.

Fazenda do Pocinho. Vassouras (arruinada), RJ.  Arquivo Central do IPHAN. Foto: Hess.



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Os programas arquitetônicos que caracterizavam as plantas das casas-sede

13

, prevalecendo como forma 



de  expressão  e  dando  seqüência  a  um  padrão  histórico  —  independente  de  a  construção  adotar  um 

“estilo” arquitetônico mais conservador, trazido pelos paulistas ou pelos mineiros, ou mais requintado, 

influenciado  pela  linguagem  do  neoclássico

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,  que  impregnou  o  nosso  século  XIX  —  eram  marcados 



pela preocupação de separar as dependências em blocos distintos, refletindo, na organização de seus 

ambientes, as regras e normas sociais vigentes. 

Em um bloco eram contemplados os espaços necessários à convivência social da família, especialmente 

visando “proteger” a intimidade das mulheres da casa, onde se localizavam os quartos de dormir, as salas 

de refeição, jantar e almoço, e as dependências de serviços, como a cozinha. No outro bloco ficavam as 

dependências de recepção dos hóspedes e dos visitantes que vinham tratar de negócios, com suas salas 

e alcovas separadas da área familiar por ambientes cujas portas eram mantidas sempre fechadas.

Com  o  passar  do  tempo  e  as  mudanças  na  dinâmica  social  ocorrida  nas  últimas  décadas  do  XIX,  o 

isolamento  dos  membros  da  família  —  em  especial  das  mulheres  —  foi-se  atenuando  e  as  soluções 

internas foram eliminando as dependências que possuíam a função básica de “separar” os blocos, dando 

mais leveza e funcionalidade às plantas das casas rurais

15

.



13

 Foi usada a denominação “casa-sede”, que inclusive até hoje designa essas construções nas fazendas do Vale, em lugar de 

“casagrande” pelo entendimento do autor de que esta se aplica melhor às casas residenciais dos “Engenhos de Açúcar”.

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 O texto denominado Aspectos de uma arquitetura rural do Século XIX, de Alcides da Rocha Miranda e Jorge Czajkowski, que 



é parte do livro Fazendas: solares da região cafeeira do Brasil Imperial, apresenta, de forma muito interessante, as tipologias das 

casas-sede do café Vale-paraibano, inclusive exemplificando algumas delas.

15

 Sobre as edificações da fazenda cafeeira, sua arquitetura, estilos, partidos e configurações, ver o texto das páginas 87 a 112 



de O Vale do Paraíba e a arquitetura do café, de Augusto Carlos da Silva Telles. Estudo realizado dentro da mesma linha, voltado 

às casas do início da era cafeeira no Vale-paraibano paulista, pode ser encontrado às páginas 133 a 199 de Casa Paulista, de 

Carlos A. C. Lemos.



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