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Livro 9º-ano PROFESSOR Vol-3 medio
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Tudo estava muito limpo e arrumado. Parecia até um hospital.



Chegaram a uma sala ampla, cheia de arquivos. Chumbinho viu-se frente a uma secretária que nem olhou

para o seu lado. O grandalhão entregou à mulher um papel e ela pôs-se a datilografar furiosamente uma

ficha. Nada perguntou a Chumbinho, mas, por via das dúvidas, o menino continuou imóvel e apalermado.

Por uma porta lateral entraram em um vestiário onde havia prateleiras cheias de roupas. O brutamontes

estendeu-lhe um macacão azul, sapatos, meias, cueca e mandou que ele se trocasse.

Chumbinho obedeceu à ordem. O macacão e os sapatos serviam direitinho!

“Que gente mais organizada!”, pensou o menino. “Já sabiam até o número que eu calço e que eu visto!”

No peito e nas costas do macacão, estava bordado o número 20 depois das letras D. O.

“Outra vez o D.O. ... O que será isso?”, cismou o garoto, muito mais curioso e excitado com o que estava

conseguindo descobrir do que assustado,como deveria ficar qualquer garotinho da idade dele. Mas ele agora

era um Kara, e um Kara não tinha o direito de ter medo.

***


Vestido e fichado, o número 20 foi levado até uma sala em cuja porta estava escrito: D.O. - Testes.A sala

era muito grande. Um salão, como o de uma academia de ginástica. Lá estavam outros dezenove jovens, todos

numerados e com as letras D.O. às costas.

Estava também o Bronca, com o número 19 bordado no macacão.

“O Bronca! Encontrei o Bronca!”, pensou Chumbinho, animado com os progressos na investigação, mas

sem saber para que serviriam aquelas descobertas, com ele preso, numerado e fortemente vigiado, igualzinho

aos outros.

Chumbinho olhou fixamente para o colega do Elite, mas Bronca não deu o menor sinal de reconhecê-lo.

Parecia um idiota, e não estava fingindo como Chumbinho. Bronca estava idiotizado mesmo, como idiotizados

estavam todos os outros rapazes e moças de macacão azul numerado.

Um garoto, com o número 6, estava caído no chão, no meio do salão detestes. Estava imóvel, com o rosto

voltado para o chão.

Um homem de avental branco dirigiu-se a uma espécie de televisor que havia no fundo do salão. Apertou

algumas teclas e o vídeo iluminou-se, mostrando a silhueta de alguém.

- Resultado do teste de eficiência 141/06, Doutor Q.I. - informou o homem de avental branco, falando para

a silhueta.

- Pode relatar - ordenou uma voz metálica, vinda do vídeo, certamente deformada por alguma espécie de

filtro de som.

Chumbinho arrepiou-se:

“A voz deformada, a figura em silhueta... Este deve ser o chefão da coisa toda. E é claro que não quer ser

reconhecido!” O homem do avental branco começou:

- Primeira conclusão: a Droga da Obediência...

“Droga da Obediência!”, espantou-se Chumbinho. “Então é isso que significam as iniciais D.O.T?”

- ... a Droga da Obediência aumenta o desempenho físico, sem limites,Doutor Q.I. Precisamos estabelecer,

portanto, quais os níveis de esforço suportáveis pelas cobaias. A cobaia número 6 repetiu a ordem sem

demonstrar cansaço nem desejo de parar.

- Até quando? - perguntou a voz metálica vinda do vídeo.

-Até o limite da ruptura física, Doutor Q.I. Perdemos a cobaia número 6.

- Muito bem. Procedam com a cobaia morta do jeito que planejamos.

- Será feito, Doutor Q.I.

- De que modo foi usada a droga?

- Em comprimidos, Doutor Q.I. Mas o efeito da Droga da Obediência é o mesmo, qualquer que seja a forma

de usá-la. Já experimentamos em pó, em comprimidos, em líquido, injetada, cheirada, aspirada e até fumada,

na forma de cigarros. E os resultados foram sempre bons.

- Ótimo. Quero a repetição do teste 141 com a cobaia número 11. A ordem deve ser suspensa antes de

completar-se o período de tempo em que perdemos a número 6. Precisamos saber até onde chega a eficiência

da Droga da Obediência sem a perda da cobaia. Quero novo relatório amanhã, bem cedo.

A tela apagou-se fazendo desaparecer a sinistra silhueta, que falava da morte de um menino como se

falasse de números e frações.

Horror! Chumbinho mal podia acreditar no que estava presenciando.




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