As Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha. Arqueologia e história da sua construção



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Arqueologia da construção

As hipóteses de Ralf Gottschlich, Nuno Senos e Catarina Barreira quan-

to à sequência construtiva das Capelas Imperfeitas e do seu átrio serão aqui

revistas com base numa análise mais fina do edificado.

Nas duas edículas do átrio, certamente destinadas a túmulos

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, os capitéis

são todos, à primeira vista, manuelinos. De facto, os ábacos com intersecções

de volumes côncavos e convexos são típicos desta época. Porém, no aspec-

to do cesto e do colarete, o capitel poente da edícula norte distingue-se de

todos os restantes: a folhagem, túrgida, está disposta helicoidalmente e o

colarete é notoriamente mais desenvolvido. Nos restantes três capitéis, a fo-

lhagem disposta na vertical e o colarete fino obedecem ao modelo flamejante

consagrado na Batalha. A comparação destes capitéis com os das edículas

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 Esta suposição baseia-se na relação que se verifica entre as edículas tumulares, os nichos de

apoio à celebração litúrgica e o espaço destinado a altares e retábulos, nas capelas radiantes do

panteão de D. Duarte, devendo situar-se os altares, no caso das edículas do átrio, nas paredes a

nascente, em relação visual com as naves laterais da igreja como se de uma projecção dos altares

das colaterais se tratasse. Naturalmente esta interpretação põe em causa a ideia de Catarina Barrei-

ra, já referida, quanto ao programa funerário de D. Duarte.

Fig. 2 –  À esquerda, capitel manuelino da edícula norte. À direita, capitel flamejante da edícula sul

cujo ábaco foi adaptado ao gosto manuelino, tendo sido introduzido um novo elemento, em cima à

direita, cujas juntas se assinalam. As setas indicam os vestígios de formas rectilíneas do ábaco e

do topo do cesto flamejante.




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Cadernos de Estudos Leirienses  5  *

 

 Setembro 2015

das capelas radiantes permitiu

verificar que a sua altura é idên-

tica, excepto no que respeita ao

ábaco, mais baixo e também re-

entrante. Uma observação mais

atenta revelou vestígios de for-

mas rectilíneas no topo do cesto

e na parte de baixo do toro côn-

cavo do ábaco, acusando a sub-

tracção de pedra para o adaptar

a um novo gosto (fig. 2). O perfil

da construção realizada nas pa-

redes norte e sul do átrio, duran-

te o primeiro período, tendo em

conta as características dos pi-

lares já assinaladas por Gott-

schlich, é, por consequência aque-

le que se apresenta nas figs. 3 e 4.

Verifica-se ainda, de acor-

do com aquele autor, que a pa-

rede em que se rasga o portal

foi levada praticamente até ao ápice, conforme mostra o pilar norte, o qual

pertence inteiramente à primeira época, tendo apenas o pilar sul sido acaba-

do em feixe entrelaçado. O número de colunelos – quatro por pilar – permitia

uma abóbada idêntica à do deambulatório da Capela do Fundador que se

acomoda a uma geometria similar, podendo prever-se janelões congéneres

dos do corpo exterior deste edifício.

No topo interior da edícula sul, encontra-se gravada, em caracteres gó-

ticos, a inscrição “p(er)fectum fuit anno d(omi)ni mb

c

ix” (fig. 5)






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