Alguns minutos com tua mãe obrigado



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O FERMENTO NA MASSA

O fermento libera um perfume particular, um odor que alcança o estômago e desperta o apetite. Ele se esconde na pasta e depois, no pão tirado quentinho do forno - pão cheiroso, crescido, leve, com crosta escurecida e dourada - estala gostoso entre os dentes. Daria para comer sem parar porque seu aroma renova o apetite.


« O Reino dos céus é semelhante a uma mulher que mistura fermento em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado » (Mt 13, 33). Tu não compreendes como isso acontece, mas vês que a pasta cresce, sobe e se torna mais leve. O fermento invisível está presente em toda a massa e, irresistível, libera sua força. Agora a massa está pronta para ser cozida no forno; dele será retirado como pão cheiroso que todos gostariam de comer. O Reino dos céus é semelhante ao pão apenas desfornado com seu odor irresistível: dá mesmo vontade de comer.
Estávamos numa missa, no momento da homilia. O sacerdote fez um breve comentário sobre a mulher que se dispõe a fazer pão: ela polvilha toda a massa com a levedura; em seguida, nela mergulha as mãos, bate, sacode, revira e conforma-a de modo que o lêvedo penetre em toda parte. Gesto enérgico da mulher, de suas mãos silenciosas; silêncio do fermento e da massa; silêncio enquanto tudo leveda. A ação do fermento é esperada, evidente. Ele libera uma força que nada pode conter; força que deixa a massa pronta para virar pão.
O celebrante concluiu sua homilia de modo surpreendente: « É Maria essa mulher que misturou na massa humana o verdadeiro fermento, Jesus. Nós estávamos como mortos, e Jesus nos recolocou de pé. Maria deu Jesus ao mundo e toda a humanidade cresceu em santidade.»
“O Reino dos céus é semelhante a uma mulher que põe o fermento na massa.” Quantas vezes Jesus viu sua mãe executar esse gesto quotidiano, porque, então, o pão se fazia em casa. Cena diária para o menino Jesus, cena admirada pelo adolescente Jesus, cena repassada de sentido para o jovem Jesus, e já então despertava nele a ideia de que o Reino de Deus é semelhante a uma mulher que mistura fermento e com suas mãos remexe a massa inteira, e tudo leveda.
Maria também, “enquanto o silêncio envolvia todas as coisas”, introduziu Jesus em nossa história, e ele cresceu em humanidade, enquanto a humanidade cresce nele; crescimento que não conhece limites, verdadeira ascensão rumo à divindade.
Jesus não apenas nos faz crescer, mas nos torna fermento; sua força em nós faz-nos capazes de repor em pé muitos dos nossos irmãos. “Já não sou eu que vivo, é Cristo quem vive em mim” (Gl 2,19). Estamos totalmente invadidos pelo fermento que Maria nos trouxe; a humanidade ao redor de nós pode esperar um renascimento: “Unidos a mim produzireis muitos frutos” (Jo 15, 5).

A grande missão de Virgem Maria foi, na verdade, esta: colocar no mundo um verdadeiro fermento, introduzir na história dos homens aquele que é o Senhor da vida, cujo amor renova todas as coisas. Somente depois que Maria tiver colocado no mundo seu Filho, “na plenitude dos tempos” (Gl 4,4), nós também, cheios do Espírito do Filho, poderemos gritar “Abba, Pai!” (Gl. 4,7).


O fermento e a massa devem passar pela prova do fogo para se tornarem pão, pão que nutre e faz viver. Jesus passou pela prova do fogo e pode dizer: “Eu sou o pão descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente” (Jo 5, 50). Jesus é fermento e massa, Deus e homem.
Em nós, que somos a massa, Maria pode colocar o fermento; mas não podemos tornar-nos pão para os outros, sem passar pela prova do fogo, como Jesus.
O hino das Matinas, do Ofício da Virgem Maria, o diz poeticamente:
O valor do teu amor

permanece para sempre

escondido em nossas colheitas.

Mãe dos homens,

tu preparas, em segredo, o fermento do Reino

e o pão de nossas vidas.


Maria, mãe da levedura e da massa, intercede por nós, põe-nos no fogo e seremos pão.


  1. FRUTO DE UM VENTRE GENEROSO”

A primeira e a segunda estrofes do Pange Lingua, grande hino eucarístico, recordam a Mãe de Jesus com certa emoção na voz que provém do coração. Maria tem lugar no início do hino, recordando que o Verbo se fez carne, antes de fazer-se pão; que o Rei nasceu de mãe generosíssima, antes de poder, ele mesmo dando-se, saciar toda a humanidade. As duas estrofes iniciais encerram a Encarnação e a Eucaristia, isto é, toda a amplidão da vida de Jesus. No começo, uma mãe que nutre o Filho; no fim, um pão inexaurível. Assim o hino celebra a ligação entre a Mãe e a Eucaristia:


Pange, lingua, gloriosi, Canta, ó língua minha,

Corporis mysterium, o mistério do corpo glorioso

Sanguinisque pretiosi, e do sangue precioso,

Quem in mundi pretium, que o Rei das nações,





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