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Livro 9º-ano PROFESSOR Vol-3 medio
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Temeu até que sua expressão denunciasse o que lhe passava pelo pensamento. Aquela gente usava vidas



humanas como cobaias e ninguém parecia preocupado com a morte estúpida de um garoto que, talvez há

poucos dias, era um alegre estudante de algum colégio de São Paulo!

À  sua  volta,  todas  as  outras  cobaias  humanas  estavam  impassíveis,  como  se  nada  estivesse

acontecendo.Chumbinho viu um garoto com o número 11 ser chamado para o centro da sala.De repente,

tudo aquilo misturou-se em sua mente, sentiu-se enjoar,entontecer... Chumbinho desmaiou.

***


- Só pode ter sido isso, Doutor Q.I. A cobaia número 20 não foi alimentada depois que foi trazida para cá.

Por isso desmaiou. Já o alimentamos com soro e o eletrocardiograma dele está normal. Deve acordar em

poucos minutos.

Aquela voz entrou pelos ouvidos do Chumbinho como num sonho. O menino percebeu que estava deitado,

e fez um esforço para não abrir os olhos até colocar suas ideias em ordem.

Diabo! Ele tinha desmaiado e quase punha tudo a perder. Por sorte a voz que ouvira tinha encontrado

uma desculpa perfeita para o desmaio. Por enquanto eles desconheciam que Chumbinho não estava sob o

efeito da tal Droga da Obediência.

Já recomposto, o menino abriu os olhos. Estava em uma enfermaria, deitado e com uma agulha em sua

veia do braço esquerdo. A agulha estava ligada a um canudinho que trazia o soro alimentar de um frasco

dependurado ao seu lado.

O homem que falava, provavelmente um médico, olhava para a tela de um televisor igual ao que o menino

vira na sala de testes. Da tela vinha a mesma voz metálica:

-  Idiotas!  Vocês  sabem  muito  bem  que  eu  não  admito  falhas.  As  cobaias  devem  ser  alimentadas

regularmente, conforme o planejado. Sob o efeito da Droga da Obediência, nenhuma cobaia manifesta desejo

algum. Se não a alimentarem, a cobaia pode sofrer danos. Que isso não se repita!

- Desculpe, Doutor Q.I....

A silhueta apagou-se da tela antes que o médico pudesse completar as desculpas.

***

Chumbinho foi levado a um refeitório onde já se encontravam as outras dezoito cobaias. O médico o havia



examinado e devia ter concluído que tudo ia bem com a cobaia número 20. Assim, o menino foi normalmente

reintegrado ao grupo.

Comeu quando recebeu a ordem para tanto e procurou fazer tudo do jeito que faziam as outras cobaias

humanas. Chumbinho olhava para a cadeira vazia onde provavelmente costumava sentar-se o pobre menino

número 6, quando um funcionário colocou alguma coisa à sua frente.

Era um vidrinho com outra dose da Droga da Obediência.

“Quer dizer que o efeito da droga é passageiro?”, pensou Chumbinho.

“Vai ver todas as cobaias têm de tomar um reforço da droga de tempos em tempos. Era quase meio-dia

quando eu fingi tomar a primeira dose. Agora deve ser mais ou menos oito da noite. Então o efeito dura cerca

de oito horas... Quer dizer que tenho oito horas para agir...”

Uma ideia começou a crescer na cabeça do Chumbinho, enquanto ele fingia tomar a droga e a escondia

dentro do macacão azul.

“Todos pensam que eu estou idiotizado como os outros. Por isso ninguém vai ficar me vigiando. Ótimo!

Agora é só esperar que as luzes se apaguem. Tenho de saber mais. Preciso conhecer melhor este lugar

maldito!”

Esperou um pouco e, quando todas as cobaias adormeceram, esgueirou-se silenciosamente para fora

da cama.

Disponível em:  Acesso em: 05 out. 2016.


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