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qual é a tese defendida no texto II?



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qual é a tese defendida no texto II?

2 .

O autor defende a tese de que o amor romântico é um mito. 

qual é o tipo de linguagem empregada no texto I? 

3 .

O tipo de linguagem empregada no texto I é a formal. 


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Leia o texto e, a seguir, responda as atividades propostas. 



Má educação e celular

Walcyr Carrasco

Uma conhecida convidou os quatro netos pré-adolescentes para lanchar. Queria passar um tempo

com eles, como fazem as avós. Sentaram-se numa lanchonete. Pediram sanduíches e refrigerantes. Daí,

os quatro sacaram os celulares. Ficaram todo o tempo trocando mensagens com amigos, rindo e se

divertindo. Com cara de mamão murcho, a avó esperou alguma oportunidade de bater papo. Não houve.

Agora, ela já prometeu:

– Desisti. Não saio mais com meus netos.

Cada vez mais as pessoas “abandonam” os outros para viver num mundo de relações via celular.

Às  vezes  de  maneira  assustadora.  Vou  muito  para  o  Rio  de  Janeiro,  sem  carro.  No  meu  trajeto,

costumo escolher a Avenida Niemeyer, cuja vista é linda. Mas é cheia de curvas. Durante o trajeto,

preciso  me  acalmar  e  recitar  o  mantra  “om...  ommmm”  quando  os  motoristas  atendem  seus

celulares. Dá medo, com o abismo pela frente! A falta de educação é dos dois lados. Quem liga, se

não é atendido, continua ligando sem parar. O motorista muitas vezes atende e diz que não dá para

falar. A pessoa do outro lado nem liga e continua o assunto. Alguns atores que eu conheço estão

detonando suas carreiras. Ficam no WhatsApp até o momento de gravar. Atuar exige concentração,

“entrar” no personagem. Se a pessoa “conversa” por mensagens até o momento exato de interpretar,

fará pior. Está com a cabeça em outro lugar.

A praga atingiu até o setor de serviços. Dia destes estava no caixa de uma livraria. A mocinha passava

meus livros e revistas com displicência enquanto falava ao celular. De repente, se confundiu. Teve de

passar tudo de novo. Desligou. Voltou ao trabalho, mas aí o celular tocou e... a fila atrás de mim só

aumentava. O máximo que ouvi da parte dela foi:

– Desculpa.

Tocou de novo, atendeu, tentando colocar meus livros numa sacolinha com uma única mão.

Em certos almoços, mesmo de negócios, é impossível tratar do assunto que importa. O interlocutor

escolhe  o  prato  com  a  orelha  no  celular.  Quando  desliga,  abre  para  verificar  e-mails.  Responde.

Pacientemente espero. Iniciamos o papo que motivou o almoço. O celular toca novamente. Dá vontade

de  levantar  da  mesa  e  ir  embora.  Não  posso,  seria  falta  de  educação.  Mas  não  é  pior  ficar  como

espectador enquanto a pessoa resolve suas coisas pelo celular, sem dar continuidade na conversa?

Também adoro um celular. Tenho amigos no exterior e trocamos mensagens diariamente. Entretanto,

faço isso quando estou sozinho. Há também soluções rápidas, pessoais e profissionais onde ele ajuda e

muito! Mas hummm.... do ponto de vista profissional, nem sei se é tão bom assim. Celular não tem hora.

Invade sem pedir permissão. É uma decisão difícil não atender o telefonema de um chefe ou de alguém

importante no trabalho. Ou seja, a gente trabalha 24 horas direto! Há também quem chame durante

uma reunião de trabalho importante. E, como contei no caso do carro, continuam chamando mesmo

sem ser atendidas, até tornar o papo profissional impossível. Finalmente, ouço.

– Dá licença, vou atender e encerrar logo esse assunto.

Faço cara de paisagem enquanto a pessoa discute algo que nada tem a ver comigo. Penso: seria

melhor, muito melhor, não ter marcado reunião nenhuma. Mais fácil seria, sim, me impor através do

celular, porque através dele entro na sala de alguém quando quero, sem marcar hora. O aparelhinho

invade até situações íntimas. Se fosse só comigo, estaria traumatizado por me sentir pouco interessante.

Mas sei de casos onde, entre um beijo e outro, um dos parceiros atende o celular. Para tudo, sai do clima.

Quando termina a ligação, é preciso de um tempo para retomar. Mas aí, pode tocar novamente e... enfim,

até nos momentos mais eróticos, o aparelhinho atrapalha.

Ainda sou daquele tempo de ter conversas francas e profundas, de olhar nos olhos. Hoje é quase

impossível aprofundar-se nos olhos de alguém. Estão fixados na tela de seu modelo de última geração.

Conheço algumas raras pessoas que se recusam (ainda!) a ter celular. Cada vez mais, se rendem. A

vida ficou impossível sem ele. Eu descobri uma estratégia que sempre funciona, se quero realmente

falar com alguém. Convido para jantar, por exemplo. Ela saca o celular. Pego o meu e envio uma

mensagem para ela mesma, em frente a mim. Não falha. Seja quem for, acha divertidíssimo. E assim

continuamos até o cafezinho. Sem palavras, mas trocando incríveis mensagens pelo celular. Todo

mundo acha divertidíssimo.

Disponível em: . Acesso em: 29 ago. 2016.



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