As Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha. Arqueologia e história da sua construção


 Fr. Francisco de S. Luís, Op. cit., p. 19. Fig. 5



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 Fr. Francisco de S. Luís, Op. cit., p. 19.



Fig. 5 – Inscrição da edícula sul.

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-o. Este tipo de solução desaparece na época manuelina. Uma tal ocorrência

e a tipologia dos capitéis permitem distinguir com bastante rigor onde acaba a

obra de uma época e começa a de outra (fig. 6).

A capela n.º 7 apresenta, exteriormente, a tipologia de juntas e capitéis,

bem como uma cornija (cuja originalidade é atestada por uma fotografia

publicada em 1868, portanto anterior ao restauro

17

) da primeira época. No

interior, todos os elementos são do mesmo período, não existindo o friso

manuelino que, em outras capelas, bordeja o encosto da abóbada aos mu-

ros. A abóbada é do mesmo tipo da da capela-mor da igreja, embora as

nervuras não sejam de secção triangular. Os seus perfis regressam à tipologia

da fase radiante da Batalha. Nas chaves vêem-se armas reais idênticas às

de algumas chaves do Claustro de D. Afonso V, anteriores à reforma de D.

João II. Assim, é possível datar a capela n.º 7 do período que vai de 1437 a

1477


18

, ou seja, até ao final do reinado de D. Afonso V, sendo a abóbada mais

próxima desta última data.

A capela n.º 1 repete o que se disse em relação à n.º 7, com a diferença

de que as chaves com esfera armilar, cruz de Cristo e vegetação exuberante

datam a conclusão da abóbada da época manuelina. A sua construção teria

sido iniciada provavelmente já no período anterior, uma vez que não existe

qualquer decoração no encosto das abóbadas com os muros.

Em situação análoga encontra-se a capela n.º 3, em cuja abóbada um

conjunto de chaves manuelinas gravita em torno do escudo real anterior à

reforma heráldica de D. João II, com vestígios de policromia, cujas flores-de-

17

 Charles Thurston Thompson, The Sculptural Ornament of Batalha in Portugal. Twenty Photographs



with a Descriptive Account of the Building, Londres, 1868, fotografia n.º 20.

18

 A reforma heráldica de D. João II data de 1485, mas, como se viu, em 1477, o estaleiro da Batalha

já era dirigido por um mestre vidreiro, depreendendo-se que a obra de pedraria estaria parada.

Fig. 6-  Alçado exterior planificado das Capelas Imperfeitas, mostrando a linha divisória entre a cons-

trução flamejante e a manuelina. X- tipo de abóbada mais antigo; O- tipo de abóbada mais recente.




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-lis foram suprimidas.

De todas as capelas referenciadas com número ímpar, aquela que devia

estar mais atrasada no primeiro período construtivo era a n.º 5: todos os

capitéis, tanto exteriores como interiores, são flamejantes, mas as juntas dos

arcos são cingidas às aduelas, isto é, da segunda fase. Repete-se a tipologia

de construção da abóbada, apesar de a mesma ser excepcionalmente exu-

berante com as suas chaves exibindo o escudo real, o de D. Leonor, mulher

de D. João II, o pelicano e o camaroeiro.

A construção das capelas que referenciamos com número par seguiu na

retaguarda de todas as restantes. A n.º 6 seria a mais avançada no final da

primeira época. No exterior, os capitéis das janelas central e poente são inteira-

mente flamejantes, possuindo a janela nascente um capitel de cada época e

apresentando um elemento anelar manuelino na moldura exterior, do lado do

capitel do mesmo período, de tipologia idêntica ao que se observa nas edículas

do átrio. Os arcos são todos do segundo período, mantendo o modelo flamejan-

te, com excepção do arco interno, dentro do edifício, que de ogiva passa sinto-

maticamente a arco de volta perfeita. A cornija exterior cria uma alternativa

enriquecida ao modelo da primeira fase utilizado nas capelas de número ímpar.

A grande novidade nas capelas de que agora nos ocupamos é o sistema

de abobadamento: desaparece a cruzaria de ogivas, dando lugar a arran-

ques duplos, nervuras e chaves secundárias. Este tipo de abóbada surge

provavelmente pela primeira vez, em Portugal, na capela que designámos

com o n.º 6, sendo de cronologia próxima da da capela-mor da igreja de Nos-

sa Senhora do Pópulo, atribuível igualmente a Mateus Fernandes

19

. Extraor-

dinária, no contexto ibérico, é a chave central pendente que com as da capela

anteriormente descrita e com a nova tipologia construtiva levanta a questão

da origem da formação do arquitecto

20

. Voltaremos a este assunto na conclu-

são do artigo. As chaves periféricas mostram a esfera armilar, a cruz de Cris-

to e o ramo de boninas, divisa de D. Maria, segunda mulher de D. Manuel.

Na capela referenciada com o número 4, os capitéis exteriores são das

duas épocas nas três janelas, com a particularidade de os ábacos flamejan-

tes terem sido adaptados ao gosto manuelino. As chaves da abóbada repre-

sentam, além das omnipresentes esfera armilar e cruz de Cristo, as divisas



19

 Ricardo Silva, “A abóbada da capela-mor da igreja de Nossa Senhora do Pópulo das Caldas da

Rainha. Construção e filiação”, in Artis, 5 (2006), p. 105-124.

20

 Idem, “A obra tardo-gótica do Mestre Mateus Fernandes nos finais do século XV e os primeiros

anos do século XVI”, in www.convergencias.esart.ipcb.pt/artigo/86; acedido em 24.10.2014.

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de D. Duarte e D. Leonor de Aragão.

A capela n.º 2 era a mais atrasada antes da primeira interrupção das obras.

Todos os capitéis são já manuelinos, sendo a única que, na moldura externa de to-






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