Análise de cantigas trovadorescas



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Centro de Humanidades I 

Curso de Letras / Departamento de Literatura 

Disciplina: Literatura Portuguesa I 

Prof(a): Elizabeth Dias Martins 



 

ANÁLISE DE CANTIGAS TROVADORESCAS 



 

 

SANTOS NETO, José Nelson dos

 

1

 



 

Introdução  

 

Consta que o início  do  Trovadorismo  como o  conhecemos  deu-se no período de 



reconquista do território português, até então dominado pelos mouros. Apesar do clima ainda 

recente  de  guerra,  a  atividade  literária  encontrou  condições  de  prosperar,  e  dessa  forma, 

desenvolveu-se  a  poesia  medieval  portuguesa.  Sua  origem  exata,  contanto,  é  tópico  de 

discussões.  Massaud  Moisés,  em  sua  obra  A  Literatura  Portuguesa  (MOISÉS,  2008,  p.  23-

24),  admite  cinco  possíveis  teses  para  essa  origem.  A  primeira  delas  é  a  tese  arábica,  que 

aponta a cultura arábica como a maior influência dessa poesia. A segunda é a tese folclórica, 

que defende uma poesia criada pelo povo e dotada de um caráter feminino. A terceira é a tese 

médio-latinista,  segundo  a  qual  a  literatura  latina  teria  servido  de  inspiração  para  a  poesia 

portuguesa. A quarta é a tese litúrgica, que considera o trovadorismo como consequência das 

poesias  religiosas/cristãs  elaboradas  na  mesma  época.  Há  ainda  a  tese  provençal,  que  trás  a 

influência  da  Provença  como  principal  fator  impulsionador,  visto  que  esta  tornara-se  um 

grande  centro  de  atividade  comercial  e  artística,  fruto  da  movimentação  provocada  pelas 

Cruzadas.  

 

A  origem  real  do  trovadorismo  ainda  é,  contudo,  incerta,  mas  pode  ser 



considerada como o conjunto destas várias hipóteses. 

 

O  poeta,  chamado  de  troubadour  (trovador),  é  um  dos  pilares  da  poesia 



trovadoresca. A raíz francesa trouver (achar) diz muito sobre a função do trovador, pois cabe 

                                                           

1

 Graduando da Universidade Federal do Ceará (UFC). Fortaleza-CE. nelson.ss2001@alu.ufc.br 




 

a  ele  “achar”  os  versos  e  a  melodia  para  melhor  formar  sua  canção,  assim  chamada  por 



englobar o poema e o seu acompanhamento musical. 

 

As  cantigas  eram  escritas  no  idioma  galaico-português,  e  dividiam-se 



basicamente  em  dois  tipos:  as  cantigas  lírico-amorosas  e  as  cantigas  satíricas.  Dentro  da 

primeira  categoria  havia  ainda  duas  subdivisões,  as  cantigas  de  amor  (confissões  de  amor 

platônico,  dotadas  de  um  amor  cortês  e  idealizado,  escritas  em  uma  voz  masculina)  e  as 

cantigas de amigo (escritas com uma voz feminina, narrando uma confissão de abandono e o 

desejo  pela  volta  de  um  amor  que  se  foi).  A  segunda  também  subdivide-se  em  duas,  as 

cantigas de escárnio (crítica indireta, repleta de sarcasmo, ironia e duplo sentido) e as cantigas 

de maldizer (sátira direta, critica algo ou alguém especificamente, muitas vezes com palavras 

de baixo calão). 

 

Por  serem  transmitidas  oralmente  pelos  trovadores,  muitas  das  cantigas 



acabaram perdendo-se com o tempo. O primeiro documento escrito encontrado foi a Cantiga 

de  Guarvaia,  de  Paio  Soares  de  Taveirós.  Assim,  na  tentativa  de  preservar  essas  canções, 

estas  foram  postas  em  cancioneiros,  que  são  coletâneas  de  canções.  Três  compilações  se 

destacam:  o  Cancioneiro  da  Ajuda,  composto  no  reinado  de  Afonso  III,  contendo  310 

cantigas,  a  maioria  de  amor.  O  Cancioneiro  da  Biblioteca  Nacional,  também  chamado  de 



Cancioneiro  Colocci-Brancuti,  contendo  1647  cantigas  de  vários  tipos.  E  o  Cancioneiro  da 

Vaticana, localizado na Biblioteca do Vaticano, possuindo 1205 cantigas, também variadas.  

 

 





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