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Patrimonio-industrial-dos-antigos-coutos-de-Alcobaca
 

 

Este  lagar  com  uma  área  de  (36mx14m)  possuía  quatro  varas  e  dois  moinhos  (um 

hidráulico e outro movido por animais). O lagar foi remodelado em 1910, altura em que terá 

sido instalado um engenho de tração animal com três galgas e raspadeira. Nos anos cinquenta 

ainda trabalhavam as quatro varas do lagar, tendo sido instalada uma prensa hidráulica. 

 

 

 

 

Figura 4. Açude da Fervença, Maiorga. Fonte: R. Rasquilho 



Na  Fervença,  como  já  mencionámos,  tinha  o  Mosteiro  a  maior  concentração  de 

unidades industriais, nomeadamente três moinhos (que somavam dez casais de pedras) e um 

lagar de azeite com oito varas (17) que vai ser ampliado com mais duas varas (18). O Foral da 

vila  de Maiorga  mostra  que  já  existiam  os  moinhos  da  Fervença  (NATIVIDADE,  1960:69).  Iria 

Gonçalves apenas fala dos Moinhos da Fervença de Baixo e de Cima, o que comprova que o 

moinho  do  Meio é  posterior (GONÇALVES, 1989:117).  Este  espaço  privilegiado ainda possuiu 

engenhos para o fabrico de papel com o aforamento das águas a Manuel Gois (NATIVIDADE, 



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1885:13). No ano de 1552, o Mosteiro manda assentar o lagar de Azeite, o que demonstra o 



abandono do fabrico de papel (19). Este lagar sofreu remodelações como se pode observar nas 

despesas do triénio de 1732‐1734 com cabouqueiros que quebraram a pedra para o lagar da 

Fervença (5.280 réis) e com pedreiros que assentaram as pedras para encanar as águas (20). 

Para serviço dos moinhos e lagar manda‐se levantar um imponente açude e valas, obra que se 

deve à intervenção do cardeal D. Henrique. Como se pode observar estes moinhos reequipam‐

se com mós segundeiras ao longo do século XVIII para responder às plantações do milhão nas 

terras  de  campo,  como  bem  testemunha  que  as  entregas  dos  respetivos  foros  sejam 

exclusivamente em milho (21). 

 Com  a  extinção  da  Ordem  em  Portugal  os  bens  do  suprimido  Mosteiro  vão  a  hasta 

pública, sendo no caso da fervença adquiridos por Bernardo Pereira de Sousa (22). A herdeira, 

Ana Pereira de Sousa da Trindade, vai dar de aforamento perpétuo (40.000 réis ano), em 1875, 

o  prédio  de  moinhos  e  lagar  a  Joaquim  Ferreira  D’Araújo  Guimarães,  com  a  obrigação  do 

foreiro estabelecer no prazo de quatro anos uma fábrica de fiação e tecidos, o que irá conduzir 

à demolição do conjunto (23).  

 

 

Figura 5. Moinho da Fontinha, Alcobaça. Fonte: R. Rasquilho 



 

Embora não pertencente ao Mosteiro, o Moinho da Fontinha (de duas pedras alveiras 

e  duas  segundeiras)  constitui  outro  imóvel  a  merecer  um  plano  de  intervenção.  A  sessão 

camarária de 13 de fevereiro de 1837 refere que “se desse de aforamento perpétuo pelo foro 

anual  de  1200  reis  o  terreno  onde  Francisco  Pereira  da  Trindade  tem  feito  umas  casas  que 

servem  de  moinhos  na  Fontinha  na  rua  de  baixo”  (24).  Saliente‐se  que  este  proprietário  e 

negociante possui o domínio útil do moinho da Praça, do moinho do Mosteiro, e a propriedade 

plena da Fontinha (contando no total com 15 pedras correntes e moentes). Para se perceber o 

valor  desta  unidade  industrial  basta referir  que  num  arrendamento  celebrado  por  três  anos, 

em 1842, a renda era de oito moios de pão meado (240 alqueires de trigo e 240 de milho). Este 

moinho cessou a atividade por volta da década de 50 do século XX, sendo, na altura, designado 

por moinho da Eupépria, nome da sua proprietária.  

 

 



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