As Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha. Arqueologia e história da sua construção



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6

 Idem, p. 282.



7

 Nuno Senos, “João de Castilho e Miguel de Arruda no Mosteiro da Batalha”, in Murphy. Revista de



História e Teoria da Arquitectura e do Urbanismo, nº 2 (Julho 2001), p. 10-45.

8

 Idem, p. 15.



9

 Catarina Fernandes Barreira, “O Mosteiro de Santa Maria da Vitória e a vocação moralizante das

gárgulas do Panteão Duartino”, in D. Duarte e a sua Época: Arte, Cultura, Poder e Espiritualidade,

Lisboa, Instituto de Estudos Medievais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universida-

de Nova de Lisboa, 2014, p. 185-210.



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Desta forma, Catarina Barreira propõe que o projecto e a abertura dos

caboucos sejam datados de meados de 1437, tendo em conta o documento

desse ano que refere a aquisição de terreno para a construção do edifício. O

octógono seria ocupado pelo casal régio – D. Duarte e sua mulher -, ao passo

que as sete capelas albergariam os respectivos sete filhos, ficando excluído

o primogénito, futuro D. Afonso V. Em 1438, “uma pequena parte das pare-

des já estaria levantada”, tendo o octógono sido “erigido no prolongamento

do eixo longitudinal da igreja, o que nos leva a crer que estaria previsto, des-

de a aquisição do dito chão fronteiro à capela-mor da igreja, a sua ligação à

cabeceira da mesma”

10

.

À morte de Huguet e durante a regência de D. Pedro, a obra terá prosse-



guido sem interrupções sob a direcção de Martim Vasques, até ao próprio

falecimento deste, dez anos mais tarde, a que se segue o conflito de

Alfarrobeira, com consequências na mobilização e ulterior penalização de

vários efectivos do estaleiro, não certamente sem consequências de impasse.

Entre Agosto de 1449 e 1451, D. Afonso V visita o Mosteiro da Batalha por

várias vezes e concede cartas de perdão a diversos oficiais das suas obras,

cabendo a direcção das mesmas a Fernão de Évora, desde a morte de seu

tio Martim Vasques. Durante a direcção deste mestre, que termina em 1477,

ter-se-iam levantado as paredes até à altura das abóbadas das capelas radi-

antes, permanecendo por construir a abóbada do átrio e a ligação à igreja. No

seu testamento, o rei refere-se ao panteão como lugar definitivo de sepultura

e ao capítulo como lugar provisório. Conforme tinham já admitido outros auto-

res, o reinado de D. João II não terá conhecido obra de pedraria, o que se

viria a reflectir num primeiro grande impasse na edificação do panteão. Aliás,

desde 1477 até 1490, o estaleiro foi conduzido por mestres vidreiros, período

em que terá sido dada prioridade à produção e colocação de vitrais nos edifí-

cios já maioritariamente concluídos.

Catarina Barreira faz ainda notar que à subida ao trono de D. Manuel, em

1495, corresponde, na documentação e até 1499, um incremento considerável

da obra com a confirmação dos privilégios dos respectivos oficiais. A autora

nega uma cronologia anterior àquela data para a capela cujas chaves de abó-

bada exibem a heráldica de D. João II e sua mulher, argumentando com o de-

sinteresse patente no testamento deste monarca em relação a um lugar especí-

fico de sepultura, bem como com o tempo que D. Manuel levou a efectivar a



10

 Idem, p. 188.

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trasladação dos seus restos mortais. É proposta, por fim, uma reprogramação

dos lugares de sepultura, passando a caber a D. Manuel o lugar central e sendo

D. Duarte deslocado para a capela diametralmente oposta ao portal, conforme

provam as suas armas nos fechos da abóbada correspondente.




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