Alguns minutos com tua mãe obrigado


Frustus ventris generosi fruto bendito de um ventre generoso



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Frustus ventris generosi fruto bendito de um ventre generoso,

Rex effudit gentium. derramou pela salvação do mundo.


Nobis datus, nobis natus Entregou-se por nós, e por nós nasceu

Ex intacta Virgine, de uma virgem puríssima.

Et in mundo conversatus, Viveu no mundo, oferecendo

Sparso verbi semine, a semente de sua palavra

Sui moras incolatus e encerrou de modo admirável

Miro clausit ordines. o tempo de sua morada na terra.
Recorda-se a generosidade e a virgindade de Maria. Esta afirma sua dedicação total ao Filho; viverá somente por ele, colocando a seu serviço as energias do coração, do corpo, da mente, da fé, concretizando o primeiro mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua mente e com todas as tuas forças!” A generosidade de Maria, fructus ventris generosi, ao invés, se volta para nós: seu Filho, dado a nós, nascido para nós, é a generosidade da Mãe para com todos os discípulos: todos serão nutridos do mesmo pão. A generosidade da mãe revela-se na generosidade do pão eucarístico que ela preparou: pão inexaurível, a todos.

Nesse olhar estamos em comunhão com João Paulo II, quando escreveu sua encíclica Ecclesia de Eucharistia (17-04-2003). O último capítulo contempla Maria como a “mulher eucarística”: “Em certo modo, Maria exerceu sua fé eucarística, antes mesmo de a Eucaristia ser instituída, pelo fato mesmo de ter oferecido o seu seio virginal para a encarnação do Verbo de Deus... Há, portanto, uma analogia profunda entre o fiat pronunciado por Maria às palavras do Anjo e o amém que cada fiel pronuncia, quando recebe o corpo do Senhor... Maria antecipou também, no mistério da Encarnação, a fé eucarística da Igreja. Quando, na Visitação, carrega no seio o Verbo feito carne, ela se torna, de certo modo, “tabernáculo” – o primeiro “tabernáculo” da história – onde o Filho de Deus, ainda invisível aos olhos dos homens, se presta à adoração de Isabel, quase “irradiando” sua luz através dos olhos e da voz de Maria” (55).

O Papa desenvolveu a ideia de que no “Pange lingua” temos apenas uma semente repleta de futuro. Aqui, descobrimos como a nossa fé tem raízes profundas. O hino, o Pange lingua gloriosi, é atribuído a S. Tomás de Aquino que o escreveu em 1264. Mas, S. Tomás de Aquino se inspirou num hino homônimo – “Pange lingua” – composto em torno de sete séculos antes, por Venanzio Fortunato (530-607). O que cantamos hoje foi, por mais de 1500 anos, o canto eucarístico de nossos antepassados: Maria ocupava um lugar prioritário na fé e nos cantos deles.
Muitas vezes, a nossa fé hodierna aprofunda suas raízes nos séculos. O Gloria in excelsis Deo foi composto pelo papa Teléforo, bispo de Roma de 125 a 136. Na Igreja, em todas as missas festivas, há mais de 1800 anos, se canta o “Gloria in excelsis Deo”. É significativo recordar que todos os nossos antepassados cantaram esse hino de riquíssima cristologia: “Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai... Tu somente és o Altíssimo, Jesus Cristo”.
Encontramos também essas profundas raízes da fé quando olhamos para Maria. Um papiro do VI século contém esta oração:
Ave, Mãe de Deus, pura d’Israel.

Ave, ó tu, com seio mais amplo que os céus.

Ave, ó santa, ó trono celeste.
Dois séculos antes, São Basílio de Cesareia, 329-379, assim invocava a Mãe do Senhor:
Em ti, cheia de graça, se alegram todas as criaturas…

Em ti, ó Maria, tomou carne e se fez homem

Aquele que é nosso Deus, antes do tempo.

Do teu seio, Ele se fez um trono,

Tornou teu corpo mais amplo do que os céus.

Por ti, ó cheia de graça, toda a criação se alegra: glória a ti!


O papiro que contém a bem conhecida oração do Sub tuum presidium (Sob a vossa proteção) é datado da metade do terceiro século (250).

Mas retrocedendo no tempo, encontramos Santo Irineu (+207) e S. Justino (+150) que falam de Maria como a Nova Eva que escuta o anjo, desata o nó feito por Eva, opõe a sua humildade e seu serviço generoso, ali onde Eva dera atenção à serpente, estendendo a mão ao fruto do bem e do mal, decidindo de viver sem Deus.

Santo Inácio de Antioquia, martirizado em torno do ano 107, é a pessoa que faz ponte com o tempo das Escrituras. Bispo de Antioquia por 40 anos, ele nos traz até o ano 70, quando ainda viviam muitas testemunhas que tinham conhecido o Senhor. A viagem ao encontro do martírio, em Roma, oferece-lhe ocasião para escrever às Igrejas das cidades em que deverá passar: Éfeso, Esmirna... Em suas cartas sempre denomina Maria como a Virgem. Aliás, durante o segundo século, na Igreja, Maria era chamada “a Virgem” e Jesus, “o Filho da Virgem”. O hino “Pange lingua” contém mesmo o eco dessa fé: “Entregou-se por nós, e por nós nasceu de uma Virgem puríssima”; Jesus é chamado “o fruto de um seio generoso” (Fructus ventris generosi).
No tempo, podemos assim ordenar as etapas de nossa fé: com Lucas e Mateus, Maria é virgem; com Ignácio de Antioquia, Justino e Irineu, Maria é a Virgem; com Venanzio Fortunato, no VI século, depois com S. Tomás de Aquino, no século XIII, Maria é a Virgem puríssima em ligação com a Eucaristia; com João Paulo II, Maria é a Virgem da Anunciação e a “mulher eucarística”. E nós somos os herdeiros dessa fé.


  1. NINGUÉM TEM AMOR MAIOR DO QUE ESTE:



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