Alguns minutos com tua mãe obrigado



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2- A JESUS POR MARIA

Tina Beattie é uma teóloga, doutora em Mariologia, nascida em Lusaka, em 1955. Ela vem de uma família evangélica, mas aos 32 anos se converteu à fé católica. O que a ajudou nessa mudança foi a redescoberta da Virgem Maria, descrita no livro Rediscovering Mary (Redescobrindo Maria), de 1995. Volta-se à Mãe de Jesus com um olhar de mulher, com sua experiência, sua cultura e sua sensibilidade feminina. Mulher de grande cultura - ela escreveu muito para as crianças – contempla a mulher por excelência. Essa leitura feminina projeta luzes novas sobre o que Maria viveu, sobre o mundo feminino, suas alegrias, seus problemas. Nesse livro, um coração de mulher e uma inteligência feminina nos conduzem às profundezes do coração e da alma da jovem Maria. Estamos longe dos caminhos repetitivos (les sentiers battus). Rediscovering Mary cria em nós uma sensibilidade nova, atenção a aspectos e a problemas que, habitualmente, permanecem à margem de nossas pesquisas.


Partindo de sua dupla cultura, protestante, no começo, e católica depois, Tina Beattie propõe esta visão sintética: “Os Católicos vão a Jesus por Maria; os Protestantes vão a Maria por Jesus”.
« Os Católicos vão a Jesus por Maria » é muito verdade, no entanto, é um pouco redutivo. O que Tina Beattie afirma, a Igreja católica o professa há muito tempo, e com modulações muito variadas.

1- “Ad Jesum per Mariam” reza o latim, de modo conciso. Na basílica do Rosário, em Lourdes, a abside é ocupada por um grande ícone que apresenta Maria, rainha. Num lado está escrito: “Por Maria”, e n’outro: “A Jesus”. Muitas famílias religiosas, fundadas no século XIX, assumiram como seu o eslógão: “Tudo a Jesus por Maria; tudo a Maria para Jesus”.


2- Os grandes devotos da Virgem Maria colocam sempre Jesus no centro de seu apostolado. São Marcelino Champagnat, fundador dos Irmãos Maristas, considerava Maria seu Recurso Ordinário e recorria a ela com a confiança de uma criança. Mas o coração da missão educativa dos Irmãos será “tornar conhecido e amado Jesus Cristo”. Sem isso, dizia Marcelino, sua Congregação não teria razão de ser.

3- Teólogos e Papas, considerando que o Verbo veio a nós por Maria, pensam que Maria é o caminho normal para ir a Jesus. São Luís Grignon de Montfort expressou uma ideia muito próxima a essa. Na exortação apostólica Marialis Cultus, de 2 de fevereiro de 1974, Paulo VI escrevia: “Se quisermos ser cristãos, devemos ser marianos, precisamos reconhecer a relação essencial, vital, providencial, que une a mãe com Jesus e que ela nos abre um caminho que conduz a Ele” (24.4.1970). João Paulo II considerando a Virgem Maria aos pés da Cruz, dizia: “Ali, por dom maravilhoso de Cristo, ela se tornou também Mãe da Igreja, mostrando a todos o caminho que conduz ao Filho.” (Incarnationis mysterium, Bula da proclamação do grande Jubileu do ano 2.000, 14).


4- Um olhar atento àquilo que se vive nos santuários da Mãe de Deus conduz-nos a esta mesma conclusão: ali celebra-se a Eucaristia, proclama-se e explica-se a palavra de Deus; a fé se torna mais convicta e mais entusiasta, as pessoas se aproximam de quem está em dificuldade. Os santuários da Virgem não são apenas ‘laboratórios’ de fé; eles são também ‘laboratórios’ de humanidade. Recitam-se muitas ave-marias e rosários inteiros, mas o coração e o olhar estão fixos sobre o Filho, sobre sua vida e seus mistérios. Quase todos os peregrinos fazem a experiência de partir dos santuários com as baterias espirituais recarregadas e com uma nova alegria de viver.
5- Maria é também o espelho da Igreja e esta a contempla com grande atenção para descobrir-se nela, para reviver a fé e a generosidade de Maria, e como Ela, ser totalmente disponível ao Senhor. Modelo da Igreja, Maria o é também para cada cristão, e particularmente para os sacerdotes que precisam estar revestidos de sentimentos maternais em suas relações com os fiéis. Nós a contemplamos e rezamos para acolher Jesus assim como ela fez.

6- A fé ortodoxa vai nessa direção quando mete, na entrada de suas igrejas, o ícone da Anunciação e, na abside, a Theotokos, a Mãe de Deus: ela sugere todo um percurso marial e pede que o fiel reviva a aventura espiritual de Maria.


Assim é bem verdade que Maria é caminho para o Cristo. Mas, essa realidade, na Igreja católica, merece ser completada. Há ao menos três outros grandes caminhos espirituais que conduzem ao Senhor, na nossa Igreja. O primeiro é a Escritura lida, meditada, cantada, explicada e que desemboca no estudo-oração denominado “Lectio Divina”. Ela é disponibilizada em numerosos livros e, hoje, percorre os canais da informática. O encontro com o Senhor, nas Escrituras, é único, direto, profundo, sobretudo se é vivido numa oração de profundo silêncio.

A liturgia é também um via mestra que conduz ao Senhor. O itinerário litúrgico faz encontrar o Senhor nos diversos momentos de sua vida e na variedade de suas palavras. Na liturgia, o Senhor é celebrado, sua palavra, proclamada; o pão é partido e oferecido a todos. Se o encontro com o Senhor, nas Escrituras, tem com frequência um caráter privado, na liturgia se torna o encontro da comunidade dos fiéis; a primeira prefere o silêncio, a segunda, a proclamação e os cantos; na primeira, a Palavra é luz do coração; na segunda, a Palavra é luz para a comunidade. As grandes festas como o Natal e o Pentecostes colocam nossos passos nos passos do Senhor.


Precedendo a Escritura e a Liturgia, há outro grande caminho que conduz ao Senhor: é o homem mesmo, as irmãs e os irmãos próximos ou dispersos pelo mundo. Há um modo de encontrar o homem que é também e sempre um encontro com o Senhor. É o caminho que o Senhor nos indica no capítulo 25 do evangelho de Mateus: o homem que sofre fome, sede, que está doente, nu, ou na prisão, é sacramento do Senhor. O Verbo se fez carne e, desde então, a carne tornou-se santuário do Verbo. Há sacramentos, mas o homem é o sacramento. Essa via mestra que conduz ao Cristo não conhece os limites da Escritura que deve ser lida em segredo, onde o Pai nos vê. Ela não conhece os limites da liturgia que se faz presente em determinadas horas do dia, em certos dias da semana. O homem nos cerca em toda parte; mais ainda, nosso corpo é templo de toda a humanidade, comunhão com nossos irmãos e nossas irmãs. Encontrar o homem é sempre ocasião de encontrar o Senhor. Um encontro com o outro pode ser a mais bela palavra que podemos dizer sobre o Outro. Todos os santos foram particularmente sensíveis e atentos ao homem, sobretudo ao homem provado pela doença, pela ignorância, a pobreza e a fragilidade psicológica. E a Igreja, nossa mãe, se diz perita em humanidade.
Mas nós, católicos, caminhamos com os Protestantes aos quais dizemos: “É procurando Jesus que eles vão encontrar a mãe.” Eles descobrem que a mãe os precedeu como modelo de acolhimento e no colocar todo o seu ser a serviço do Filho. De fato, isso não é uma prerrogativa das Igrejas protestantes, todos os cristãos procuram primeiro a Jesus, coração de sua fé. A Igreja católica também está toda centrada no Senhor, na leitura da Escritura, na liturgia, na catequese e na missão. É aí que ela encontra a mãe com alegria e admiração, procurando fazer como ela e acolhendo-a em sua comunidade como fez o discípulo amado.
Maria, a Escritura, a Liturgia, o Homem são caminhos que se cruzam muitas vezes, fazem grandes trajetos de caminho juntos, enriquecem-se mutuamente e, juntos, conduzem a Jesus. Mas é verdade que Maria continua sendo nossa mãe, a mãe do Senhor e nossa; eis o que faz com que, de boa vontade e frequentemente, vamos a Jesus por Maria.
O cardeal Ângelo Comastri termina seu livro L’angelo disse, Edições São Paulo, 2007, com estas três afirmações concisas:
“Maria, com efeito, tem apenas um nome a nos dizer: Jesus;

Ela tem apenas uma certeza a nos propor: Jesus;

E tem apenas um segredo a nos revelar: Jesus”.





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