Aptidão física



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2.2. 
 
APTIDÃO
 
FÍSICA
 
RELACIONADA
 
COM
 
A
 
SAÚDE 
 
O  desempenho  de  qualquer  tarefa  motora  seja  ao  nível  mais  rudimentar  ou 
especializada,  requer  graus  variáveis  de  ACR,  força,  resistência  muscular  e 
flexibilidade.  A  ApF  tem  sido  valorizada  durante  vários  períodos  da  história  da 
humanidade por ser imprescindível na realização de atividades fundamentais como a 
caça,  a  pesca,  o  trabalho  agrícola  e  produção  industrial,  anteriormente  dependentes 
da  força  e  da  resistência  muscular  (Proper  et  al.,  2003).  No  entanto,  o  avanço 
tecnológico atual provocou uma redução do esforço físico relacionado com o trabalho 
e  lazer.  Os  benefícios  de  níveis  elevados  de  ApFRS  estão  associados  a  um  menor 
risco de doenças crónicas, entre elas as DCV, sendo que no que respeita à prevenção 
do  síndrome  metabólico,  apresentam  uma  maior  correlação  do  que  os  níveis  de  AF 
(Kvaavik,  Klepp,  Tell,  Meyer,  &  Batty,  2009;  Rizzo,  Ruiz,  Hurtig-Wennlof,  Ortega,  & 
Sjostrom, 2007). 
A promoção da AF, é hoje reconhecida como um componente importante nas políticas 
de prevenção de saúde. O impacto da AF no estado de saúde tem sido quase sempre 
investigado  através  de  resultados  objetivos.  As  relações  entre  AF  e  QVRS  têm  sido 
amplamente  investigadas,  especialmente  em  populações  com  doenças  crónicas.  No 
entanto, a AF depende da capacidade que o indivíduo apresenta para poder realizar a 
mesma, sendo de importância vital associar a esta relação a ApFRS  (Vuillemin et al., 
2005). 
Não há, universalmente, consenso acerca dos componentes de ApFRS. No  entanto, e 
uma vez que a abordagem da  ApF será realizada no contexto da sua relação com a 
saúde,  será  obrigatório  centrarmo-nos  nas  caraterísticas  físicas  e  fisiológicas  que 
definem  os  níveis  de  risco  para  o  desenvolvimento  prematuro  de  doenças  ou 
condições  mórbidas,  apresentando,  em  simultâneo,  a  sua  relação  com  um  modo  de 
vida sedentário (Gannon, 2004). Enquanto a ApF é um conceito multidimensional que 


 
13
 
 
tem sido definido como um conjunto de atributos individuais, inatos ou adquiridos, que 
se relacionam com a capacidade para executar atividades ocupacionais e recreativas, 
diariamente,  sem  excesso  de  fadiga  (ACSM,  2010).  A  ApFRS  envolve  os 
componentes da ACR, condição de força e resistência muscular, composição corporal 
e flexibilidade  (Caspersen,  Powell,  &  Christenson,  1985; ACSM,  2008;  Haskell  et al., 
1985;  Warburton,  Nicol,  &  Bredin,  2006),  de  modo  a  abranger  o  maior  número  de 
pessoas possível, valorizando as variáveis fisiológicas. No entanto, pode dar-se maior 
enfoque  às  habilidades  desportivas,  sendo  que,  variáveis  como  agilidade,  equilíbrio, 
coordenação  motora,  potência  e  velocidade,  são  mais  valorizadas,  objetivando  o 
desempenho desportivo (Araújo & Araújo, 2000). Do ponto de vista da saúde de uma 
população,  muitas vezes  referida  como  saúde  pública,  os  componentes  relacionados 
com  a  saúde  são  mais  importantes  que  os  relacionados  com  a  capacidade  atlética 
(ACSM, 2008). 
Antes de tudo podemos colocar uma questão, que parece ser bastante pertinente: Se 
a definição da ApFRS é composta por cinco componentes relacionados com a saúde, 
então  como  será  possível  medir  ou  expressar  o  conceito  de  ApFRS  total?  Ao 
refletirmos  sobre  esta  questão  verificamos  a  futilidade  do  conhecimento  do  valor  da 
ApFRS  total.  Assim,  o  conceito  de  ApFRS  total  tem  vindo  a  ser  abandonada  e 
substituída por  um  modelo  de  componentes,  sendo  a  avaliação  da  ApFRS  realizada 
através  das  medições  de  cada  um  dos  cinco  componentes,  separadamente.  Cada 
componente  individual  da  ApFRS  é  então  comparado  com  valores  normativos 
adequados a cada indivíduo.(ACSM, 2008)
 
Analisar  e  interpretar  os  indicadores  associados  à  ApFRS  mediante  a  comparação 
com dados normativos,  envolvendo referenciais idealizados com base na distribuição 
de  percentis,  tornam-se  útil  quando  se  pretendem  desenvolver  comparações  intra  e 
inter-populacionais, permitindo uma visualização mais precisa quanto à magnitude de 
eventuais  diferenças  que  possam  surgir.  A  partir  desta  aferição  podemos  quantificar 
apenas  os  resultados  dos  testes  utilizados,  uma  vez  que  não  se  conseguem  obter 
informações  que  possam  contribuir  na  tentativa  de  esclarecer  se  os  resultados  dos 
indicadores  associados  à  ApF  evidenciam,  efetivamente,  níveis  satisfatórios  em 
relação à saúde (Guedes, Guedes, Barbosa, & Oliveira, 2002). 
A  ACR, fatores de  risco biológicos, e os  resultados  clínicos  da  saúde  tendem a uma 
associação  com  a  AF:  indivíduos  de  meia-idade  e  idosos,  aparentemente  saudáveis 
com  maior  ACR  apresentam  um  menor  risco  de  DCV,  mortalidade  e  morbilidade.  A 


 
14 
 
diminuição do risco está também associada com uma maior  ACR, em indivíduos com 
doença pré-existente (Garber et al., 2011). 
Altos níveis de ApFRS parecem estar associados a maiores pontuações na QVRS em 
populações idosas e com doenças crónicas (Häkkinen et al., 2010). No entanto, existe 
poucas referências sobre a associação entre a ApFRS e a QVRS em adultos jovens 
(aparentemente saudáveis). Os resultados de um estudo realizado em 709 indivíduos 
do  sexo  masculino,  aparentemente  saudáveis,  e  com  uma  média  de  idade  de  31,6 
anos, sugerem uma relação positiva entre a ACR e os componentes da saúde física e 
mental  da  QVRS  (Sloan  et  al.,  2009).  Outro  estudo  realizado  em  727  indivíduos  do 
sexo  masculino,  com  uma  média de  idade de 25,0 anos, demonstrou que a  maiores 
índices  de  ACR  e  força  muscular  correspondem  maiores  pontuações  na  QVRS, 
nomeadamente nas dimensões FF, SG, VT e SM (Häkkinen et al., 2010).
 
Os  programas  de  intervenção  primária  e  secundária  têm  como  principal  finalidade  a 
promoção da saúde, devendo centrar-se na consolidação da relação entre a saúde e 
os componentes fisiológicos da ApFRS  (ACSM, 2008). Assim, o aconselhamento em 
saúde, no âmbito dos cuidados primários, assume um papel importante na prevenção 
e tratamento de DCV. A evidência aponta para a eficácia da atuação dos profissionais 
de saúde na mudança de fatores de risco modificáveis ao nível dos cuidados de saúde 
primários  e  secundários  (Glasgow  et  al.,  2005). Uma  abordagem baseada  no  estudo 
das  relações  entre  as  dimensões  da  QVRS  e  os  componentes  da  ApFRS  pode 
contribuir para perceber qual o impacto de cada um destes na QVRS. Além disso, não 
se  sabe  como  uma  pontuação  baixa  num  componente  específico  da  ApFRS  está 
associada com a auto-perceção de problemas numa dimensão específica da QVRS. O 
conhecimento dessas relações ajudará a identificar quais as necessidades de melhoria 
e  em  quais  componentes  da  ApFRS,  com  base na  auto-perceção  de  problemas  nas 
dimensões da QVRS. Esta informação será fundamental na prescrição do exercício de 
uma forma mais adequada (Olivares, Gusi, Prieto, & Hernandez-Mocholi, 2011). 
 
 
2.2.1.  COMPONENTES
 
DA
 
APTIDÃO
 
FÍSICA
 
RELACIONADA
 
COM
 
A
 
SAÚDE 
 
Recentemente,  os  indicadores associados  à ApFRS  têm  sido  interpretados  mediante 
informações  referenciadas  por  critérios  direcionados  à  saúde,  representando  níveis 
desejáveis consistentes com o risco reduzido de aparecimento e desenvolvimento de 
disfunções  orgânicas.  Os  componentes  que  caraterizam  a  AFRS  compreendem  os 


 
15
 
 
fatores morfológico, funcional, motor, fisiológico e comportamental. Iremos, sobretudo, 
considerar  os  três  primeiros,  no  entanto,  é  de  salientar  que  todos  eles  formam  as 
bases  para  um  bom  funcionamento  orgânico  nas  tarefas  diárias.  A  composição 
corporal  refere-se  ao  componente  morfológico.  A  função  cardiorrespiratória  refere-se 
ao  componente  funcional  e  a  força/resistência  e  flexibilidade  ao  componente  motor 
(ACSM, 2008; Glaner, 2003). 
 
 
C
OMPOSIÇÃO 
C
ORPORAL
 
 
A  massa  corporal  refere-se  ao  tamanho  ou  à  massa  do  indivíduo.  A  composição 
corporal  refere-se  à  massa  corporal  em  termos de  quantidades absolutas  e  relativas 
de tecidos  muscular, ósseo e  de gordura.  Exercícios  aeróbicos e  treino  de força  são 
eficientes para alterar a massa e composição corporais  (Heyward, 2002). A avaliação 
da  composição  corporal  é  necessária,  para  uma  variedade  de  razões.  Hoje  em  dia, 
sabe-se que muitas doenças e perturbações estão relacionadas com uma composição 
corporal anormal, ou mudanças na composição corporal. A condição mais comum é a 
obesidade, em que a quantidade de gordura corporal é excessivamente alta, levando a 
anormalidades  no  metabolismo  lipídico  e  de  hidratos  de  carbono,  hipertensão  e 
diabetes.  No  outro  extremo,  em  casos  de  má  nutrição,  temos  uma  diminuição  da 
quantidade de gordura e de proteínas no corpo, estando muitas doenças relacionadas 
com  a  quantidade  de água  total  do  corpo ou  da  distribuição  dessa água pelo  corpo, 
isto é, pelos espaços intracelulares e extracelulares. (Gibney, 2009).  
Num adulto saudável com peso normal, a quantidade de gordura corporal varia entre 
10% e 25% nos homens e entre 15% e 35% nas mulheres. Na obesidade, a gordura 
corporal pode atingir 60 a 70% do peso corporal (Gibney, 2009).  
 
 
A
PTIDÃO 
C
ARDIORRESPIRATÓRIA
 
 
Nas últimas décadas, a capacidade aeróbica máxima e submáxima têm sido medida 
com  a  finalidade  de  avaliar  o  desempenho  atlético.  Recentemente,  a  ACR  tornou-se 
uma variável importante de avaliação em contextos clínicos de saúde  (Martins  et al., 
2009). 
A  produção  energética  aeróbia  é  o  reflexo  da  capacidade  do  corpo  em  absorver 
oxigénio,  transportá-lo  e  utilizá-lo  nas  células  musculares  para  a  produção  de  ATP. 


 
16 
 
Este  mecanismo  requer  um  fornecimento  contínuo  de  oxigénio,  refletindo  assim  as 
funções  pulmonar,  circulatória  e  respiratória.  A  ACR  depende,  basicamente,  da 
eficiência  dos  sistemas  respiratório  e  cardiovascular,  de  componentes  sanguíneos 
adequados,  como  o  volume  sanguíneo,  hematócrito,  hemoglobina  e  número  de 
hemácias, além de alguns componentes celulares específicos que auxiliam o corpo a 
utilizar o oxigénio durante o exercício (Brown, Miller, & Eason, 2006; Heyward, 2002). 
A  ACR  está  relacionada  com  a  capacidade  de  um  músculo  executar  trabalho 
dinâmico, exercício de intensidade moderada a elevada durante períodos prolongados, 
estando,  também,  associada  à  condição  de  saúde  do  indivíduo.  A  pesquisa  indica 
claramente que níveis aceitáveis de  VO
2máx
 estão associados a um risco reduzido de 
hipertensão, DCV, obesidade, diabetes, alguns tipos de cancro e outros problemas de 
saúde na população adulta (Meredith & Welk, 2007). 
 
 
F
ORÇA E 
R
ESISTÊNCIA 
M
USCULAR
 
 
A força e  resistência  musculares  são  dois  importantes  componentes da  ApFRS.  São 
necessários  níveis  mínimos  de  capacidade  muscular  para  realizar  atividades  da  vida 
diária,  para  manter  a  independência  funcional  à  medida  que  se  envelhece  e  para 
participar em  atividades de lazer sem fadiga ou stress excessivos. Níveis adequados 
de  capacidade  muscular  diminuem  as  hipóteses  de  aparecimento  de  problemas 
lombares, fraturas osteoporóticas e lesões músculo-esqueléticas (Heyward, 2002). 
A função músculo-esquelética tem uma grande importância na ApFRS, destacando-se 
três  componentes  de  particular  interesse:  a  força,  a  resistência  e  a  flexibilidade.  Ao 
definir  força  como  o  nível  de  tensão  máxima  que  pode  ser  produzida  por  um  grupo 
muscular específico, e resistência muscular como a capacidade desse mesmo grupo 
muscular  em  manter  os  níveis  de  força  submáxima  alcançados  por  um  período  de 
tempo  mais  prolongado,  constata-se que esses dois  componentes da  ApFRS devem 
ser  considerados  como  moduladores  da  eficiência  do  sistema  músculo-esquelético 
(ACSM, 2008; Sharkey, 1997). 
A força muscular é um componente básico da ApFRS importante no desempenho de 
atividades  recreativas,  atividades  diárias  como  sentar,  andar,  correr,  levantar  e 
carregar  objectos.  Também  representa  uma  grande  importância  na  melhoria  da 
postura,  aparência  pessoal,  no  desenvolvimento  de  habilidades  desportivas  e  na 
promoção  da  estabilidade  das  articulações.  Do  ponto  de  vista  da  saúde,  a  força 


 
17
 
 
muscular  ajuda a aumentar ou manter a massa muscular e maior taxa  metabólica de 
repouso,  perda  e  manutenção  de  peso,  diminui  o  risco  de  lesão,  previne  a 
osteoporose, reduz a dor lombar crónica, alivia  a dor da artrite, melhora os níveis de 
colesterol,  promove  o  bem-estar  psicológico,  e  pode  ajudar  a  diminuir  o  risco  de 
hipertensão  e  diabetes.  Além  disso,  com  o  tempo,  as  adaptações  ocorridas  da 
melhoria da força muscular reduzem as exigências sobre o sistema cardiovascular na 
execução  de  tarefas  que  requerem  esforço  físico.  O  treino  da  força  muscular  pode 
também ajudar a controlar os níveis de açúcar no sangue. Grande parte da glicose no 
sangue  vai  para  os  músculos,  onde  é  armazenada  em  sob  a  forma  de  glicogénio. 
Quando os músculos não são usados, as células musculares podem tornar-se insulino 
resistentes, aumentando assim o risco de diabetes (Hoeger & Hoeger, 2012). 
A resistência muscular define-se como a capacidade de um grupo muscular executar 
contrações  repetidas  ao  longo  de  um  período  de  tempo  suficiente  para  provocar  a 
fadiga,  ou  para  manter  uma  determinada  percentagem  da  contração  máxima 
voluntária por um período de tempo prolongado (ACSM, 2008; Heyward, 2002; Hoeger 
& Hoeger, 2012). 
 
 
F
LEXIBILIDADE
 
 
A  flexibilidade  é  um  componente  importante  da  ApFRS,  sendo  definida  como  a 
capacidade  de  mover  uma  ou  mais  articulações  na  sua  amplitude  completa  de 
movimento (
ACSM, 2008). É limitada por fatores como a estrutura óssea da articulação, 
tamanho  e  força  dos  músculos,  ligamentos  e  outros  tecidos  conjuntivos  (Heyward, 
2002). 
Aliada  ao  VO
2máx. 
e  à  força  muscular,  a  flexibilidade  desempenha  um  papel 
fundamental  nos  programas  de  treino  direcionado  para  o  desenvolvimento  e 
manutenção  da  saúde.  Os  músculos,  tendões  e  ligamentos  tendem  a  melhorar  a 
elasticidade,  mediante  programas  regulares  de  AF  que  englobem  exercícios  de 
alongamento.  Isto  sugere  que  os  efeitos  positivos  provenientes  de  uma  boa 
flexibilidade incidam diretamente na eficiência do aparelho locomotor (Monteiro, 1996). 
Os  indivíduos  que  apresentam  índices  de  flexibilidade  mais  elevados,  tendem  a 
mover-se com maior facilidade e são menos suscetíveis a lesões quando submetidos 
a  esforços  físicos  mais  intensos.  Além  disso,  baixos  índices  de  flexibilidade  nas 
regiões  do  tronco  e  anca,  demonstram  elevada  associação  com  o  aparecimento  de 


 
18 
 
desvios  posturais  e,  muitas  vezes,  podem  levar  a  problemas  lombares  crónicos 
irreversíveis,  provocando  desconforto,  incapacidade  de  movimentos,  dor,  queda  no 
rendimento de atividades do quotidiano, limitando a qualidade de vida dos indivíduos 
(Corbin, 1984). 
 
 
2.2.2.  AVALIAÇÃO
 
DA
 
APTIDÃO
 
FÍSICA
 
RELACIONADA
 
COM
 
A
 
SAÚDE 
 
Embora  comprovados  os  benefícios  fisiológicos,  psicológicos  e  metabólicos 
resultantes da prática regular de AF, existem riscos associados. Apesar de haver risco 
de  lesão  músculo-esquelética  aguda  durante  a  prática  de  exercício,  a  maior 
preocupação é o aumento do risco de morte súbita e enfarte do miocárdio, que está, 
por vezes, associada a esforço físico vigoroso. Um  dos principais  objetivos da saúde 
pública  é  aumentar  a  participação  individual  na  prática  regular  de  AF  moderada  a 
vigorosa.  A  prossecução  deste  objetivo  deve  incluir  um  processo  para  identificar  os 
indivíduos com risco aumentado para eventos adversos relacionados com o exercício. 
Em  simultâneo,  o  processo  de  estratificação  de  risco  não  deve  apresentar  uma 
barreira significativa para a participação (ACSM, 2010). 
Antes  de  avaliar  o  perfil  de  ApFRS  de  um  indivíduo,  é  importante  classificar  o  seu 
estilo de vida e o seu estado de saúde. As informações obtidas nas avaliações iniciais 
relativas ao estilo de vida e saúde, ajudam o profissional a selecionar os clientes para 
os  testes  de  aptidão  física,  assim  como  identificam  os  sujeitos  que  apresentam 
sintomas  de  doenças,  fatores  de  risco,  ou  necessidades  especiais  (Heyward,  2002). 
Para  além  do  perfil  dos  fatores  de  risco  de  DCV,  questionário  de  historial  clínico, 
avaliação  do  estilo  de  vida,  não  devemos  esquecer  o  consentimento  informado.  O 
consentimento  informado  é  o  processo  que  envolve  vários  elementos  chave 
destinados  a  permitir  que  o  indivíduo  compreenda  plenamente  os  fatores  essenciais 
relacionados  com  a  realização  da  avaliação  da  ApFRS.  A  estratificação  dos  riscos 
ajuda  o  profissional  a  orientar  os  indivíduos  na  tomada  de  decisões  acerca  da  sua 
capacidade de prosseguir com a aplicação da bateria de testes. Dependendo do nível 
de risco, o encaminhamento para avaliação médica pode ser importante antes de se 
prosseguir com a avaliação (ACSM, 2008). 
A estratificação do risco para DCV deve iniciar-se pela história clínica. É fundamental a 
identificação  dos  fatores  de  risco  para  doença  coronária  (idade,  sexo,  hipertensão 


 
19
 
 
arterial, diabetes, tabagismo, sedentarismo, obesidade, dislipidémias e história familiar 
de DCV) e avaliação de eventual sintomatologia (Patricio et al., 2009). 
 
Existem  três  níveis  de  risco  de  DCV  (baixo,  moderado  e  alto  risco)  que  devem  ser 
usados  para  ajudar  a  decidir  sobre  a  eventual  necessidade  de  um  exame  médico 
antes de qualquer avaliação da ApFRS (ACSM, 2008). A categoria correspondente ao 
baixo risco abrange homens (< 45 anos) e mulheres (< 55 anos), assintomáticos, que 
apresentem não mais do que um fator de risco. Indivíduos mais velhos (homens ≥ 45 
anos  e  mulheres  ≥  55  anos)  ou  aqueles  com  dois  ou  mais  fatores  de  risco, 
correspondem  ao  risco  moderado  e  a  categoria  de  alto  risco  inclui  indivíduos  que 
apresentem um ou mais sinais ou sintomas de DCV e doença pulmonar ou os que têm 
DCV, doença pulmonar ou metabólica diagnosticada (ACSM, 2008; Heyward, 2002). 
Os  fatores  de  risco,  a  ter  em  conta  na  estratificação  do  risco  de  DCV,  são:  história 
familiar  (enfarte  do  miocárdio,  revascularização coronária, ou  morte  súbita antes dos 
55  anos  de  idade  em  parentes  de  primeiro  grau  do  sexo  masculino,  ou  antes  de  65 
anos de idade em parentes de primeiro grau do sexo feminino), tabagismo (fumadores 
habituais  ou  aqueles  que  pararam  de  fumar  nos  últimos  6  meses),  hipertensão 
(pressão  arterial  sistólica  ≥  140  mmHg  ou  diastólica  ≥  90  mmHg,  confirmada  pelo 
menos  em  duas  medições  em  ocasiões  separadas,  ou  o  uso  de  medicação  anti-
hipertensiva),  dislipidémia  (LDL  >  130  mg.dL
-1
  [3,4  mmol.L
-1
]  ou  HDL  <  40  mg.dL
-1
 
[1,03  mmol.L
-1
],  ou  o  uso  de  medicação  para  a  redução  dos  lípidos.  Pode  ser  ainda 
considerado  o  colesterol  total  >  200  mg.dL
-1
  [5,2  mmol.L
-1
],  em  vez  de  LDL  >  130 
mg.dL
-1
), glicose em jejum elevada 
(≥ 100 
mg.dL
-1
 [5,6 mmol.L
-1
]), obesidade (índice de 
massa corporal > 30 kg/m
2
, ou circunferência da cintura > 102 cm para homens e > 88 
cm para mulheres, ou RCA 
≥ 0.95 nos homens e ≥ 0.86 nas mulheres), sedentarismo 
(indivíduos  que  não  tenham  por  hábito  a  prática  regular  de  exercícios  ou  que  não 
cumpram os mínimos de AF recomendada, não acumulando, pelo menos, 30 minutos 
de AF moderada na maioria dos dias da semana). Há um fator de risco negativo usado 
na  estratificação  de  risco.  Se  um  indivíduo  apresenta  um  valor  de  colesterol  HDL-C 
acima de 60 mg/dL, devemos subtrair um ao valor total da soma dos fatores de risco 
positivos (ACSM, 2008). 
Embora  não  seja  imperativo  a  realização  de  testes  de  aptidão  em  indivíduos 
classificados  com  baixo  risco,  a  informação  recolhida  a  partir  dos  testes  de  esforço 
pode  ser  útil  na  prescrição de  um programa de exercício  seguro e  eficaz  para estes 
indivíduos (ACSM, 2010).
 


 
20 
 
De acordo com Greenland et al  (2001), Mieres et al  (2007) e Berman (2006), citados 
por Patrício et al. (2009), os doentes de baixo risco apresentam uma probabilidade de 
evento cardíaco grave (enfarte do miocárdio ou morte súbita cardíaca) inferior a 10% 
em 10 anos (menor que 0,6% por ano). Os doentes de médio e alto risco apresentam 
uma probabilidade de evento cardíaco grave entre 10 e 20% em 10 anos (0,6 a 2% por 
ano) e superior a 20% em 10 anos (superior a 2% por ano), respetivamente. 
Os  procedimentos  de  pré-teste  devem  incluir  a  escolha  de  ferramentas  válidas,  que 
sejam  capazes  de  fornecer  informações  relevantes  e  precisas  acerca  da  história  de 
saúde  do  indivíduo, a  atual  condição  clínica, fatores  de  risco,  sinais e  sintomas,  AF, 
hábitos e eventual medicação. Deve-se, também, ter em conta o nível de alfabetização 
do  indivíduo  em  relação  ao  instrumento  utilizado  para  obter  essas  informações 
(ACSM, 2010). 
É  importante  prestar  atenção  aos  detalhes  da  sessão  de  testes,  uma  vez  que  desta 
forma a validade e confiabilidade dos resultados dos testes de um indivíduo pode ser 
aumentada,  proporcionando  uma  imagem  mais  precisa  da  ApFRS  desse  sujeito. 
Esses detalhes incluem as instruções dadas a um indivíduo, o meio físico ou ambiente 
da  sessão  de  testes,  e  a  ordem  dos  testes,  quando  são  realizados  vários  testes  na 
mesma sessão (ACSM, 2008). 
A abordagem na medição das variáveis da ApFRS deve focar-se em medir ou avaliar, 
separadamente,  cada  componente  de  todo  o  conjunto.  Existem  vários  testes  que  se 
propõem  a  avaliar  os  componentes  da  ApFRS.  Se  um  teste  é  definido  como  um 
instrumento estático que é usado para medir ou avaliar, já a avaliação é um processo 
dinâmico, projetado em torno da ApFRS de um indivíduo específico. Os testes variam 
na sua complexidade, validade, confiabilidade e custos envolvidos (ACSM, 2008). 
 
 
A
VALIAÇÃO DA 
C
OMPOSIÇÃO 
C
ORPORAL
 
 
A avaliação da composição corporal pode ser útil para estabelecer o peso ideal para a 
saúde  e  desempenho  físico  (ACSM,  2008).  A  avaliação  da  composição  corporal  é 
realizada  para  quantificar  os  principais  componentes  do  organismo  humano:  ossos, 
musculatura  e  gordura  corporal.  A  composição  corporal  divide-se  em  dois  grupos: 
massa  magra  (livre  de  gordura  e  constituída  por  proteínas,  água  intracelular  e 
extracelular  e  conteúdo  mineral  ósseo)  e  massa  gorda  (gordura  corporal).  Assim,  a 
análise  da  composição  corporal  possibilita  compreender  as  modificações  resultantes 


 
21
 
 
de  alterações  metabólicas  e  identificar  riscos  à  saúde.  Dessa  forma,  indivíduos 
considerados  com  excesso  de  gordura  por  apresentarem  elevado  peso  corporal 
podem  ser  indivíduos  com  maior  desenvolvimento  muscular,  como  no  caso  dos 
atletas. 
A composição corporal é considerada um componente da ApFRS devido às relações 
existentes entre a quantidade e a distribuição da gordura corporal com alterações no 
nível de ApF e no estado de saúde das pessoas (ACSM, 2008). 
A determinação da composição corporal além de avaliar a quantidade total e regional 
de  gordura  corporal  para  identificar  os  riscos  para  a  saúde,  pode  ser  útil  para 
identificar  riscos  á  saúde  associados  aos  níveis  excessivamente  altos  ou  baixos  de 
gordura corporal total ou ao acúmulo excessivo de gordura intra-abdominal. De igual 
modo, proporciona a compreensão sobre o risco associado á falta ou ao excesso de 
gordura corporal, ajudando a monitorizar mudanças na composição corporal associada 
a  certas  doenças,  bem  como  avaliar  a  eficiência  de  intervenções  nutricionais  e  de 
exercícios físicos na alteração da composição corporal. Ao estimar o peso corporal de 
atletas  e  não  atletas,  ajuda  a  formular  recomendações  dietéticas  e  prescrição  de 
exercícios  físicos,  podendo,  ainda,  acompanhar  a  mudança  na  composição  corporal 
associada ao crescimento, desenvolvimento, maturação e idade (Heyward, 2002). 
Existem três  métodos  que  podem  ser utilizados para  a determinação da  composição 
corporal,  sendo  eles  métodos  diretos,  indiretos  e  duplamente  indiretos  (Lee  & 
Gallagher, 2008; Martin & Drinkwater, 1991). O método direto é aquele onde ocorre a 
separação dos diversos componentes estruturais do corpo humano a fim de pesá-los e 
estabelecer relações entre eles e o peso corporal total, o que só é possível através de 
dissecação  de  cadáveres.  Desta  forma  podemos  perceber  a  dificuldade  de  estudos 
envolvendo este procedimento, o que justifica a pequena quantidade de estudos com 
cadáveres  e  a  utilização  de  metodologia  mais  acessível  (Martin  &  Drinkwater,  1991; 
Maughan, 1993). 
Os  métodos  indiretos  são  aqueles  onde  não  há  a  manipulação  dos  componentes 
separadamente, mas a partir de princípios químicos e físicos visam a extrapolação das 
quantidades de gordura e de massa magra; estes métodos são validados a partir do 
método  direto.  Entre  os  métodos  indiretos  podemos  citar  como  métodos  químicos  a 
contagem  de  potássio  radioativo,  a  diluição  de  óxido  de  deutério,  excreção  de 
creatinina  urinária.  Em  relação  aos  métodos  físicos  os  mais  conhecidos  são  o  ultra-
som,  o  raio-x,  o  raio-x  de  dupla  energia,  a  ressonância  magnética  e  a  densimetria. 


 
22 
 
Entre  estes,  a  pesagem  hidroestática  tem  sido  considerada  como  referência  para  a 
validação  de  métodos  duplamente  indiretos.  Ela  é  baseada  no  princípio  de 
Arquimedes,  onde  um  corpo  quando  mergulhado  em  água  desloca  um  volume  de 
água igual ao seu próprio volume (Heyward, 2002; Martin & Drinkwater, 1991). 
Os métodos duplamente indiretos são validados a partir de um método indireto, mais 
comumente a densimetria. Temos como mais utilizados a técnica antropométrica e a 
bioimpedância.  As  medidas antropométricas  são  aplicáveis  para grandes  amostras e 
podem  proporcionar  estimativas  nacionais  e  dados  para  a  análise  de  mudanças 
seculares, podendo incluir medidas de peso, estatura, perímetros corporais, diâmetros 
ósseos e espessura das pregas cutâneas, sendo esta última a mais utilizada quando o 
objetivo é predizer a quantidade de gordura corporal (Baumgartner, Jackson, Mahar, & 
Rowe, 2007). 
A medição das pregas cutâneas tem vindo a ser referenciada como um bom método 
de  avaliação,  uma  vez  que  a  medida  da  espessura  das  dobras  cutâneas  em 
determinados  locais  do  corpo  podem  ser  um  bom  indicador  para  a  predição  da 
quantidade de gordura  corporal.  A  base  lógica  para  a  medição  das  pregas  cutâneas 
com  a  finalidade  de  estimar  a  gordura  corporal  total  reside  no  facto  de  existir  uma 
relação entre a gordura localizada nos depósitos adiposos existentes debaixo da pele 
e  que  está  diretamente  relacionada  com  a  gordura  total.  No  entanto  a  validade  e 
fidedignidade da medição das pregas cutâneas é afetada pela habilidade do avaliador, 
tipo de adipómetro, fatores do sujeito e equação de predição utilizada para estimar a 
gordura corporal (Heyward, 2002). 
A  medição  dos  perímetros  da  cintura  e  anca  permite  a  obtenção  da  RCA,  que  é  a 
medida da circunferência da cintura dividida pela medida da circunferência da anca e 
tem vindo a ser utilizada como um método simples para a determinação da distribuição 
da  gordura  corporal  (ACSM,  2010).  A  %MG  pode  ser  estimada  recorrendo  a  um 
aparelho  de  bioimpedância.
 
A bioimpedância  avalia  a densidade  corporal  através  da 
velocidade do fluxo eléctrico, ao passar pelo corpo. Os tecidos magros são altamente 
condutores  de  corrente  eléctrica,  por  conterem  uma  grande  quantidade  de  água  e 
eletrólitos,  portanto  apresentam  uma  baixa  resistência.  Já  a  gordura  e  o  osso  são 
pobres  condutores,  e  apresentam  uma  maior  resistência  elétrica  devido  à  menor 
quantidade  de  líquidos  e  eletrólitos.  Depois  de  obtidos  os  valores  da  resistência  e 
reactância estes podem ser utilizados para estimar a percentagem de massa gorda a 


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