Análise do discurso: um itinerário histórico



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Analisando o discurso

Helena Hathsue Nagamine Brandão (USP)



Na ciência da linguagem, o termo “discurso” vai muito além daquele feito pelos políticos.
Primeiras perguntas


  1. O que é discurso?

  2. Discurso é o mesmo que linguagem?

  3. Discurso e gramática são a mesma coisa?

  4. Discurso e texto são a mesma coisa?

  5. O estudo do discurso é importante para o estudo da língua portuguesa?


Índice


  1. Entrando no assunto: o que é discurso?

  2. O discurso: características fundamentais

  3. A Análise do discurso

  4. Discurso e texto

  5. Analisando o discurso

  6. As esferas de atividade do homem e os gêneros do discurso

  7. Gêneros do discurso e tipos de texto

  8. Conclusão

  9. Bibliografia

  1. Entrando no assunto: o que é discurso?


A todo momento você ouve a palavra discurso em frases como: “cheguei tarde da noite e minha mãe fez aquele discurso”, “O orador da turma fez um discurso emocionante”, “aquele político tem um discurso de direita”, “mas que discurso moralista!”, “Ah, isso é só discurso” ou em expressões como: discurso religioso, discurso político etc.


Será que em todos esses casos a palavra discurso tem o mesmo sentido? Discurso é o mesmo que linguagem? Você deve ter estudado na escola a gramática da língua portuguesa (ou da língua inglesa, espanhola...). Quando falamos em gramática e

em discurso estamos tratando da mesma coisa? O que é que caracteriza o discurso? Como os homens se comunicam nas diferentes situações em que vivem, atuam, trabalham? Como os grupos sociais interagem e produzem discursos? Na escola você deve também ouvir (ou ter ouvido) muito a palavra texto. Discurso e texto são a mesma coisa?


Tentaremos responder a essas questões neste texto. A palavra discurso tem diferentes significados. No sentido comum, na linguagem cotidiana, discurso é simplesmente fala, exposição oral, às vezes tem o sentido pejorativo de fala vazia, ou cheia de palavreado ostentoso, “bonito”. Neste texto, vamos ver o sentido de discurso sob o enfoque da ciência da linguagem. O que os estudiosos pensam a respeito do que é discurso.
Para definir o que é discurso vejamos primeiro o que entendemos por linguagem. A linguagem é uma atividade exercida entre falantes: entre aquele que fala e aquele que ouve, entre aquele que escreve e aquele que lê. A linguagem é um trabalho desenvolvido pelo homem – só o homem tem a capacidade de se expressar pela linguagem verbal. Nas relações do dia a dia, fazemos um uso (quase) automático da linguagem (por ex., em situações informais como em conversas com amigos, familiares etc.), mas em situações mais complexas (como em entrevista para trabalho, em uma conferência, falando com uma autoridade) exercer, dominar a linguagem é uma atividade trabalhosa, pois exige esforço, o desenvolvimento de um conhecimento lingüístico e de conhecimentos extra lingüísticos. Isto é, não basta saber a gramática da língua, mas tenho de saber também quem é a pessoa com quem falo ou a quem escrevo, tenho de ajustar a minha linguagem à situação em que estou falando, ao contexto* em que o discurso está sendo produzido.
Ao produzirem linguagem, os falantes produzem discursos. Mas o que é discurso? Podemos definir discurso* como toda atividade comunicativa entre interlocutores; atividade produtora de sentidos que se dá na interação entre falantes. O falante/ouvinte, escritor/leitor são seres situados num tempo histórico, num espaço
geográfico; pertencem a uma comunidade, a um grupo e por isso carregam crenças, valores culturais, sociais, enfim a ideologia do grupo, da comunidade de que fazem parte. Essas crenças, ideologias são veiculadas, isto é, aparecem nos discursos. É por isso que dizemos que não há discurso neutro, todo discurso produz sentidos que expressam as posições sociais, culturais, ideológicas dos sujeitos da linguagem. Às vezes, esses sentidos são produzidos de forma explícita, mas na maioria das vezes não. Nem sempre digo tudo que penso, deixo nas entrelinhas significados que não quero tornar claros ou porque a situação não permite que eu o faça ou porque não quero me responsabilizar por eles, deixando por conta do interlocutor o trabalho de construir, buscar os sentidos implícitos*, subentendidos. Isso é muito comum, por exemplo, nos discursos políticos, no discurso jornalístico, e mesmo nas nossas conversas cotidianas.



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