Alguns minutos com tua mãe obrigado


POR SEUS FRUTOS VÓS OS RECONHECEREIS



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POR SEUS FRUTOS VÓS OS RECONHECEREIS

Em maio de 1976, um terremoto de magnitude 7, na escala Richter, destruiu muitos povoados das primeiras colinas do Friul. Mais de mil pessoas foram encontradas mortas sob os escombros. Os voluntários chegaram de todos os pontos da Itália. No seu contato com a gente do lugar ficaram surpresos ao saber que denominavam os filhos “i fruz”; o filho, “il frut”; a filha, “le frute”; e as filhas, “li frutis”. O elo é claro com “o fruto do ventre”. Mas essas palavras, tão comuns na linguagem falada, como que se distanciaram de seu sentido original, e quando são pronunciadas, hoje, evocam somente os filhos. Nessas palavras, permanece, entretanto, um sabor das origens que faz compreender que o filho é um tesouro ligado ao seio, à vida, ao amor.

É provavelmente na “ave-maria” que encontramos o parentesco mais forte com essa maneira de o Friul denominar o filho “il frut”, “o fruto”. Na primeira parte da ave-maria, dizemos: “E bendito é o fruto de vosso ventre, Jesus”. Jesus é o fruto do ventre de Maria, o fruto que a Virgem carregou e ofereceu a toda a humanidade. Maria é vista como uma árvore que carrega o fruto da vida. É isso que cantamos também no hino da festa do Corpo de Deus, o Pange língua gloriosi: “... fructus ventris generosi... Nobis datus, nobis natus, ex intacta Virgine” (fruto de um ventre generoso... nos foi dado, por nós nasceu, de uma Virgem íntegra). Jesus muito bem disse que Ele é a Vida; que não há vida fora dele: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6).

Jesus nos orienta para essa maneira de compreender sua Mãe como uma árvore boa, quando diz: “Toda árvore boa produz bons frutos... Pelos frutos deles é que vocês os conhecerão” (Mt 7, 17-20). Se referirmos a Maria o que Jesus acaba de dizer, acharemos que ele sublinha a identidade de sua Mãe: “Maria é uma árvore boa; essa árvore produziu o Fruto da Vida”. A Mãe do Senhor deve ser olhada como pessoa boa, fonte de Vida, fonte de Vida para nós. Duas árvores, frequentemente, são postas em paralelo. A primeira é a “árvore da vida” (cf. Gn 2, 9). Ela se levanta no meio do jardim, como a árvore mais importante do paraíso terrestre. Eva não estendeu sua mão sobre a “árvore da vida”, mas sobre a “do conhecimento do bem e do mal”. O casal das origens, como nós hoje, quis definir por si mesmo o que é bem e o que é mal, tendo por critério o que convém ao homem, segundo as circunstâncias. Disso resultou uma desordem ética sem limites, desordem que persiste hoje. Mas o casal das origens, Adão e Eva, não lançou a mão sobre a “árvore da vida”.

A outra árvore que é comparada à “árvore da vida” é a árvore da Cruz, onde pende o Fruto da Vida. Ele será despregado para cair como fruto maduro e oferecido a todos. Maria, que por primeiro carregou em si o fruto da Vida, permanece junto à Cruz. Há uma semelhança e um elo muito forte entre a Mãe e a Cruz; ambas carregaram e ofereceram o Fruto da Vida. As “pietàs” elevam o olhar mais longe: Jesus morto é entregue à Mãe, que o recebe e oferece. E isso bem mostra que a Mãe e o Filho estão unidos, como o fruto e a planta. É com esse olhar que podemos contemplar aPietà de Michelangelo que se encontra na basílica de São Pedro.

Maria carregou no seu coração, na sua fé, no seu corpo, o Fruto da Vida. Este se fez pão e sangue para que sua vida passe a todos os que nEle creem. Jesus se exprime nesse registro de árvore e de frutos em sua semelhança com a vinha. “Eu sou a verdadeira videira... e vocês são os ramos. Quem fica unido a mim, e eu a ele, dará muito fruto” (Jo 15, 5). Tocamos, aqui, uma grande realidade espiritual: Jesus, o Fruto da Vida, carregado pela jovem Maria, multiplica sua presença ao infinito, em seus fiéis. Mas também os ramos se tornaram capazes de carregar inumeráveis frutos. Diz um aforisma judaico: “Podemos contar as sementes que há numa maçã, mas não podemos contar as maçãs que há numa semente”. Cada grão contém uma possibilidade interminável de vida.

Então, descobrimos um laço misterioso, mas real, entre Maria e os discípulos de Jesus: a vida do Filho passa em todos eles e todos se tornam Filho, e ela, Mãe. É Jesus que o diz do alto da Cruz, quando se dirige a sua Mãe: “Mulher, eis aí o teu filho!”, e a nós: “Eis aí tua Mãe”. Ele exprime assim a profunda unidade que existe entre Ele e todos os que são reunidos por sua salvação. É uma unidade que lembra aquela das três pessoas da Trindade: “Para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. ... para que eles sejam um, como nós somos um” (Jo 17, 21-23).

Jesus fala do Pai que, na realidade, é a verdadeira Árvore da Vida. Não é a árvore da Cruz que é a árvore da vida, é o Pai que sustenta sobre a cruz os braços abertos do Filho: “Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único...” (Jo 3, 16). Sobre a Cruz Jesus é como pregado ao Pai. Os mesmos cravos que trespassam o Filho penetram também no Pai. Se Maria está em relação estreita com a Cruz, ela está em relação ainda mais íntima com o Pai. Foi Ele quem confiou à jovem Maria, seu Filho, o Fruto da Vida.

Nessa visão do Filho pregado com o Pai, compreendemos melhor a maneira como o Filho morreu: “Ele entregou seu Espírito”. O último suspiro do Filho é o Espírito que vem sobre Maria e sobre o discípulo amado; e de um modo mais geral, sobre todos os discípulos e sobre a humanidade. A morte de Jesus é uma ação da Trindade. Em tudo isso Maria é presença maternal.

Falando das árvores, Jesus disse: “Pelos frutos deles é que vocês os conhecerão”. Os frutos dizem qual é a natureza da árvore. Maria também é reconhecida pelo Fruto que carregou. Toda a bondade de Maria chama-se Jesus.

Os habitantes do Friul chamam Jesus “il frut” de Maria, “il frut da Madone”.




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