Anões de jardim, objetos do mal e o lugar de não-coleçÕes marize Malta / Universidade Federal do Rio de Janeiro


  ANÕES DE JARDIM, OBJETOS DO MAL E O LUGAR DE NÃO-COLEÇÕES



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ANÕES DE JARDIM, OBJETOS DO MAL E O LUGAR DE NÃO-COLEÇÕES 

Marize Malta / Universidade Federal do Rio de Janeiro 



Simpósio 1- A arte compartilhada: coleções, acervos e conexões com a história da arte 

 

deficiência  estética  são  objetos  do  mal  em  superlativo.  Ninguém  os  quer  ver, 



ninguém  os  considera  ou  estuda,  mas  são  recorrentes  na  vida  de  muitas 

pessoas e contribuem para a construção de certa cultura visual, desenvolvendo 

capacidades  visuais  para  certas  conformações  de  linhas,  formas,  cores, 

composições, conteúdos, juízos (STURKEN & CARTWRIGHT). 

Muitos  objetos  seriais  invadiram  inúmeras  casas  ao  longo  de  dois  séculos. 

Vários  foram  tratados  como  objetos  de  desejo,  comprados,  incorporados  aos 

lares e depois envelheceram com seus donos, perdendo seu frescor e poder de 

atração,  como  seus  donos.  Sabemos  que  as  obras  de  arte  também 

envelhecem  e  de  tempos  em  tempos,  algumas  são  mais  desejadas  do  que 

outras. A cada temporada, há alguns artistas da vez, cujas qualidades artísticas 

são supervalorizadas, fruto do destaque que instituições e mercado negociam e 

elegem, mas isso não costuma invalidar sua potência estética.  

Normalmente,  objetos  em  série,  com  uso  operacional,  feitos  para  o  consumo, 

são  foco  de  estudos  no  campo  da  história  do  design,  portanto  tomados  sob 

outros  aspectos,  diferentes  dos  abordados  no  campo  das  artes  visuais.  Tal 

prática ajudou a constituir a ideia de que existem objetos de arte, de um lado, 

objetos de design, do outro; coisas de naturezas diferentes e opostas. Um não 

invade o campo do outro. É uma coisa ou outra. 

Inúmeros  objetos  seriais  viraram  itens  de  coleção,  como  xicaras,  pratos, 

paliteiros,  tapetes,  santos,  frascos  de  perfume,  bibelôs...  Por  mais  que 

possamos assumir que qualquer coisa pode virar item de coleção (até de arte), 

existem  objetos  que  se  colocam  como  desafio  ou  são  indesejáveis  coleções, 

talvez  porque  se  instalam  em  lugares  problemáticos,  intermediários  (entre  a 

casa  e  o  museu,  por  exemplo),  ou  por  sofrerem  estigmas  frente  sua 

conformação (deformidade) ou sua atuação (ridícula). 

Quando  alguém  menciona  que  comprou  uma  estátua  ou  escultura,  o  que 

imediatamente vem à cabeça, no senso comum, é que se trata de uma obra de 

arte  de  gosto  clássico,  bela  e  imponente  na  sua  volumetria  e  interferência 

espacial, detentora de linhas harmoniosas e representando alguma alegoria ou 


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