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ARTIGO DE REVISÃO

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Revista Científica da Ordem dos Médicos          www.actamedicaportuguesa.com                                                                                                                

Campos A. O papel da aspirina na prevenção da pré-eclâmpsia, Acta Med Port 2015 Jul-Aug;28(4):517-524

de investigação basearam-se na modificação da atividade 

e da agregação plaquetária nas mulheres com pré-eclâmp-

sia.

1

 Em finais dos anos 70 começou a ser considerado que 



uma deficiente adaptação placentária poderia ser um dos 

fatores  explicativos  da  génese  da  pré-eclâmpsia,  da  mo-

dificação verificada nas plaquetas e na síntese de prosta-

glandinas, com um excesso de produção de tromboxano, 

um potente vasoconstritor. Masotti et al

2

 verificaram que a 



aspirina em baixas doses tinha um melhor efeito inibidor da 

ciclo-oxigenase nas plaquetas e nas paredes vasculares. 

  No processo fisiológico da placentação, a remodelação 

das arteríolas espiraladas inicia-se entre as 8 - 10 sema-

nas, com a substituição da camada muscular da sua por-

ção decidual pelas células do trofoblasto; numa segunda 

fase, entre as 14 e 16 semanas essa invasão atinge a por-

ção intra-miometrial do vaso.

2

 Ao contrário do que sucede 



numa gravidez normal, nas mulheres destinadas a ter pré-

-eclâmpsia há desde cedo uma deficiente remodelação das 

artérias espiraladas, que abrange apenas a sua porção de-

cidual. A consequência deste facto traduz-se na presença 

de vasos de alta resistência, com redução de fluxo vascular 

e hipóxia, libertação de substâncias pro-inflamatórias que 

lesam  precocemente  as  células  do  endotélio,  agregação 

plaquetária e alteração da síntese de prostaglandinas.

3-5

  Quimicamente as prostaglandinas são lípidos insatura-



dos, biologicamente ativos, derivados do ácido araquidóni-

co, constituídos por ácidos gordos com um anel ciclo-pen-

tano; são sintetizadas em todas as células do organismo 

humano e têm múltiplas ações biológicas, atuando de for-

ma semelhante a hormonas locais. Os glicerofosfolípidos, 

libertados pela ciclo-oxigenase, são a principal fonte de áci-

do  araquidónico.  Os  dois  principais  compostos  derivados 

do ácido araquidónico que atuam a nível do endotélio são 

a  prostaciclina  e  o  tromboxano. Têm  ações  antagónicas, 

tendo a prostaciclina (PgI2) atividade endotelial essencial-

mente vasodilatadora e inibidora da atividade plaquetária e 

o tromboxano (TX) um potente vasoconstritor, uma ativida-

de de promoção da agregação plaquetária (Fig. 1).

  A pré-eclâmpsia, que ocorre em cerca de 2 a 8% das 

gravidezes,  é  uma  doença  multi-sistémica  e  tem  diferen-

tes graus de gravidade; pode ocorrer precocemente (antes 

das 34 semanas) havendo nesta situação maior gravidade 

no compromisso materno e fetal, ou ser de aparecimento 

tardio, habitualmente sem grande compromisso no cresci-

mento  fetal.  Os  critérios  de  classificação  da  doença  têm 

vindo a ser modificados e atualmente, no critério de classi-

ficação de pré-eclâmpsia grave entram fatores maternos ou 

fetais (Tabela 1).

6

 



  Não  havendo  ainda  uma  explicação  completa  para  o 

aparecimento  da  doença,  à  teoria  da  má  adaptação  pla-

centar  estão  associados  outros  fatores,  nomeadamente 

genéticos e imunológicos que determinam fatores de risco 

para o seu aparecimento, com diferente importância relati-

va (Tabela 2).

  Os  fundamentos  para  o  uso  de  aspirina,  como  anti-

-agregante  plaquetário  na  redução  da  vasoconstrição, 

Figura 1

 – Síntese das Prostaglandinas



Fosfolipase C

PGHs Síntetase

PGE Síntetase



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