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ARTIGO DE REVISÃO

520


Revista Científica da Ordem dos Médicos          www.actamedicaportuguesa.com                                                                                                                

Campos A. O papel da aspirina na prevenção da pré-eclâmpsia, Acta Med Port 2015 Jul-Aug;28(4):517-524

dimensão de participantes, igualmente prospetivos e rando-

mizados, não concluíram na sua maioria pela vantagem da 

utilização de aspirina, quer na prevenção de pré-eclâmpsia, 

quer na redução de risco de restrição de crescimento fe-

tal

18-26 


à exceção de dois trabalhos. Hauth

19

 e Sibai



21

 con-


cluíram que existia uma redução de risco de pré-eclâmpsia 

em nulíparas saudáveis. Contudo Sibai, no grupo de estu-

do com aspirina encontra um aumento significativo de ca-

sos de abruptio placentae (Tabela 4).

  Nestes estudos há aspetos que os diferenciam dos an-

teriores; a administração de aspirina não se limitou à sua 

utilização precoce. Encontram-se trabalhos em que a varia-

bilidade de entrada no estudo é grande, entre as 12 e as 

32 semanas. Observa-se também que havia grande dispa-

ridade de objetivos e indicações de tratamento, bem como 

populações com risco diferente e os seus resultados foram 

controversos.

  Três trabalhos não incluídos neste grupo, para além dos 

objetivos principais já mencionados, procuraram avaliar a 

melhor dose de aspirina a utilizar.

28-31 


A avaliação da redu-

ção do risco de restrição de crescimento fetal com o uso 

de aspirina foi definida como objetivo principal num estu-

do multicêntrico, publicado em 1991, o estudo EPREDA.

30

 

Concluiu que com a utilização entre as 15 - 18 semanas de 



aspirina na dose de 150 mg, associada a dipiridamol (225 

mg/dia) houve prevenção do risco de restrição de cresci-

mento fetal, em grávidas com este antecedente. 

  Vinikka  et  al,

31

  utilizando  uma  baixa  dose  (50  mg)  de 



ácido acetilsalicílico iniciado em média às 15 semanas em 

mulheres com hipertensão arterial prévia à gravidez ou pré-

-eclâmpsia grave em gestação anterior, verificou que, em 

comparação  com  os  controles,  os  agentes  anti-plaquetá-

rios não impediram a subida da pressão arterial materna, 

mas melhoraram os resultados fetais, com melhor resposta 

hemodinâmica fetal, redução de restrição de crescimento 

fetal e menor necessidade de internamento em unidades 

de cuidados intensivos neonatais. Verificaram uma forte ini-

bição do tromboxano A2 materno, sem redução da produ-

ção de prostaciclina, preponderando portanto a dominância 

da ação vasodilatadora e de anti-agregação plaquetária.

  Os estudos de maiores dimensões, multicêntricos, em 

especial o estudo CLASP

22

 (Collaborative low-dose aspirin 



study in pregnancy), publicado em 1994, vieram refrear o 

otimismo existente. Com um número grande de casos (9 

364), este estudo tinha no entanto dois objetivos difíceis de 

conciliar: a administração de 60 mg aspirina para objetivos 

profiláticos (hipertensão crónica, doença renal, anteceden-

tes familiares de pré-eclâmpsia, idade materna e gestação 

múltipla) ou terapêuticos, cabendo ao clínico a iniciativa de 

introduzir o caso no estudo, se havia um quadro de pré-

-eclâmpsia ou de restrição de crescimento fetal já instala-

dos.  Podia  assim  ser  iniciada  a  terapêutica  com  aspirina 

Tabela 3

 - Trabalhos escolhidos. Critério 1: Estudos prospetivos apresentados por ano, com início da administração de aspirina até às 

16 semanas.

Autor - Ano

Participantes  

n; IG início

Critérios de inclusão

Fármaco/dose

Resultado

Beaufil


8

 1985


102 - 14s

Patologia Grav. ant/HTA 

prévia

AAS 150 mg + Dipiridamole 



300 vs. s/tratamento

IG parto;HIG/PE;

RCF; DPPNI

Benigni


9

 1989


33 - 12s

HTC/Passado obst significativ

AAS 60 mg/vs. Placebo

HIG/PE/PPT/RCF

Michael

10

 1992



110 - 16s

HTA inicial/PE ant

AAS 100 mg/vs. Placebo

HG/PE


August

11

 1994



54;13 - 15s

HTC/PE ant

AAS 100 mg/vs. Placebo

PE/RCF/DPPNI

Hermida

12

 1997



107;12 - 16s

HIG;PEant;HTC; obesidade/

nulipara/Gemelar/hist. fam de 

HIG/PE


AAS 100 mg/vs. Placebo

HIG/PE/RCF/PPT

IG parto/Peso RN/

DPPNI


Tuppala

13 


1997

66; 7s


Aborto recorrente

ASA 50 mg/vs. Placebo

PE/RCF/peso RN

Dasari


14 

1998


50; 12s

Nulípara


AAS 100 mg/vs. Placebo

IGest.Parto/RCF/ peso 

RN

Hermida


15

 1999


255; 12 - 16s

HIG;PEant;HTC; obesidade/

nulipara/Gemelar/hist. fam de 

HIG/PE


AAS 100 mg/vs. Placebo

RCF/PPT/DPPNI

Vainio

16

 2002



90; 12 - 14s

História pessoal e doppler 

anormal das art. uterinas

Aas 0,5 mg/Kb/d/vs. Placebo

HIG/PE/RCF/LIG/

IG parto


Chiaffarino

17 


2004

40; < 14s

HTC/PE ant/ecl/RCF/FM

AAS 100 mg/vs. sem 

tratamento

HIG/RCF/Peso/IG 

parto

Ebrashy


18

 2005


139; 14 - 16s

Fluxometria doppler art 

uterinas; fatores de risco para 

PE e RCF


AAS 75 mg/vs. sem tratamento

PE/RCF/PPT/Peso RN

HTA: Hipertensão arterial; AAS: Ácido acetilsalicílico; IG: Idade gestacional; HIG: Hipertensão induzida pela gravidez; PE: Pré-eclâmpsia; RCF: Restrição do crescimento fetal; DPPNI: 

Descolamento prematuro da placenta normalmente inserida; HTC: Hipertensão crónica; PPT: Parto pré-termo; RN: Recém-nascido






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