As Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha. Arqueologia e história da sua construção


. Segundo o Cardeal Saraiva, a inscrição repete-se na edícula oposta, em caracteres ro- manos 13



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12

. Segundo o

Cardeal Saraiva, a inscrição repete-se na edícula oposta, em caracteres ro-

manos


13

, tendo sido tapada pela estrutura de madeira da porta que ali se

instalou durante os restauros da segunda metade do século XIX, para onde

Fig. 3 – Parede norte do átrio. Linha divisória entre a

construção flamejante e a manuelina.



12

 A crítica paleográfica desta inscrição e a comprovação da respectiva autenticidade deve-se ao

Doutor Saul António Gomes, a quem aqui deixamos o nosso sincero agradecimento.

13

 Fr. Francisco de S. Luís, “Memoria historica sobre as obras do Real Mosteiro de Santa Maria da

Victoria chamado vulgarmente da Batalha”, in Memorias da Academia Real das Sciencias, t. X, 1827,

p. 32.


As Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha


308

Cadernos de Estudos Leirienses  5  *  Setembro 2015

terá sido transposta em pintura.

A inscrição a que temos acesso

permite constatar que a edícula

foi concluída em 1509. Nuno

Senos atribui os janelões que se

rasgam acimas destas edículas

a João de Castilho, como solu-

ção de compromisso encontra-

da pelo arquitecto entre a lingua-

gem tardogótica e a de um em-

brionário classicismo



14

, defen-


dendo que o desalinhamento dos

janelões em relação às edículas

se ficou a dever à configuração

da abóbada cuja construção Cas-

tilho, sem dúvida, levou a cabo.

Independentemente do fac-

to de edículas do mesmo tipo, na

Capela do Fundador, onde não se

observam soluções de continui-

dade projectual e construtiva, não

obedecerem a qualquer tipo de alinhamento com as aberturas que as sobre-

pujam, é necessário admitir que a localização das janelas seria sempre condici-

onada por um sistema de cobertura reforçado nos cantos NE e SE, conforme

requereriam as cargas impostas pelos arcobotantes cuja construção se tornou

imprescindível em face da perspectiva de abrir as colaterais. Assim, julgamos

poder presumir que a localização dos janelões, se não fizesse já parte do pri-

meiro projecto, pelo menos datava dos primórdios da introdução do manuelino.

Mateus Fernandes morre em 1515, concluindo certamente os pilares do

átrio, isto é, elevando as suas paredes até à altura máxima, à volta de 1509-

1510, anos em que se regista um número mais elevado de pagamentos no

estaleiro da Batalha, conforme notou já Catarina Barreira

15

. Neste contexto,

seriam de atribuir à sua traça os janelões, cujas bandeiras apresentam moti-

vos afins das do Claustro Real, não fosse o desenho inusitado do topo dos

mesmos, resultante da intersecção de segmentos de recta (figs. 3 e 4). En-




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