Alguns minutos com tua mãe obrigado



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34 - GENESEOS

Mt, 1, 1-25



 

 

Mateus inicia seu evangelho com a palavra “geneseos”,  « gênese ». Ele quer significar que um mundo novo está nascendo ao mesmo tempo que termina a longa genealogia dos ancestrais de Cristo. Estamos numa gênese, num começo novo. É a gênese de Jesus Cristo, o homem novo, o Novo Adão. Em Cristo, a humanidade faz um enorme salto qualitativo: nele, a humanidade se impregna de divindade; a divindade habita na humanidade. 


Toda a linha dos ancestrais termina em José. Essa sequência, a genealogia de Jesus, começou muito longe; remonta a Abraão, pois ela progrediu pacificamente, com obstinação, durante 42 gerações. A fórmula que traduz o salto de uma geração à outra é sempre a mesma: « um tal gerou um tal ». Às vezes, alguma pequena variante, quando o nascimento é um tanto anormal: « um tal gerou um tal, de fulana ». São sempre homens os que geram : Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacó... » Para a cultura judaica e de quase todas as culturas da época, tudo isso é bem normal. Estamos numa linhagem real e o que conta numa casa real é o filho que vai suceder ao Rei. Há também um razão de ordem científica: então, ignorava-se completamente que a mulher trazia um princípio vital. Ela era considerada como aquela que acolhia o único princípio vital, proveniente do homem. A mulher era como uma terra fecunda, como um vaso de eleição. Toda a história do Antigo Testamento se constrói ao redor dos homens. A fórmula « um tal gerou um tal » vai até José e nele termina. José é como o último elo do Antigo Testamento.
Depois de José, a tranquila fórmula « um tal gerou um tal » desaparece, perde sua força. O homem que descende do primeiro Adão para em José; seu princípio de vida não passa para o Novo Adão, Jesus. O evangelista arma aqui uma fórmula muito estudada: « José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus ». Estejamos atentos à ordem dos nomes : José, Maria, Jesus. Maria está entre José e Jesus ; ela é aquela que separa e aquela que une. Ela separa José de Jesus quanto à geração. Isso constituirá exatamente o tema da perícope seguinte. Ela une em si José, seu esposo, e Jesus, seu filho. A mudança estilística, a fórmula da geração, se faz com Maria. Ela já está na novidade radical; ela está nos novos começos, aqueles de uma humanidade habitada pela divindade. Em José acaba o primeiro Testamento ; em Maria começa o Testemento derradeiro. José fora engendrado por Jacó, um homem, segundo a fórmula que começa em Abraão. Jesus nasceu de uma mulher. A fórmula nova, de que se vale Mateus, faz como uma fronteira entre o antigo e o novo.
José hesita diante dessa novidade ; ele não se considera digno de nela entrar. Ele decide, discretamente, despedir Maria para dizer-nos com total evidência que Jesus não é seu filho; é impossível a ele – homem do Antigo Testamento – engendrar o homem novo, o Salvador. Apenas o Espírito sobre Maria pode dar existência humana a alguém que procede do alto. José quer afastar-se desse mundo que emerge. Sente-se estranho, incapaz e, como homem « justo », apaga-se.

 

É no contexto dessa tomada de consciência que o anjo se manifesta e convida José a entrar no mundo novo: « José, filho de Davi, não temas de receber Maria, tua esposa,  porque o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dara à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus. » Duplo convite para entrar: acolher sem temor Maria e o menino, e mais do que isso, dar o nome à criança, o que equivale à adoção.


Quando José disser sim, toda a linhagem davídica começa a inundar o Novo Testamento ; torna-se a genealogia do Messias. Dir-se-á dele que é Filho de Davi, da casa de Davi e que ele é rei. Esses títulos lhe advêm, diretamente, de José. Este se torna assim o elo que une o Antigo e o Novo Testamento. Se José é o elo, Jesus é a realização de todas as promessas do Antigo Testamento; e é a plenitude do Novo Testamento.

 

O mundo do Antigo Testamento não morre ; ele se cumpre e se completa. Surge um mundo novo e o primeiro nome que encontramos nesse mundo inédito é o de Maria. Maria indissoluvelmente unida a seu filho. A primeira imagem de Maria é a de uma mulher que espera um filho. Não é a Maria Imaculada, não é tampouco a virgem sozinha: mas é a Virgem que vai gerar o Emanuel. Assim fortemente ligada ao filho, Maria pode ser vista como a Nova Eva.





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