As missangas da comunicação Moçambique no espaço ibero-americano



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As missangas da comunicação

Moçambique no espaço ibero-americano

Armando Jorge Lopes

Professor Catedrático Jubilado, Universidade Eduardo Mondlane
Introdução

Reflectir sobre temas que as missangas encerram não é tarefa simples. Língua, globalização, interculturalismo, intraculturalismo, lusofonia, hispanofonia, entre outros, são temas que entendo como contas ou missangas. Sem necessariamente serem as de Mia Couto de 2008, muito embora nos deslumbremos através delas, as contas do colar moçambicano, que se pretende universal e partilhado, apresentam-se ilimitadas. São missangas que vamos introduzindo no fio da comunicação, aquelas contas de vidro coloridas e de outros materiais—as missangas moçambicanas, que são também missangas do mundo (Lopes, 2013ª). Reflicto aqui sobre algumas missangas da língua, da cultura e da inclusividade.

Não pertencendo ao espaço ibero-americano de forma directa, por assim dizer, a história deste país que tem a língua portuguesa como língua oficial e, acima de tudo, a sua situação híbrida entre a anterior vivência com o mundo português e a recente e intensa experiência também partilhada com o mundo hispânico tornam Moçambique num lugar privilegiado de reflexão e problematização desse mesmo espaço e fazem com que a nação africana seja sua parte integrante, mesmo que de forma indirecta. Ao aceitar-se que uma língua não é uma parte isolada de um sistema ecológico complexo, mas sim, e necessariamente, parte integrante do mesmo, ao compreender-se a importância do sistema ecológico do espaço ibero-americano e o facto das línguas nele faladas serem línguas pluricêntricas, não idênticas nas suas variedades metropolitanas, e ao reconhecer-se que cada um dos centros cria uma pressão na direcção da sua variedade—não apenas em termos fonológicos, morfológicos, sintácticos, semânticos e lexicais, mas também em termos discursivos—e que estas pressões se exercem tanto diacronica como sincronicamente, deduz-se que as influências do Português e do Espanhol sobre todas as outras variedades, incluindo as variedades emergentes de vários estados e ainda sobre as línguas indígenas neles faladas sejam profundamente complexas e diversas. É neste sentido que entendo Moçambique como parte integrante da iberofonia.

Agradeço ao Presidente deste II Congresso Mundial da Confederação Ibero-americana das Associações Científicas e Académicas de Comunicação (Confibercom 2014), Professor Catedrático Moisés de Lemos Martins, a oportunidade que me dá de partilhar com todos aqui



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presentes algumas reflexões sobre o tema principal do evento, Os Desafios da Internacionalização no espaço ibero-americano da comunicação. Agradeço também à Profa. Madalena Oliveira que, de modo gentil e eficiente, me apoiou nos preparativos que me trouxe do Índico.

Argumento sobre a diversidade linguístico-cultural como suporte do enquadramento e desenvolvimento das línguas portuguesa e espanhola, componente importante da vivência contemporânea. Na verdadeira acepção dos conceitos, o mundo de hoje já começa a ser realmente bilingue, mas de modo ainda ténue, multilingue e multicultural; a condição monolingue e monocultural do amanhã poderá vir a ser idêntica à do analfabeto de hoje. A língua portuguesa é a língua oficial e veicular de Moçambique, operando juntamente com vinte e duas línguas bantu como línguas maternas da esmagadora maioria da população, e ainda com as línguas de origem asiática (Guzerati e Memane, entre outras) e o Árabe (Lopes, 1999).




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