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AO – 4720 / CHECK LIST

OBS: PARA AUTOR

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INTRODUÇÃO

A primeira transfusão de sangue humano bem-sucedida na história foi realizada por um médico obstetra britânico, James Blundell, em 1818.(1) Na década de 50, foi possível fracionar as plaquetas do sangue total.(2) Em 1961, foi comprovado o impacto da transfusão de plaquetas na redução da mortalidade de pacientes oncológicos(3) e, então, sua prescrição passa a ocorrer com maior frequência.(4)

Apesar de ser o segundo hemocomponente mais transfundido, após o concentrado de hemácias (CH), a transfusão de concentrado de plaquetas (CP) é a maior causa de reações transfusionais em politransfundidos,(5) sendo as mais frequentes a reação febril não hemolítica, reação alérgica e sepse bacteriana.(6) Contrariamente à transfusão de CH na qual prescreve-se 1 unidade de cada vez na grande maioria das situações, na transfusão de plaquetas são administradas mais unidades (1 unidade de CP a cada 10/kg de peso), expondo o receptor a mais doadores e, consequentemente, a risco elevado de reações transfusionais.(7) Além disso, a forma de armazenamento das plaquetas a 22°C aumenta o risco de contaminação bacteriana desse hemocomponente.(4) Outra forma de transfusão de plaquetas é aquela realizada com plaquetas obtidas por aférese, onde cada unidade corresponde a cerca de 6 a 8 CP, porém, essa modalidade é realizada, principalmente, nos hospitais oncológicos pela baixa disponibilidade.(7)

As indicações mais frequentes de transfusão de plaquetas são: baixa contagem plaquetária, hemorragia e uso de anticoagulantes.(8)

Os guias de conduta de transfusão de CP em pediatria baseiam-se nos de adultos,(9) e recomendam a transfusão profilática de plaquetas somente quando a contagem plaquetária está abaixo de 10.000/mm3, abaixo de 20.000/mm3 em pacientes com fator de risco como sepse, abaixo de 50.000/mm3 em cirurgia não crítica ou procedimento invasivo e abaixo de 100.000/mm3 em cirurgias cranianas e oculares.(10)em casos de hemorragia, a transfusão está indicada quando a contagem de plaquetas é inferior 50.000/mm3 em crianças estáveis, abaixo de 100.000/mm3 em crianças graves e em qualquer valor no caso de pacientes portadores de doenças com defeito qualitativo das plaquetas.(11)

A solicitação adequada do subtipo de CP (filtrado, irradiado e lavado) influência no resultado da transfusão e reduz o risco de reações transfusionais. (7,12) O CP filtrado elimina 99% dos neutrófilos e é indicado principalmente para evitar a reação febril não hemolítica em politransfundidos e a transmissão de citomegalovírus em imunodeprimidos.(7) O CP irradiado previne a proliferação clonal de linfócitos do doador no receptor em indivíduos imunodeprimidos, evitando assim a doença do enxerto versus hospedeiro transfusional.(7) O CP lavado tem a maior quantidade possível de seu plasma substituído por solução salina 0,9% com o objetivo de retirar as proteínas plasmáticas que podem causar reação anafilática em indivíduos com deficiência congênita de alguma proteína sérica ou que já apresentaram reação alérgica grave à transfusão anterior.(7)

A transfusão de CP é estratégia importante e frequente em várias situações clínicas, apesar disso, há poucos estudos disponíveis descrevendo e avaliando esse procedimento na faixa etária pediátrica.(13-16)

O objetivo do estudo foi avaliar a adequação da prescrição de CP por pediatras, levando-se em conta o gatilho transfusional, o volume prescrito e a solicitação de subtipos de plaquetas e compará-la entre os três setores do hospital (pronto socorro, enfermaria e unidade de terapia intensiva).



MÉTODOS

Foi realizado um estudo transversal e baseado no levantamento de fichas de requisição de procedimento hemoterápico de crianças e adolescentes de 0 a 13 anos no Hospital e Pronto Socorro Central de São Bernardo do Campo-SP-Brasil. As fichas foram preenchidas pelos médicos pediatras dos três setores do Hospital: pronto socorro (PS), enfermaria e unidade de terapia intensiva pediátrica (UTIp) no período de janeiro de 2007 a abril de 2015.

No período do estudo a pediatria era composta por 4 leitos na sala de emergência, 5 de observação, 40 de enfermaria e 5 de UTIp. O hospital não possuía centro obstétrico, berçário, centro cirúrgico ou serviço de oncologia/hematologia. Contava com uma agência transfusional (COLSAN) que armazenava alguns hemocomponentes e realizava testes simples como tipagem sanguínea ABO e Rh e provas cruzadas direta e reversa. Quando era solicitado algum subtipo de hemocomponente que a agência transfusional não dispunha, esse era enviado pela sede que fica no município de São Paulo - SP. A agência dispunha de CP obtidos de doação de sangue total, mas raramente de aférese.

Incluiu-se na casuística 217 das 228 requisições de transfusões de CP solicitadas no período do estudo. Excluiu-se 11 requisições de pacientes com doença hematológica (7 leucemias e 4 aplasias de medula óssea), pois as indicações nessas situações dependem de informações não registradas na ficha de requisição transfusional, dificultando a correta avaliação. Excluímos, também, 8 requisições especificamente da análise do gatilho transfusional devido à falta do registro do valor das plaquetas, porém essas requisições foram utilizadas para as análises de volume prescrito e de subtipos de plaquetas (Figura 1). Para avaliar a adequação do gatilho transfusional, volume prescrito e escolha dos subtipos de CP, utilizamos as recomendações do Ministério da Saúde do Brasil de 2015.(7) Durante o período do estudo, não foi transfundida nenhuma unidade obtida por aférese.

Dados coletados das fichas de requisição transfusional:


  • Gerais: idade (meses), gênero, doença presente e local da solicitação da transfusão (PS, enfermaria ou UTIp);

  • Características das transfusões:

    • Gatilho (motivo da transfusão): avaliado se foi profilática (baseado somente no valor das plaquetas) ou realizada em pacientes com hemorragia ativa. Foram consideradas adequadas as transfusões profiláticas de CP em pacientes com menos de 10.000 plaquetas/mm3. As transfusões com contagens maiores foram avaliadas individualmente, levando-se em conta a presença de morbidades associadas e o quadro clínico.

    • Volume prescrito: considerou-se adequado o volume entre 5 e 10 ml/kg em menores de 1 ano e 1 Unidade de CP a cada 10 kg nos maiores.

    • Subtipo de CP: avaliou-se a solicitação de componentes filtrados, irradiados e lavados, levando-se em consideração a doença presente e o histórico transfusional do paciente.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina do ABC (parecer nº 2.001.832).

Os dados foram digitados e consolidados em planilha Excel (Microsoft) e analisados no programa de estatística SPSS 24.0. As variáveis qualitativas foram apresentadas na forma de número absoluto e percentual. As contínuas foram analisadas quanto à sua distribuição, apresentadas na forma de média±desvio-padrão quando paramétricas e mediana (mínimo e máximo) quando não paramétricas. Para comparação dos dados qualitativos utilizamos o teste de Qui-quadrado. O nível de significância adotado foi de 5%.






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